FGualda

Na banheira

Banheira Não conheci meu avô materno, mas, pelo que minha mãe contava, era um sábio. Dentre outras razões, porque, sempre que começava uma partida de futebol, dizia que não sabia o motivo de aquele monte de homens passar tanto tempo correndo atrás de uma bola. E repetia sempre a mesma pergunta: “Por que é que não acabam de vez com essa briga e dão uma bola pra cada um?”. Claro que era uma gracinha, uma piadinha e, claro também, que vovô tinha lá suas inquietudes em relação à vovó, mas nunca soube o que era não tê-la aos domingos e às quartas-feiras, afinal de contas, vovó não era chegada a futebol e ria quando ele fazia piadas relacionadas ao esporte mais popular do país. Vovó era uma sortuda: tinha em casa um marido que não dava a menor bola pra time nenhum.

Ambos eram casos excepcionais. A regra é clara: seja lá qual for o time do sujeito, todo domingo tem um jogo ao qual ele vai querer assistir. E toda quarta também. Se não for o time dele jogando, será um rival, algum outro que pode mudar toda a tabela do campeonato, ou qualquer coisa assim. O fato é que dois dias por semana, se você, minha amiga, não é ligada,  nem um pouquinho, mas nadinha mesmo, ao mundo futebolístico, esqueça. Você perdeu seu parceiro para o universo dos campos, bolas, juízes, faltas, cartões, impedimentos, pênaltis, gols, vitórias, derrotas e... evidentemente, mesas-redondas. Ou você achou que perderia seu benzinho para as partidas só duas vezes por semana, por 90 minutinhos de cada vez? Quer moleza, santa? Senta no pudim ou entra da banheira e conforme-se com o impedimento.

A dinâmica do futebol, apesar de complexa para quem resolveu se aventurar nesse ambiente só depois de velha, não parece tão complicada assim. Mas tudo que envolve o futebol exige esforço supremo e QI dos mais elevados. Entender o que leva alguém a assistir a TODAS, repito, a TODAS as mesas-redondas após uma partida é difícil para mortais como nós.

Avaliemos: o jogo já acabou, se o juiz errou, isso não vai mudar, o vencedor já é vitorioso, o perdedor não terá o resultado revertido. Mas o seu querido quer saber o que dizem os comentaristas. E sabe pra quê? Para discordar, inutilmente, de todos eles. Fica em frente à TV, resmungando, reclamando e questionando, como se, do outro lado, aquele monte de mar-manjos metidos a entendidos ouvissem suas opiniões. Quando se cansa, troca de canal e repete tudo. É um ritual.

No dia seguinte, a caminho do trabalho, tem mais: o rádio do carro. É um sistema que se retroalimenta. Do lado de lá, os comentaristas falando exaustivamente sobre aquelas tais partidas, que, não custa repetir, já aconteceram e não vão ter seus resultados modificados. Do lado de cá, o meu, o seu, os nossos queridos ouvindo tudo isso, esperando loucamente a hora em que serão chamados ao debate para discutir todas aquelas coisas que vão mudar nossas vidas para sempre.

Ao editor:
Mas um dia vão pedir sua opinião, não é, meu amor? Até o treinador vai querer saber o que você pensa antes de escalar o time ou fazer uma substituição!

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Wagner Montes é uma lady

Wagner montes gualda Wa-“gui”-ner Montes, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá... Me lembro muito do Silvio Santos em seu Show de Calouros chamando aquele jurado meio manco, que entrava com pinta de galã para compor o júri do programa e que deixou todo mundo de boca aberta quando fisgou a mais gata da bancada, Sônia Lima. Meu Deus, ninguém acreditava muito naquela história. E não é que o casal tá junto até hoje? Eu era criança e admito, não tinha a mínima ideia de quem era aquele cara, mas curtia.  Wagner Montes sempre surpreendeu.

Anos depois, numa zapeada despretensiosa dei de cara com ele na CNT, esculhambando a bandidagem e defendendo a “poliçada”. Naquele tempo não tinha Capitão Nascimento nos cinemas mostrando a verdadeira tropa de elite que vai pra rua todos os dias botar a cara e o corpo à bala pra defender a mim e a você. Não me lembro se o documentário Notícias de uma guerra particular já tinha saído, mas a voz de Wagner Montes soava como um discurso solitário, ele era um maluco que defendia uma polícia marginalizada pela chamada banda podre. Como se todo cesto não tivesse suas laranjas estragadas... Hoje lidera a audiência na Record com seu jeito escrachado.
 De escrachado Wagner Montes não tem nada. Essa é uma das melhores coisas do jornalismo: a possibilidade de enxergar personalida-des além da superfície. Antes da entrevista que o Sr. Escracha concedeu à Folha, falei com ele algumas vezes por telefone. E aí, sem viadagem, mas não tenho outro termo: Wagner Montes é uma lady. De uma generosidade rara. Atendeu a cada ligação, inclusive num domingão de sol, quando passeava de barco com a família, com a maior gentileza e simpatia que alguém pode ter. Um luxo, sobretudo quando comparado a pseudo estrelas com quem já falei e que botaram a maior banca ou se fizeram de difíceis.
 Wagner Montes é acessível, um cara gente fina, que te atende ao telefone às 22h e diz. “Não está me incomodando de jeito nenhum, estou na assembleia”. E, finalmente (a demora não foi pela agenda dele, mas pela nossa dificuldade de conciliar horários), marcamos a entrevista.
 Frustração das frustrações, não pude ir. Meu horário na LabPop Content não permitiu. Sorte da Heloise Ornelas, que acompanhou nosso editor numa tarde inteira com um senhor entrevistado. Jornalista adora gente sem papas na língua, gente original, autêntica, cheia de histórias boas. Poxa, fiquei com a maior inveja da Heloise.
 Bem que o Marlon Brum, depois de entrevistá-lo, avisou ao nosso editor: “Quando você conhecer o Escracha, vai querer pedir o cara em casa-mento!”. Deus queira que a profecia não se concretize. Mas Luiz ficou, sim, fascinado. E quem não ficaria?

Campanha para Wagner Montes? Pode chamar do que quiser. E ele pode se candidatar a qualquer coisa que tem o meu voto.

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Março de 2011 - Atrás do trio elétrico, só morta

Bate bola Olha aqui, eu vou dizer uma coisa pra vocês: os foliões (principalmente o time feminino) podem negar até a morte, mas eu aposto que passam uns dois dias sem beber água antes do desfile do Cordão da Bola Preta (eu sempre falei DO Bola Preta mas os jornalistas me ensinaram nesse Carnaval que é DA Bola Preta) só pra não sentir vontade de fazer xixi durante o desfile. Tá, pode até ter a turma se aventura nos banheiros químicos espalhados ao longo do trajeto
do mais tradicional dos blocos da cidade. Tem gosto pra tudo.

Ok, ok, você pode tentar me convencer de que bloco é legal, mas não adianta: é uma roubada. Minha nossa, aquela gente aglomerada pulando, suando, se esbarrando, berrando. Deus me livre! Sempre penso no cheiro dessas multidões. Os blocos são o caminho número um para um Carnaval horroroso. Não tem a menor condição, um perrengue, todo mundo encostando em você, sede, calor. Não, não, não há condição. E os mijões? E o rastro de imundície no chão? A equação deste cenário é previsível: gente aglomedara + perrengue + imundície = Carnaval dos horrores!
Agora, se você decidiu passar um Carnaval pra Jerico nenhum botar defeito, mas não quis ficar no Rio de jeito nenhum, hummm... Deixa eu pensar... Já sei! Você viajou para a Região dos Lagos.
Meus pêsames!
Eu simplesmente não posso acreditar que você abandonu o conforto do seu lar rumo ao trânsito para Araruama e afins. Nada contra, ou melhor, tudo contra. Não acredito que só porque o seu carro tem ar condicionado, é super espaçoso e equipado com um DVD e som incríveis, você acha que está tudo bem se tiver de percorrer 80 ou 100 km em seis ou oito horas vendo ao seu lado veículos abarrotados de gente e bagagem, com crianças chorando, biscoitos esfarelando e sogras reclamando. É a visão do inferno!
Mas pode ficar pior: quando você chega na tal cidadezinha que escolheu, há filas intermináveis para comprar o sagrado pãozinho matinal de cada dia; nos supermercados, que de super não têm nada, falta de tudo, incusive velas para iluminar a casa quando falta luz. À noite, a falta de noção da molecada te impõe a falta de humor, com funks altíssimos que saem de caixas de som dignas dos piores palcos, instaladas em porta-malas. Mas é Carnaval, é tudo mágico. E você começa a pensar numa mágica que te leve rapidamente para casa de novo.
O casal gourmet aqui (eu e o amado editor deste periódico) vai te ensinar, então: ano que vem, vai no supermercado, (super mesmo) com antecedência, abastece a geladeira e a dispensa com gostosuras mil e começa a inventar. Pode ser festival de pizza, por exemplo, como o nosso, regado a Cole Porter, Dave Brubeck e dança no meio da sala, com direito a velas. Televisão: use para ver os DVDs todos que você terá alugado ou comprado e assista a tudo com pipoca. Não esqueça de colocar na cama um conjunto bem lindo e perfumado de lençóis macios. No final da folia, chame a sua faxineira e ponha a casa em ordem de novo. Pronto. E se você fizer mesmo muita questão de samba, dê um pulo na feijoada do Windsor e curta um arzinho condicionado, gente bonita, bateria da Mangueira e até banheiros limpos.

Agora começou! Feliz ano novo!

gualdafernanda@gmail.com

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Janeiro de 2011 - Quero uma ABM pra mim

Me amaro na ABM! Pronto, falei! Quando entrei pela primeira vez numa associação de moradores na minha vida, já era bem crescidinha. Uma aluna bem mais velha da faculdade me ofereceu um "estágio" na associação de moradores e amigos de Laranjeiras. Fui toda animada. Na época, era uma casa, sem muita estrutura. Queriam que eu passase muitos faxes. Não me lembro de mais nenhuma função nem de nenhum trabalho que me chamasse muito a atenção prestado por aquela turma. Para mim, a partir dali, assim eram todas as associações de moradores: talvez bem intencionadas, mas limitadas demais. Apareci umas quatro vezes e sumi! Já sabia passar fax muito bem.

Sayão Minha gente, eu juro, não quero criar atrito com meu vizinho colunista, o querido e polêmico Marlon Brum. Vocês sabem, não sou uma autêntica boscolina, mas uma frequentadora assídua do Bosque há tempos e primeira dama da Folha (tratem de me respeitar, vejam bem com quem estão falando!). Assim, não estou aqui me referindo a diretorias, presidências e tals, mas ao conceito da ABM, a tudo que a associação oferece.
Acho o máximo, por exemplo, aqueles ônibus. Nossa, quando trabalhava em Copacabana e via os gigantões da Vênus passando na Atlântica, ficava morta de inveja daquele pessoal fazendo turismo pela cidade enquanto voltava do trabalho. E eu lá, esperando o 175 ou então gastando os tubos pra pegar um fresquíssimo! Que inveja, que inveja, que inveja!
E aquela piscinona aquecida? Aquilo é um barato! Um luxo poder dar umas braçadas ali. E o vestiário é ótimo, eu fui lá bisbilhotar! E ainda tem uma cantina gostosona, com uma comidinha caseira sensacional a um precinho camaradérrimo.
Nos fins de semana, rolam altos campeonatos com a garotada (e a não garotada também) jogando bola, enquanto a turma da sueca manda ver no carteado, num climaço família de camaradagem pura. Aliás, quando eu descobri que ali havia campeonato de sueca, achei um barato. O Sílvio Santos trazendo concurso de pocker para a TV brasileira, cheio de pompas e circunstâncias, e os caras disputando o troféu de campeão de sueca! Espetacular, é um lance provinciano em plena Barra, um bairro que de certa forma é meio impessoal. Mas a ABM acaba quebrando essa característica.

Claro que tem coisas que me levariam à loucura. O som alto durante o dia inteiro na festa junina é de lascar. Imagina para quem tem bebê ou gente idosa em casa? Não pode, é um exagero, mesmo que num dia só. Corneta no som alto, não pode de jeito nenhum! 
Agora, gente, numa boa, vocês podem me achar doida. Marlon, tu pode me achar maluca e até me canetar. Eu não entendo nada de bastidores de ABM, realmente.  Mas uma coisa é fato: eu ia amar morar num lugar com uma ABM! Aula de dança, feira de artesanato, quadras para adultos e crianças, festas, mil coisas!

Mas tem o seguinte: eu só ia querer morar num lugar com uma ABM se todo ano o ex-presidente Renato Sayão descesse de helicóptero vestido de Papai Noel! Meu Deus! Isso foi impagável! A ABM inteira poderia não existir, que aquela quicadinha do Sayão com a pancinha postiça natalina fazendo ho, ho, ho, já valeria a taxa mensal!

Feliz 2011!

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Casa de bamba

Meu amor, a que horas você está pensando em sair pro aniversário do Borracha?- Pois é, não sei... Abrir salão é sempre ruim, né? Quando ele me chamou, não deu um horário muito certo, só disse assim: "Cara, vem cedo porque às 20h30 chega a banda".- Banda? Banda de que?- Sei lá, Fernandinha, você não sabe como é o Borracha?

Fomos ver de perto. Admito que estava com um certo receio. Pensava de mim pra mim: "Ai, meu Pai, e se essa tal banda for de funk?".Já no estacionamento do charmoso Vila Borguese demos de cara com um aniversariante eufórico que nos fez carregar, junto com outros convidados, cadeiras adicionais, até o salão de festas. Tivemos, pois, que passar pela entrada de serviço, ou seja, a cozinha. Meus amigos, foi então que vi que ali a conversa era só pra profissional. Que canapé o que, rapá! Logo à direita, a imagem de beleza suprema de um imenso caldeirão lotado de um consistente líquido amarronzado borbulhante e enebriantemente perfu-mado que o amigo leitor deve conhecer como caldinho de feijão. A responsável pelo quitute, depois, soubemos, atende pelo nome de Kátia. Uma simpatia.Entorpecida com aquele aroma, troquei olhares cúmplices com nosso editor, outro amante dessa iguaria e, contendo a vontade de permanecer na cozinha, seguimos para o salão, onde uma mesa que denunciava o caráter megalomaníaco daquela família abrigava uma quantidade sem fim de regalos espetaculares. Como disse, esqueçam os canapés. Aquilo ali era uma festa de bambas. Além do caldíssimo de feijão, devidamente servido em copinho térmico, havia moela, carne de porco, batatinha calabresa, quiches grandonas e saborosíssimas (preparadas pela sogra do aniversariante. Com uma sogra dessas, até eu) de bacalhau, alho poró (a favorita do editor), palmito e outros recheios, ovos cor de rosa para comer e decorar a mesa, azeitonas de Itu muito bem temperadas, amendoins e mais um monte de coisas que não me lembro. Gente! E o bolo? Tinha uns dez andares e muitos, mas muitos centímetros mesmo de diâmetro, com biscoitos waffer em volta. Obra da sogra também. Sogra? Isso é uma mãe. Aliás, foi isso que sentimos nessa festa: festa com gosto de mãe. Tudo tão, caprichado, tão sem frescura, tão bem servido, tão gostoso.Mas e a banda? E não é que em meio a toda a gostosura, com todo o povo se divertindo a valer (e sem derramar uma gota de suor, porque os splits estavam falando alto) os músicos chegaram? Preciso dizer o que toca-ram? Não, né? O mais legal era olhar pras pessoas dançando. Quando a gente vai a festas na Zona Sul, ou até na Barra, a coisa mais comum é ver alguém tentar ensinar outra pessoa a sambar. Não era o caso. Depois do primeiro acorde, ninguém mais parou. O clima que rola-va o tempo todo era o da camaradagem, da malandragem do bem. Sabem aquele tipo de gente que faz a maior festa quando te encontra e entampa na cara um sorriso de verdadeira satisfação só porque te encontrou? Sabem aquela ginga natural de quem dá só uma balan-çadinha e pronto, já está sambando? Sabem aquela alegria de quem abre os braços pra cantar o samba favorito e te abraça pra falar ao pé do ouvido que gosta de você porque afinal de contas, você é um cara isso e aquilo? É disso que estou falando. Naquela casa todo mundo é bamba!

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Ninguém me escapa agora. “Tá assustada, tia?”

Alguém aí sentiu minha falta? Pois é, meus amigos, precisava mesmo dar uma descansada desse regime escravocrata da Folha do Bosque. Ninguém agüenta isso, não, minha, gente. Aliás agüenta: Marlon, o Brum, não tá nem aí para o chicote, se bem que de vez em quando dá umas escapulidas também. O fato é que estou de volta. E já que estamos falando de trabalho, deixa eu contar pra vocês: tô trabalhando no Bosque agora!

Depois de três anos no balanço do frescão a caminho de Copa, cá estou eu a trabalhar perto de casa. Parece um sonho não me preocupar com a Niemeyer todo dia. Aliás, agora me preocupo com outra Niemeyer, a MNiemeyer, onde comecei a trabalhar.
Mas o trânsito da Barra e do Itanhangá são tão pedreira que ainda preciso sair de casa com muita antecedência para evitar os atrasos. Será que algum dia isso vai melhorar? Da sala onde trabalho, vejo os carros parados ao longo de toda a Afonso Arinos, até a Ponte Lúcio Costa, diariamente, é a imagem do desespero. Outro dia gastei 40 min. ali até chegar à Avenida das Américas. Não é possível. Na altura da descida do Alto da Boa Vista, o fluxo de veículos pela manhã também tem sido inviável. Mesmo assim, não dá para comparar com o sufoco que era sair de Copa pra Barra em horário de rush.
A hora do almoço também ficou muito melhor porque eu e o digníssimo editor Luiz Neto podemos degustar quitutes vespertinos juntos quase todos os dias. Em compensação, não tenho mais aquelas lojas de rua todas de Copacabana para aproveitar mil pechinchas depois das refeições. Por aqui, só tem os shoppings e, mesmo assim, não são tão pertinho do trabalho para ir a pé. Para compradoras crônicas de bugigangas como eu, nada como Copa. Por lá, comprei uma saboneteiri-nha, por exemplo, por R$1,80, que, no Extra 24h custa quase R$15! Comprar na hora do almoço é tão bom.
Agora, uma coisa que tem lá e cá: minha nossa, como tem pivetes mal intencionados. Certa vez, saindo do prédio onde trabalhada em Copa, me deparei com um garoto escondido no canteiro de plantas do edifício. Não me assaltou porque dei um grito e ele se assustou. Pois aqui, dia desses, enquanto ia ao Città America almoçar com duas amigas, dois garotos bloqueavam a passagem da ciclovia, com um deles olhando para o pé, como se estivesse machucado. Uma de minhas amigas, intimidada, resolveu Fedelhos cricrispassar por fora em vez de pedir licença. Pisou num buraco enorme, todo coberto por folhas secas, e acabou caindo. “Tá assustada, tia?”, ironizou um deles. Alô, leitor: não caia nessa, numa situação assim, mantenha-se na ciclovia e evite o tombo. É golpe deles para assaltar o pedestre.

  Estou A-MAN-DO trabalhar no Bosque e o novo trabalho. Empresa legal, pessoal legal, uma delícia!

Ninguém me escapa agora, to de olho em todo mundo: adeptos dos proibidões da moda, fedelhos cricris, pais manana, a Cortena tá na área.

Falar em corneta: gente, por que o Top Fashion é tão quente? Que calor insuportável faz ali. Isso não se faz com o consumidor.

 

 

Fedelhos cricris: andem na linha porque a titia voltou (foto)

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Bom dia pra você que não tem o que dizer

Facebook Depois de ouvir um monte de amigos meterem o pau no Orkut, embarquei na onda e criei um perfil no Facebook há alguns meses. Admito que ainda me enrolo. Outro dia, em vez de divulgar o novo site de vinhos do Mario Marques, o Wine Report, no meu mural, publiquei no mural dele, o que o fez rir da minha cara e dizer que sou “muito vintage”. Fiquei meio envergonhada com minha falta de modernidade. Mesmo não sendo expert, eu gosto. Curto ler o que o pessoal escreve ao longo do dia, ver as novidades. Agora, tem uma turma que realmente me intriga, que passa o dia inteiro postando absolutamente tudo (ou nada) que faz, onde quer que esteja, abastecendo os amigos com informações sobre o nada.

Outro dia, eram umas 7h30 e lá estava: “Que sono! Vou fazer um café bem forte pra espantar a preguiça”. Quer dizer, a pessoa tá se arrastando, morrendo de preguiça, mas arruma energia pra dividir com os amigos essa informação surpreendente que mudará a manhã de todos? Não entendo. Tem também uma versão mais simples: “Acordei”. Juro que deu vontade de comentar: “Meus parabéns!”. Uma coisa que eu já saquei que anda na moda pela manhã é postar “Bom dia pra você que bla bla bla”. E aí a pessoa diz o que está fazendo ou como está se sentindo. Por exemplo: “Bom dia pra você que acordou de mau humor”. Ou então: “Bom dia pra você que já começou o dia no trânsito”. É super descolado o tal do “pra você que não sei o que lá”. E geralmente vem seguido de coisas como essas que citei, da máxima relevância.
Essa turma não escreve esse tipo de coisa de vez em quando. Passa o dia inteirinho mandando ver nas frases curtas com o panorama de seus cotidianos emocionantes. Depois de contarem como acordaram e como foi o trajeto até o escritório, vem o “Cheguei”. Assim, bem objetivo. Já disse lá em cima e reforço que sou um zero à esquerda das redes sociais. Raramente posto algo, às vezes cito frases que tenham a ver com alguma coisa que esteja pensando. Um monte de gente deve achar chato, mas a verdade é que eu quase não posto nada. Agora, esse pessoal que escreve qual-quer, eu disse qualquer coisa mesmo...
E a galera que vai clicando a cidade com o celular do banco do táxi e postando em tempo real pra dizer onde está? Tem também muita gente que adora dizer o que está comendo: “Sanduíche de rúcula com atum pra ficar magrinha”. Agora, mistério dos mistérios é quando pinta na tela um “18:18”. Horas e minutos coincidindo é tema recorrente dos à toa.
O melhor é ver que vira e mexe tem comentários em posts absolutamente nonsense. O cara posta um “boa tarde”, aí um monte de gente vai lá e comenta. E o “Vou dormir”?
Gente, dá licença que eu agora vou lá postar: “Acabou o espaço da coluna”.
“Até mês que vem pra você que acabou de ler a Corneta”
***
Os proibidões foram um sucesso! Obrigada pelos e-mails, recados, Orkuts, tudo. Adorei.

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Os proibidões pra elas

Sapato22 Então, minha amiga, ouviu minha sugestão e se desfez daquela alcinha de silicone horrorosa que insistia em usar pensando ser uma alternativa incrível para não abrir mão do porta-seios quando usasse suas tão adoradas blusinhas decotadas? Não? Ainda não é o fim. Mas você está a caminho dele. A alcinha de silicone é um ícone dos proibidões da moda feminina. Mas, claro, não está sozinha. Há aqui  uma limitação desse pobre vocabulário: falei em proibidões da moda, mas incoerentemente não vou falar sobre modismos. Ombreiras, por exemplo, são condenadas hoje, mas já estiveram na crista da onda nos anos 1980. Proibidões transcendem o tempo. São sempre proibidões, em qualquer época e em qualquer corpo.

Roupas de festa feitas de crepe, com aplicações de vidrilho, canutilho e cia – Após receber um convite para ir a um casamento, faz parte do ritual da festa pensar em que roupa usar. Difícil é entender por que tantas jovens, jovens senhoras e senhoras decidem por modelos da mais absoluta cafonice confeccionados em crepe com uns bordados tão brilhosos quanto bregas de continhas reluzentes, geralmente tom sobre tom. Tudo piora se o look for complementado pela echarpe jogadinha sobre o pescoço com  as duas pontas caídas para trás.
Unhas desenhadas – Pode ser florzinha, estrelinha, joaninha, qualquer “inha”. Pode ser numa unha só, ou em todas elas. O estilo pode ser geométrico também. O que quer que seja, configura, invariavelmente, um proibidão. Há muitos espaços onde se podem fazer desenhos: da folha da sua agenda à parede da sua casa, passando por uma inusitada, veja só, tela de pintura..
Lingerie bege – Não vem com aquela história de “Ah, é ótima para o dia a dia”. Por que outras cores não podem ser ótimas para o cotidiano tam-bém? Não vou ficar de rodeios, não: o problema da lingerie bege é que ela é brochante, entenderam? Pronto, falei.
Chinelo plataforma – A ideia de ir à praia no segundo andar pode ser sedutora para algumas de vocês. Se esse for o seu caso, controle-se e  pense numa luz violeta: logo esse impulso será naturalmente contido. Ok, auto ajuda não é meu forte e eu não sei para que serve imaginar uma luz violeta. Mas se não serviu essa sugestão, calce o tal chinelo, vá para a frente do maior espelho que encontrar e faça uma avaliação REALISTA da imagem que surgir do outro lado. Isso há de funcionar.
Pernas peludas com pelos desco-loridos – Quem usava muito esse visual, não sei se ainda usa, é Viviane Araújo. Aquele montão de pelos bem louros cobrindo a perna e a pele dourada pelo sol. Depilação já! Não vou me aprofundar no assunto. Recuso-me.
Piercing no umbigo – Não importa se a dona do apetrecho é também a dona do mais belo corpo. É absoluta-mente cafona, jeca, brega. Quer mais?
Saltinho de cristal – Cristal? Quem inventou chamar acrílico de cristal? Esse gênio agregou, inegavelmente, certo “glamour” a um objeto inteira-mente desprovido de qualquer traço de requinte. Aliás, essas transparências são sempre perigosas. Lembremos da nossa icônica alcinha.
Marquinha de biquini acima do cós da calça – É feio demais, vulgar demais, puxado demais. Uma tragédia. 

Cordão, pingentes, pulseiras, anéis, brincos e badulaques em geral. Tudo junto e tudo dourado – Esquece: você não vai ser destaque do Carnaval 2011.

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Os proibidões da moda

Depois de ver Marcelo Novaes na porta do Citibank ostentando um cintilante chaveiro pendurado na cintura resolvi que o tema dessa coluna seria os proibidões da moda masculina. Não vi quantas chaves tinham naquela penca que ele carregava, mas isso não faz a menor diferença. Celular e chaves pendurados na calça são o fim. Não dá. Mas não é só isso. Tem muita coisa que não dá e que os amigões usam na maior. Sem mais delongas vamos aos dez poibidões:

Chaveiro ou celular pendurados na cintura – O rapaz prende as chaves no passador da calça ou bermuda e desfila por aí feito um gato que usa guizo na coleira, fazendo o maior estardalhaço e anunciando sua chegada em todo lugar. Muito triste. Não dá. E o que dizer, senhores, dos celulares que passeiam sob o calor humano das barrigas? Os aparelhos de hoje são tão pequenos e leves. Por que não levá-los no bolso? Difícil dizer o que é pior: isso ou pochete. Também não dá.

Cabelos com gel – É puxado! Gel no cabelo realmente é puxado. Não é preconceito, meu pai usava (só Bozzano azul). Pai é pai, tudo bem, mas aquele monte de fios endurecidos e o aspecto de “cabelo molhado” são indecentemente bregas. Uma variação do mesmo tema é o tal do creme para pentear. Gente, se o sujeito tem o cabelo cachea-dinho e besunta os fios com aquilo, ficam aquelas molinhas ensebadas em volta do rosto e balançando cada vez que o cara mexe com a cabeça, untando a cara, a camiseta e tudo mais que encostar ali. Não dá.

Camiseta regata – Se o cidadão não estiver numa quadra esportiva ou na beira da praia, sinceramente, fica difícil. Mesmo com toda boa vontade, mesmo com bom humor, não tem como: é jeca demais. “Ah, mas e no verão, e no calorão?”. Não pode do mesmo jeito, continua jeca. T-shirts de tecidos fininhos e inteligentes estão aí pra isso mesmo. A mesma coisa vale para camisetas de mangas cortadas. Impossível avaliar o que é pior. Não dá. De jeito nenhum. Não dá.

Cabelos pintados de acaju – Clássico da breguice que sobrevive ao tempo. Quando vejo um homem que pinta os cabelos de acaju, me vem na cabeça a figura do Raul Gil. Eu me amarro no Raul Gil e seu imponente microfone dourado, mas convenhamos: não dá.

Bigode – Não tem muito o que dizer. Por que tem gente que usa bigode? Qual a função do bigode? Meu pai usava. Mas usava com barba. Dessa vez vou perdoar meu pai, tadinho. Mas e o bigode puro? Não dá.
Cordão e pulseira de ouro juntos – Tá, se o cara quiser piorar o que já está ruim, pode completar a tragédia com um anel de ouro e um relogião do Faustão. Ô loco, meu: não dá.

Unhas polidas ou com base – Como falar de Raul Gil, citar Faustão e deixar Silvio Santos de fora? Ele é o maior divulgador dessa cafonice que é um homem de unhas polidas ou com base incolor. Reparem na próxima vez que ele mostrar uma Telesena para a câmera. Mais uma vez, papai: polia as unhas e exibia as mãos, cheio de orgulho, com cinco pontos de luz em cada uma. Como aquilo brilhava. Pai, não vem puxar meu pé, não, mas não dá.

E mais: chinelão de borracha com tiras largas; calça com vinco; mullets; copo ou qualquer coisa com escudo de time que não seja a camisa; pele oleosa, com a testa brilhando; aliança muito grossa. Anotem: NÃO DÁ!

E você, minha amiga, que está aí achando muita graça com essa alça de soutien aparecendo? Pra piorar, é de silicone! Mês que vem te conto sobre os proibidões femininos. Mas antes, vai logo jogar essa alcinha no lixo, pelo amor de Deus!

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E o clarão virou estrela

Roberto e ducinha colunaDesde a morte de minha mãe, já disse uma vez aqui, todo Dia das Mães é um sufoco pra mim. Esse é o décimo segundo. Em alguns deles, homenageei, às vezes com presente, às vezes sem, mulheres que, de certa forma, cumpriram ou cumprem, o papel de mães em minha vida. Dessa vez, vou presentear minha tia Dulcinha, irmã de minha mãe. Lembram do Mauro Rasi e seu monte de tias? Eu também tenho, graças a Deus, um monte de tias. Tia Dulcinha, além de todo o carinho que sempre dedicou a todos os sobrinhos e de todas as risadas que arrancou de nós com seu jeito engraçadíssimo de ser, nos presenteou com um cara chamado Roberto Gualda, meu mais amado primo.

Ainda não sei o que vou comprar pra ela. Se pudesse, compraria uma caixa com a solução de todos os problemas da vida e, de quebra, esses sonhos de consumo que as pessoas têm, como coberturas à beira-mar, carros incríveis, viagens inesquecíveis. Ela é uma pessoa espetacular, merece. Mas mesmo que não fosse, mereceria pelo simples fato de ter posto no mundo esse cidadão cuja vida iluminou cada lugar onde esteve e cada pessoa com quem conviveu.
Quando as mulheres escolhem ter um filho junto com seus pares, provavelmente não imaginam que aquela decisão vai interferir na vida de tanta gente. Talvez pensem somente em ter um bebê, presumam que ele vai crescer, que vai estudar, possivelmente venha a lhe dar netos e coisas do gênero. Mas será que passou pela cabeça da minha tia, por exemplo, que o filho dela, quando deixasse de ser aquela coisinha que todo mundo chamava de “banha rosa”, viraria um cara sensacional, incrivel-mente amigo, companheiro, solidário, engraçado, inteligente, compreensivo, crítico, sacana e dono de tantas outras qualidades que o faziam absolutamente único e imprescindível?
Aposto que não. Acho que ela só queria ter o filhote dela e ponto. Era um projeto, digamos, “individual”. Mas aquela luzinha virou um clarão e tomou conta da vida de um monte de gente. Não tinha como ser diferente. Foram 24 anos de uma energia absolutamente contagiante, de um brilho intenso demais para esse lugar. E o clarão virou estrela. Tia, mãezona guerreira e, agora, futura vovó, muito obrigada por esse grande presente chamado Roberto Gualda.

 

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