Marlon

Mais salgado que o Mar Morto

Mar mortoO Balada Mix sempre foi para mim uma espécie de segunda casa. Dia sim, outro também, não precisava ter motivo especial, lá estava eu numa daquelas mesas de madeira rodeadas de coqueiros a me esbaldar com as delícias da simpática casa da Érico Veríssimo. Pois agora é necessário ter um motivo para lá de especial para eu pôr os pés na já nem tão simpática assim casa da Érico Veríssimo. Motivos não me faltam.
Primeiro, o mais óbvio para qualquer mortal assalariado que não fica fazendo farra em Paris, com direito a guardanapo na cabeça: os preços, que nunca foram baixos, subiram à estratosfera. Pagar por um simplório sanduíche de peito de frango com queijo branco a quantia de R$ 32 não me parece nada razoável. Acho que nem numa pâtisserie sob o Arco do Triunfo se desembolsa tanto por tão pouco. Se a opção for por uma combinação de filé mignon com shitake os valores beiram os R$ 40. Isso mesmo! Dois desses e você pode sentar numa churrascaria de ponta do Rio de Janeiro e se fartar de filés e picanhas.
Fora os preços mais salgados do que a água do Mar Morto, aquela simpatia, "o boa-pracismo", a camaradagem do Balada parece mesmo ter se perdido no tempo. Alguns meses atrás, e ao menor sinal de que uma bisnaga de catchup estava no fim outra novinha era posta em sua mesa. O azeite, de boa qualidade, habitava todas as mesas (agora a garrafa só aparece se pedirmos). E, pecado dos pecados, não havia miséria, mesquinharia com o cliente. Lembro-me de certa vez ter sido agraciado com uma porção de salada verde depois de meu parceiro de mesa pedir fritas de acompanhamento para nosso sandubão... Tudo porque torci o nariz para a escolha dele e o atendente ouviu. Pois na semana passada, tive o dissabor de ter que pagar uma grana a mais só pelo fato de ter pedido para trocar as fritas de minha filha por noisette. Mas não é tudo batata???!!!!
Então, são por questões como essas que um estabelecimento, para mim, vai se apequenando. Por maior que ele tenha sido.

Canetadas
 - Não é mantra, gente, eu juro: mas novamente o incauto aqui foi ao Extra madrugada dessas e, de novo, a caixa do supermercado garfou o meu bolso. No total, depois de reclamar o registro equivocado de preços em alguns produtos, me devolveram R$ 4,80. Será que virou regra?
 
- Ainda falta muito tempo, mas comenta-se que no ano que vem uma chapa peso-pesado, só com ilustres moradores do Bosque, será formada para disputar (e ganhar) as eleições da ABM. É esperar para ver.
 
- Cartas e emails para o Caneta dão conta de que o assunto estacionamento de shoppings deu ibope. No próximo número, volto a ele.

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A farra dos estacionamentos

Estacionamento-shoppingÉ uma indecência. A cobrança por estacionamento em shoppings e supermercados pode até ser legal, mas é imoral. E, como a Barra está repleta desses centros de compras e de lazer por todos os lados, difícil é passar um dia que seja sem que nos revoltemos com os valores aviltantes que nos são impostos. Dia desses, após idas e vindas ao dentista, à fisioterapia e à pediatra da minha filha, fiz as contas: R$ 24 deixados nos guichês de estacionamento de três shoppings. Dava para ter feito uma refeição completa. Ou comprado três latas de leite em pó.
Pior é que, na maioria dos casos, como o do BarraShopping ou do Via Parque, por exemplo, sequer contamos com um conforto mínimo, como estacionamentos cobertos ou mesmo avisos eletrônicos sobre a existência de vagas nesse ou naquele ponto. Manobristas? Se você quiser pagar ainda mais caro pelo serviço, tudo bem. Em alguns casos, sobretudo à noite, chega-se ao requinte de se fechar várias cabines de pagamento para economizar com a mão-de-pbra de funcionários. E quem paga a conta são os motoristas, que precisam ficar rodando feitos perus tontos à cata de um posto pagador.
 E a indecência tomou ares de despudor recentemente, quando, por obra de alguns parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio, cogitou-se arguir a legalidade da cobrança. Num primeiro momento, o consumidor saiu ganhando, já que houve uma padronização da cobrança, em valores até razoáveis. Mas como alegria de povo complacente com tudo dura pouco, logo veio uma reviravolta. Os shoppings ganharam na nossa cega Justiça o direito de cobrar o que bem entendessem. O argumento é que, como espaços privados, o estado tem seu poder de atuação reduzido. A indecência virou farra. Os valores subiram à estratosfera. Uma orgia com o meu, o seu, o nosso dinheirinho.
 Porque gente, será possível que tudo que um shopping do tamanho de um BarraShopping, de um Downtown arrecada com o consumo de centenas de milhares de pessoas todos os dias não seria suficiente para bancar estacionamento gratuito? Ou, pelo menos, que se estabelecesse que, a partir de um consumo mínimo, o usuário ficasse isento da cobrança. Que nada... O pobre coitado pode estar com as mãos repletas de sacolas de compras, pode ter deixado R$ 25 mil numa joia da H.Stern, que invariavelmente deverá deixar alguns trocados a mais naqueles malditos guichês. É a lógica indecorosa que rege o pensamento da maioria de nosso empresariado. Mais uma obscenidade. Que a Justiça, talvez envergonhada, prefere não ver.

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É pena

Não faz nem duas semanas que me deparei com uma sinalização de trânsito que, não fosse pela mensagem, seria apenas mais uma placa. Mas não. Aquela advertência na descida do viaduto que fica ao lado do Downtown, sentido São Conrado, traz o alerta de que mais um pardal de velocidade - mais um! - acabara deser instalado pela famigerada Prefeitura. É uma arapuca para pegar os incautos, mas poderíamos chamar demais um escárnio do Poder Público.

Cryi

Se não, vejamos. A tal placa está fincada no ponto citado fica a menos de20 passos do canteiro de obras do metrô, que vem atravancando ainda mais o trânsito da região. Então, o raciocínio de nossos burocratas gulosos funciona mais ou menos assim: a gente pode ferrar a vida desses motoristas com estrangulamento de pista e asfalto defeituoso por conta da obra do metrô. E esses mesmos motoristas, se pisarem um pouquinho mais no acelerador, serão multados para saber quem manda aqui.

Quero deixar bem claro que não sou contra a instalação de equipamentos eletrônicos que flagrem excesso develocidade. Desde que haja critérios claros, previstos no código de trânsito e na engenharia de tráfego, tudo bem. Até aplaudo. Mas não é de hoje que o Poder Público parece ter afrouxado o cabresto nesse processo. E o que era para ser educativo virou, sim, uma benesse para a indústria das multas funcionar a pleno vapor emtodo o Rio. É pena.

Canetadas

– A assessoria do Extra 24 horas ligou para o Caneta a fim de ponderar que os funcionários do supermercado vivem passando por treinamento rigoroso, que a loja enfrenta uma reestruturação e que o Grupo Pão de Açúcar não compactua com os problemas relatados pelo escriba e por dezenas de leitores que mandaram e-mail para a Folha do Bosque. Parece história da carochinha, pois, nesse mesmo dia, o Caneta, inadvertidamente, foi ao mercado e passou pela mesma via-crúcis de sempre. É pena. 

– Quando é que a ABM vai enfrentar para valer o problema dos cães que andam sem focinheira e sem guia pelo Bosque. Para que servem seus vigilantes? É pena. 

– Deve ter chapa única, a da situação, a eleição para a presidência da ABM. Só posso desejar meus pêsames à comunidade por esse continuismo. É pena.

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É vida ou morte

AssaltoA despeito de a ABM continuar querendo tapar o sol com a peneira, a violência na região do Bosque Marapendi virou uma questão de vida ou morte. Quase que literalmente. A tirar pelas dezenas de emails que venho recebendo, relatos e mais relatos de vizinhos e porteiros e até mesmo cartas para esse periódico, a situação é muito mais crítica do que se pode supor. E, como tal, exige de todos nós, mas muito mais de quem detém algum tipo de poder, uma tomada de decisão mais enérgica para combater o problema.
Os exemplos estão aí. Semana passada, por exemplo, um morador do meu prédio relatou que não corre mais na ciclovia depois das 18h. Motivo? Trauma, por ter presenciado um assalto a mão armada, com direito a tiros, em plena Canal de Marapendi. Dois homens numa moto tentaram roubar um carro e, como o motorista arrancou com o automóvel, tome-lhe tiro para tudo que é lado. Como o Caneta costuma usar a ciclovia pára dar suas corridas, pensei enquanto ouvia o relato. Que situação: se correr, o tiro pega; se fugir para o canal, jacaré pega.
Agora, leitores, pergunto: qual a última vez que você viu algum agente de segurança pública (aí vale PM, policial civil, guarda municipal, bombeiro e até inspetor de escola maternal) fazendo patrulhamento na Canal? O agravante disso tudo é que contamos, pelo menos em tese, com uma cabine da polícia que deveria servir como elemento inibidor de ações de bandidos. Mas como temê-la se na maior parte do tempo ela vive às moscas, sem qualquer policial, sem qualquer viatura?
Por outro lado, não vejo a nobre diretoria da ABM protestar com a veemência que o assunto requer junto às autoridades. Reivindicar contundentemente uma melhora no policiamento. Semana passada, em almoço com o secretário de Segurança Pública e o comandante-geral da PM, cheguei a relatar o problema e ambos disseram desconhecer qualquer reclamação de nossa inepta associação de moradores. Fiz a queixa e recebi a promessa do coronel Erir Ribeiro de que o comando do 31 BPM fará um trabalho especial na região. Vou cobrar. Ideal era que todos nós cobrássemos pelas vias mais convenientes para cada um. Incomoda-me assistir a essa desmobilização quase endêmica dos moradores da Barra sejam quais forem os problemas. Neste caso específico, os criminosos agradecem.

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Supermercado dos horrores

SupermercadoAbílio Diniz se orgulha de ser um dos homens mais ricos do Brasil. Gaba-se por ostentar o título de um dos empresários mais bem-sucedidos do país. Regozija-se por liderar, anos a fio, o ranking nacional do setor de supermercados. Estufa o peito ao discorrer sobre sua forma física, mesmo tendo passado da idade sexagenária faz tempo. Mas o que talvez Abílio Diniz não saiba é que na Barra da Tijuca, mais precisamente na Avenida das Américas, há um membro de sua grandiosa e renomada família do qual ele deveria se envergonhar: é o Hipermercado Extra 24 Horas. Patinho horroroso do Grupo Pão de Açúcar, pertencente à família Diniz, o supermercado é um amontoado de despreparo de funcionários, desrespeito com o consumidor, preços extorsivos, indecência no trato com o público...

Tudo bem que o dito hipermercado nunca prezou pela excelência em seus serviços. Sempre ficou aquém dos rivais Wal Mart, Zona Sul, Pão de Açúcar e até do novato Guanabara, só para citar os das cercanias. Mas, ultimamente, aquilo que se convencionou chamar de supermercado está abusando. O Caneta, mesmo a contragosto, vez ou outra, optava pelo Extra por conta especialmente da proximidade de casa e do horário estendido. Era comum chegar tarde do trabalho e ainda assim visitar as gôndolas para comprar um ou outro artigo que estivesse faltando em casa. Passava por aquela já conhecida via-crúcis sobre a qual estão carecas de saber os consumidores que para lá se destinam.

Mas depois do que acompanhei logo no início do ano, nunca mais. Naquela malfadada noite de uma terça-feira, segui para o mercado a fim de repor estoque de frutas, verduras, legumes e pães de forma. Apenas isso. E tinha início o meu calvário. Não havia carrinho de compras, tampouco produtos elementares como banana e alface, por exemplo. Ao escolher alho, tomates e pimentões, cadê os sacos plásticos? Nada também. No caminho para a fila de pagamento, um cenário de feira livre na hora da xepa: eram batata, laranja e cebola caídas pelo chão... E sequer uma alma para manter um mínimo de organização e limpeza.

Será que na mansão do senhor Abílio é assim também, pensei com meus botões, os da camisa de mangas curtas, que a essa altura estavam desabotoados tamanho o calor que fazia lá dentro. Ah, sim, é prática recorrente a gerência da loja desligar o ar-condicionado para economizar energia, assegurou o fiscal de caixa que flanava para lá e para cá em seus patins.

Mas, como tudo que está horrível pode ficar ainda pior, a cena dantesca veio quando me aproximei do caixa. Pasmem, mas havia apenas duas moças, uma delas em treinamento, atendendo ao público. Isso, dois caixas, mais outros dois da fila para quem estava com até 25 volumes no carrinho, e chegava-se à soma de quatro funcionários! Menos, bem menos do que o senhor Abílio deve manter em sua residência de verão de Angra dos Reis apenas para cuidar dos jardins e dos cachorros.

Chega de tamanha humilhação! No momento em que o Extra voltar a dispor de dignidade em suas prateleiras e vender respeito ao consumidor em quilos, o Caneta pensa em voltar.

Posted at 03:51 AM | Permalink | Comments (2) | TrackBack (0)

Retrospectiva 2011

TrânsitoConfesso que 2011 não chegou a ser uma Brastemp. No máximo, uma Electrolux. Também, desde pequeno, nunca simpatizei com números ímpares. Como bom geminiano, prefiro a cumplicidade dos pares. Sempre foi assim, algo meio inexplicável, mas que, para mim, sempre correspondeu às expectativas. Em nosso universo particular chamado Barra da Tijuca, julgo que 2011 foi um ano morno. Com algumas boas novidades, mas também com repetições de velhos problemas, velhas mazelas. E como fim de ano parece trazer consigo o indefectível sentimento de retrospectiva daqueles 365 dias que terminam, eis que me apresso a tecer o meu pequeno balanço:

Metrô - Por enquanto, é mais problema do que esperança. Com um projeto nebuloso, sobre o qual houve pouca ou quase nenhuma discussão, a linha do metrô que pretende desafogar o trânsito da Barra segue com obra em ritmo acelerado. Por conta dela, o trânsito (sobretudo na região do Jardim Oceânico) teve uma significativa piora. Resultado: estamos pagando um preço alto por um produto de eficácia duvidosa.

Trânsito - Como acabei de dizer, o caos se instalou de vez por aqui! Como se não bastasse o metrô, é um tal de BRT, TransOeste, TransOlímpica... Estado e Prefeitura passam décadas sem um pingo de investimento em transportes e malha rodoviária. E, quando o fazem, juntam tudo ao mesmo tempo! Resultado: até 45 minutos para cruzar a Avenida das Américas, da Cidade da Música à Armando Lombardi. O que já estava ruim ficou péssimo.

Lourenço Jorge - Na principal unidade de saúde da região, o ano é para se esquecer. Superlotação, atendimento péssimo, falta de médicos de especialidades elementares, como ortopedia, denúncias e mais denúncias de mau uso de verbas. Temos hoje, certamente, um dos piores hospitais da rede municipal do Rio. Uma lástima!

ABM - Se não chegou a repetir desastres do passado, a diretoria deixou a desejar, novamente, na questão de transportes, de segurança, de mobilização política. É incrível como é cristalina a necessidade de a associação ter seus quadros compostos por gente de mente aberta, arejada, progressista, que queira efetivamente trabalhar para o fortalecimento da ABM. Se o parque aquático, por exemplo, melhorou sensivelmente com a entrada de um profissional sério, trabalhador e responsável, por outro lado me parece inconcebível, por exemplo, que a ABM não conte com nenhum patrocínio de peso que possa bancar a manutenção de seus espaços esportivos e sociais. Porém, mais fácil e menos trabalhoso, como já relatei, é meter a mão no bolso de cada um de nós quando se precisa de uma graninha extra para alguma coisa...

Rock in Rio - Maior festival do mundo, o espetáculo que virou muito mais do que um agrupamento de shows de música se firmou de vez, com a edição deste ano, no calendário internacional de megaeventos.

Supermercado Extra, cancelas do Downtown, Città América, policiamento, restaurantes que fecham a cozinha à meia-noite, preço abusivo de estacionamento de shopping... - Isso tudo aí, como continua igualzinho a 2010, 2009, 2008, a gente pega, põe no saco do Papai Noel e explode!
Feliz 2012!

Posted at 02:14 AM | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)

A Atlântica é na Sernambetiba

Reproduzimos aqui um texto do Caneta (que curte merecidas férias no Club Med de Angra) de dezembro de 2004.
Quem trafega de noite pela Avenida Lúcio Eterna Sermanbetiba Costa há de convir que o mote é atualíssimo!

ProstitutaO fenômeno não chega a ser novo, mas uma dezena de dias de descanso me proporcionaram comprovar com meus olhos o que os ouvidos já escutavam há tempos: a Sernambetiba, definitivamente, se transformou numa filial da Avenida Atlântica.
 A oferta de sexo está tão organizada e difundida que basta rodar não mais do que meia hora por alguns pontos da orla para perceber que já existem até lugares demarcados. Tem o trecho dos travestis, o das ninfetas, das prostitutas mais agressivas pelo menos visualmente falando, daquelas que fazem uma linha mais clean e tentam se passar por executivas, em terninhos básicos. Com fendas generosas nas saias, é verdade realmente, mas básicos...
Mas tão escancaradas quanto as aberturas que revelam as coxas das moças é a complacência da PM com as meninas de vida fácil. Como que uma repetição do que o “Fantástico” já exibira, na semana passada uma Patamo do Getam (isso mesmo, do Getam, uma das forças de elite da polícia), dois agentes dentro, tinha debruçada sobre a janela do carona uma loira que, dado o diminuto tamanho do short que usava, estava interessada, no mínimo, em conferir os documentos do soldado.
Era quase meia-noite. A diferença desta para a cena exibida na TV há alguns meses é que naquele flagrante policiais militares estavam entregando uma pizza, saída do forno, às sedentas (e pelo visto famintas) mocinhas da Sernambetiba. Como a truculência da grande maioria de nossos homens da lei não combina muito com este tipo de gentileza, episódios como esses nos levam a crer que um novo mercado de permuta pode ter se instalado na Barra: a pizza em troca da carne.

Canetada

- E a Cidade da Música, desafinou? A tão apregoada saúde financeira da prefeitura administrada por um economista não está sendo suficiente nem mesmo para concluir as obras de uma mísera ciclovia na Canal de Marapendi, que se arrastam há dois meses, imagina um empreendimento daquele vulto... Onde estão os dois bilhões de caixa, senhor factóide?

Posted at 11:28 PM | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)

O baixinho que nos agiganta

Cinco dias depois do último acorde de guitarra na Cidade do Rock, fui até a sede da agência de
publicidade Artplan, aqui na Barra, para entrevistar sir Roberto Medina. O poderoso chefão do showbizz internacional. O homem que lidera a equipe de 13 mil pessoas que fazem acontecer o maior festival de música do planeta, me recebeu com seu indefectível figurino: calça jeans, camisa de mangas compridas Medina 1 preta e mocassim da mesma cor. Publicitário de sucesso, Medina atualmente é lembrado muito mais por sua audácia em produzir um evento da magnitude do Rock in Rio do que por suas premiadas peças de propaganda cunhadas ao longo de uma sólida carreira. Ainda convalescendo da maratona de shows – suas olheiras denunciavam o déficit de repouso – ele fez um balanço dessas mais de duas décadas e meia de Rock in Rio e previu que o próximo, em 2013, será ainda mais grandioso.

Hoje na confortável posição de escolher as cartas que vai pôr em seu jogo, Medina lembra que nem sempre foi assim. No começo, ainda na fase de formação de casting para o primeiro festival, em 1985, ele recorda que sete meses antes do evento não havia fechado com um artista sequer. “Na época, o Brasil era visto como país de gente caloteira, ninguém queria vir”, conta. Precisou recorrer a um pistolão para virar o jogo. “Até então, minha única experiência no ramo tinha sido trazer o Frank Sinatra ao Brasil. Então, liguei para ele para que me ajudasse a vender o projeto do Rock in Rio. Pronto, em dois dias em Nova York fechei com todas as atrações daquela edição”, gaba-se. De lá para cá, milhares de solos de guitarra depois, muita coisa mudou. Medina diz que hoje pode se dar ao luxo de recusar pedidos e mais pedidos de astros que desejam entrar na festa do rock.

Ao exportar a marca Rock in Rio para a Europa e o mundo e eternizar seu nome no cenário do entretenimento mundial, Roberto Medina afaga o ego de cada brasileiro e cada carioca, em particular. Nos enche de orgulho e repele de certa forma o complexo de vira-latas que grande parte da população tupiniquim herda desde o berço. Ao usar a música para afirmar que somos capazes, sim, de produzir eventos grandiosos, dignos de civilizações mais desenvolvidas, o rockman dos trópicos nos ensina que é possível olhar o mundo do andar de cima. Ao tornar realidade um sonho que parecia estupidamente distante, o garotão de cabelos branquinhos nos encoraja a perseguirmos sentimentos que, às vezes, acalentamos por décadas.

O Rock in Rio, em sua babel esplendorosamente única, congraça, pelo menos naqueles dias embalados por dó, ré, mi, gente tão díspare quanto homogênea num único desejo: o de um mundo melhor. Não por acaso é esse o bordão do festival. Seja para quem foi lá e viveu aquela mística ou para quem ficou não menos impactado no sofá de casa, a brincadeirinha desse empresário de pouco mais de 1,60m de altura tem a incrível capacidade de nos agigantar a alma.

marlonbc@uol.com.br

Posted at 12:01 AM | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)

E a nossa fatia do bolo?

Bolo de dinheiro Semana passada, assisti a uma palestra do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, na qual ele discorreu sobre os investimentos que o Rio vai atrair nos próximos anos. É de deixar o queixo caido do mais otimista dos economistas. Chegaremos, nos próximos cinco anos, à impressionante cifra, segundo ele, de algo em torno de R$ 180 bilhões. O estado terá em cinco anos o que demorou 20, 30 anos para angariar em recursos. É dinheiro que não acaba mais. E como boa parte desse montante será proveniente da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, evidentemente que a Barra da Tijuca e suas redondezas, como centro dessas competições esportivas, tende a capitalizar vultosas quantias. E é aí que começa o nosso problema.
Pelo que tenho lido, acho pouco, muito pouco, por exemplo, os investimentos em transportes que tanto prefeitura quanto estado anunciam por aqui. A Linha 4 do metrô está longe de resolver nossos engarrafamentos, ainda mais se considerarmos o crescimento médio de 15% da frota anual de carros. Com a economia aquecida, claro, a venda de automóveis deve aumentar ainda mais, atravancando ainda mais o nosso já caótico trânsito. Transoeste, corredor exclusivo para ônibus, tudo isso me parece pequeno demais diante do tamanho da alavancagem econômica que se avizinha para o Brasil e o Rio, em particular.
Só para pegarmos um exemplo recente desse descompasso, basta olharmos para dois de nossos vizinhos, o Recreio e Jacarepaguá. O último foi responsável, na última década, pelo maior crescimento populacional dentre todos os bairros do Rio. O primeiro, até uma década atrás, era uma localidade bucólica, com poucas habitações, sequer tinha shopping ou um supermercado de porte.
E o que vimos? Uma explosão demográfica nesses dois bairros e, com ela, uma avalanche de problemas. Hoje em dia, o tráfego anda péssimo, os serviços públicos não acompanharam a demanda e a população pena com a falta de atendimento aos requisitos mais básicos de sobrevivência, como saúde, transporte, moradia e educação.
Em relação à Barra, não precisamos nos debruçar sobre o passado para ver no que deu um crescimento demográfico sem a devida contrapartida estatal. A falta de sintonia entre o que a Barra da Tijuca proporciona aos cofres públicos e o que retorna para essas plagas, chegou a despertar, em determinada época, um sentimento de independência de alguns setores representativos da sociedade. Quem não se lembra da onda pró-emancipação? Não chego a defender essa tese, para mim mais segregacional do que comunitária, mas de uma vez por todas está na hora de a Barra fazer valer seu peso na tomada de decisão de nossas esferas de poder. E que a gente não fique só com o glacê insosso na hora de se repartir esse bolo de R$ 180 bi.

Posted at 04:13 PM | Permalink | Comments (0) | TrackBack (0)

É 13 na cabeça

Julho de 2011.

A provocação partiu do meu editor, Luiz Neto. "Caneta, faz alguma coisa relacionada ao número 13, porque a Folha está fazendo 13 anos". De cara, não gostei muito. Se não chego a ser supersticioso, também não lido com naturalidade, admito, com essas coisas de número 13, passar sob a escada, vestir roupa escura na virada do ano... Passada a desconfiança, topei o desafio do bravo editor. E me veio a ideia de homenagear 13 símbolos da Barra. Não necessariamente em ordem de relevância para esse que vos escreve, vamos à lista.

1 - BarraShopping: Alguém aí consegue imaginar a Barra sem esse mega-centro de lazer-consumo-serviço?

2 - Barramares: Um dos mais antigos condomínios da Barra, marco do desenvolvimento e do povoamento do nosso bairro.

3 - Barraca do Pepê: Ainda hoje, um mito. Seja por seus sanduíches naturais, ou por alguns dos corpos mais esculturais que batem ponto ali, é o trecho mais up da orla da Barra.

Rua dos moteis

4 - Via Onze: Atire a primeira pedra quem nunca na madruga parou no trailer (sim, essa coisa de quiosque não é do meu tempo) que fica em frente à Praça do Ó para mandar aquele sandubão??? 

5 - Golden Green: Sinônimo de status, ostenta, ainda hoje, o título de um dos condomínios mais sofisticados e caros de todo o Rio.

6 - Balada Mix: Claro, por motivos mais do que óbvios, não poderia ficar de fora da lista do Caneta, essa espécie de segunda casa desse escriba. Quem duvidar do lugar de gente bonita, superdescolado, detentor de uma carta de sucos e lanches sobrenaturais, que tire a prova dos nove dando uma passadinha ali na Érico Veríssimo.

7 - Rua dos Motéis (foto): A via hoje já nem está com tudo tanto em cima assim, mas aquele trecho da Barrinha já foi endereço certo para casais apaixonados que procuravam refúgio seguro para viver tórridos romances...

8 - Bali Bar: A mistura de boate e casa noturna já fechou as portas no Itanhangá faz tempo, mas deixou uma legião de órfãos que vibram ao lembra-rem das noites regadas ao mais puro rock da época. Deixou saudades.

9 - Citibank Hall: Mas podem chamá-lo de Metropolitan, primeiro nome da casa de espetáculos fincada no Shopping Via Parque que chegou a ser, por muito tempo, a maior e mais con-fortável casa de espetáculos do Rio.

10 - Lourenço Jorge: Referência de saúde pública em nossa região, um hospital que, mesmo aos trancos e barrancos, serve de desafogo para quem precisa de atendimento médico.

11 - Quebra-Mar: Quem nunca pe-gou uma praia colado aos rochedos do final da Praia da Barra ou simples-mente não chegou até lá para apreciar a vista ou o pôr do sol é ruim da cabeça ou doente do pé, pode estar certo.

12 - Costa Brava: Dos elevados que levam e trazem gente da Barra, avista-se aquele monumento excepcional na ponta de uma restinga. Um deslumbre. Ainda que o clube já tenha vivido tempos melhores, é inegável o fascínio que ele exerce, seja por um olhar distante ou in loco.

13 - A Folha do Bosque, claro!!! São 13 anos desenvolvendo com firmeza e correção o mais puro jornalismo comunitário, aquele que interessa a todo mundo, que fala das coisas que acontecem nas nossas esquinas. Vida longa!!!

E você, tem a sua lista, alguma lembrança a acrescentar? Mande um email para o colunista (marlonbc@uol.com.br) que no próximo número a gente volta a brincar de viver.

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