Maio de 2012
Um bairro que nunca dorme
“O senhor vai querer mais alguma coisa da cozinha?”. Quem frequenta a Tijuquinha, a Las Vegas nordestina, nunca escuta essa pergunta tão comum nos restaurantes da Barra
Por Cida Souza e Luiz Neto
São 3h30 de uma madrugada de terça-feira, na Barra da Tijuca. Todos os bares e restaurantes já fecharam as portas e as ruas estão desertas. Num lugar próximo, entretanto, a ferveção é algo comum e ninguém vai escutar aquela clássica pergunta do garçom: “O senhor vai querer mais alguma coisa da cozinha?”, seguida da velha justificativa: “É que estamos encerrando...”. Senhoras e senhores passageiros da van, do ônibus ou de qualquer outro meio de transporte que lhes conduzam até essa comunidade localizada no Itanhangá, bem-vindos à Tijuquinha, o lugar que nunca dorme. Por aqui os bares, quando não ficam abertos 24 horas, só empilham as cadeiras com o dia amanhecendo. As meninas caminham tranquilas pela rua (a violência é quase zero no lugar) e a turma toda parece que só vai dormir quando o mundo acorda. “Nós só fechamos no Natal”, dispara o cearense Júnior Trapiá, um cabra arretado, de 20 anos, sócio do bar alcunhado com o seu sobrenome.
Júnior Trapiá com duas garçonetes da casa
É com o dia clareando que o barman do restaurante São Nunca, Arnaldo dos Santos, chega à Tijuquinha voltando do trabalho. Ele vai direto ao Bar do Chagas para tomar umas cervejinhas. “É para continuar no ritmo da balada. No trabalho não podemos beber, então, curtimos um pouco de manhã”, conta ele.
Chagas no seu restaurante com o baiano Arnaldo dos Santos (à direita)
Quando Arnaldo – que mora no local desde que trocou a Bahia pelo Rio de Janeiro, há 12 anos – está de folga ele conta que a farra começa de noite e vara a madrugada. "Aí derrubamos duas garrafas de vodka e várias cervejas. Batemos papo e paqueramos até de manhã. Aqui também é regado de mulherada”, empolga-se o baiano. O cearense Chagas de Lima, proprietário da casa, agradece à visita enquanto prepara mais um prato de baião-de-dois na cozinha.
Difícil dizer se o que mais atrai mais na Tijuquinha é a boemia ou as comidas maravilhosas a preços para lá de honestos. No bar do Chagas, uma costelinha ao forno sai a R$ 10. A picanha com fritas, para duas pessoas, custa R$ 32, enquanto um acará com baião-de-dois, arroz, farofa e batata, também para duas pessoas, sai a R$ 25.
Helinho no seu bar, antes da reforma: 400 caixas de cerveja vendidas por mês
No restaurante Pizza Legal, um dos points mais badalados do lugar, uma pizza gigante de mussarela custa R$ 17,90. Se é uma pizza meia-boca? Vamos deixar o atleta Carlos Sposito responder a essa pergunta. Depois de tanto escutar o amigo e editor da Folha, Luiz Neto, falar da pizza sabor Elegante (de alho, catupiry e manjericão, a R$ 23,90) ele resolveu provar. Agora pede dia sim, outro também a guloseima para as suas filhas e mulher, no Barra Golden. “E olha que somos PhD em pizza. Mas essa é realmente fantástica”, sentencia Sposito.
Proprietária da pizzaria, a empresária Erika Chaves ri de orelha a orelha. Começou num restaurante onde cabiam apenas quatro mesas, também na Tijuquinha. O Cantinho Legal foi crescendo e deu lugar ao Pizza Legal. “Já tenho uma filial e quero abrir outra em Rio das Pedras”, planeja ela, que do outro lado da rua inaugurou há pouco tempo o bar Limão Galego. Um local descolado, com pinta de restaurante chique da Zona Sul.
Pergunte agora para ao cearense Hélio Tabosa se valeu a pena sair de um quiosque na praia, onde ganhava cerca de R$ 700, para abrir na Tijuquinha o bar Recanto dos Amigos. Helinho, como é conhecido, põe no bolso hoje uma grana preta vendendo birita. Seus clientes consomem cerca de 400 caixas de cerveja por mês. Ele comprou um carango bacana, mas só usa para fazer compras no mercado. Recentemente, gastou R$ 30 mil para colocar o point novinho em folha. Mora ali mesmo com a mulher e um filho, desde que saiu do Ceará, aos 16 anos. “Fiz muitos amigos aqui. Só fecho o bar de manhã”, diz Helinho, depois de servir a 18ª cerveja para um grupo de três funcionários da churrascaria Porcão. “Comer com qualidade é lá, mas é aqui que nos divertimos”, diz um deles.
“O melhor lugar do mundo é aqui”, confirma o proprietário do Mr. Sushi, Ricardo Rangel, que já rodou por todos os restaurantes da cidade, teve bar em Búzios, Angra, mas se estabeleceu mesmo na Tijuquinha. “É o melhor lugar também em que já morei”, completa.
Para descolar um apartamento na comunidade a concorrência é grande. Jerly Lima (o Jerry), que vive por ali desde 2000, garante que tem gente esperando há mais de seis meses um apê para alugar. “Nem para vender tem”, afirma ele, que construiu a sua casa com o amigo Taumaturgo (o Tauma) quando chegaram ao Rio. Tijolo a tijolo, eles montaram um albergue com oito apartamentos. Ali, vivem todos os irmãos de Tauma, mulheres, filhos e amigos dos dois.
Sérgio Murilo no Boteco do Itanhangá
Ex-maître do badalado restaurante Satyricon, em Ipanema, o paraibano Paulo Santos fez a mesma coisa. Construiu sua casa no lugar e embaixo montou um restaurante, que passou para o amigo Sérgio Murilo (foto à direita). “Todo nordestino sonha abrir um restaurante e eu me apaixonei por isso aqui”, diz Murilo, que trocou o antigo nome Capeleti para Boteco do Itanhangá. O restaurante de Murilo fica na Amendoeira, uma rua aconchegante e também cheia de bares, transversal a Estrada do Itanhangá, onde acontece a ferveção na madrugada. A estrada foi urbanizada pela Prefeitura recentemente. Alguns bares, como o Bramura, foram prejudicados e ficaram sem uma parte da calçada onde rolava a música ao vivo. Mas como quem dá as cartas nessa Las Vegas nordestina são os cearenses, o proprietário do local comprou o segundo andar inteiro do prédio. Dizem que já gastou mais de meio milhão na expansão da casa.
Bem, já são quase 6h e a equipe da Folha vai tomar a saideira. Poderíamos ir ao Trapiá, no Kiloco, mas estamos na dúvida entre o Servimar e o Fábio’s Bar. Optamos pelo Recanto dos Amigos já que o Helinho está fazendo um churrascão no meio da rua. Indagamos se está rolando alguma festa e ele diz que não. “De quem é o churrasco então?”, perguntamos. “É meu”, responde. “É o seu aniversário?”, insistimos. “Não, estou fazendo para os amigos. Toma um pratinho”, oferece. Nessa Las Vegas o jogo deu mesmo lugar ao baião-de-dois. “Quer baião para acompanhar?”, pergunta o cearense.
Abril de 2012
Coração que não se engana é movido a rock
Conheça as mamães roqueiras que passam o som através de gerações e vivem na onda do ritmo que invadiu a Barra
por Luiz Neto e Aline Albuquerque
O Brasil pode não ser o país do rock, mas aqui na Barra o dedo indicador e o mindinho ostentam-se garbosos para o alto. O velho sinal do rock and roll tem movimento garantido nas mãos de crianças, jovens e idosos do bairro. E não é para menos: os acordes mal silenciaram na cidade
do rock e a Barra já se prepara para o próximo Rock in Rio. Tem até cartão que garante ingresso na pré-venda de entradas para o festival, que acontece em setembro de 2013. Outro evento importante do cenário musical, as seletivas do festival Mada trocaram a fervilhante Lapa por um pub no condomínio Le Monde, aqui no bairro. Recentemente, as lendas vivas do rock Joe Cocker e Bob Dylan deixaram as suas pegadas por aqui e se apresentaram no HSBC Arena e Citibank Hall, respectivamente. O Citibank recebe ainda a banda Duran Duran, no dia 30 de abril e o conjunto Roxette, no dia 11 de maio. Um tsunami de guitarras, baixos e bateras inundou a região e se você já sabe quem é ele, esse tal de rock and roll, a Folha do Bosque mostra quem são as mamães roqueiras que vivem pelo bairro. Afinal, se o rock errou algum dia, coração de mãe não se engana, perdoa e ainda dá uma moral para a sonzeira...
Aos 89 anos, seu Jair Garcia só escuta Slipknot, System of a Down e Motörhead, três ícones do rock pesado. O nome do neto, Ian Greco, é uma homenagem ao vocalista da banda de heavy metal, Deep Purple, Ian Gillan. A ideia foi da mãe do menino, Michelle “Destroyer” Andrade. Vocalista da banda de metal New York Vampire, a filha do seu Jair ganhou o apelido por causa da fama de brigona.
“Uma vez fui xingada enquanto cantava e, quando saí do palco, o cara ainda tentou me agarrar. Lá fora arranquei as duas portas do carro dele e quebrei os vidros da frente”, lembra Michelle, que deixou para trás a pecha de destruidora e, hoje, além dos shows, vive da venda de roupas customizadas para roqueiros.
As lembranças da época pesada (pelo menos as que não foram apagadas pelo alto teor alcoólico), porém, valem o ingresso para um bom show de rock.
“Diluíamos Tang direto na vodca, sem água”
A paixão pelo estilo de música começou aos 14 anos, quando Michelle (na foto com o filho) ganhou do pai a coleção de LPs dos progressivos Pink Floyd, Yes e Led Zeppelin. Seu Jair se empolgou e presenteou a filha ainda com um violão e uma guitarra.
Em 1996, com 20 anos, ela chegou a pedir demissão do trabalho para ficar na fila e comprar os ingressos para o show do Mercyful Face, uma espécie de banda de heavy metal satânico. “A apresentação seria no Imperator e a fila para comprar ingresso era imensa. Meu chefe não quis me liberar e claro que optei pelo show. Não me arrependi e ainda conheci o vocalista King Diamond, o melhor de todos”, recorda Michelle, que esteve em diversos Holywood Rock, Rock in Rio, Skol Rock, mas quase não recorda os shows a que assistiu. “Não usava drogas, mas era muita bebedeira. Diluíamos Tang direto na garrafa de vodca, sem água. Só me recordo de flashes. Graças a Deus, meus filhos não bebem (além de Ian, ela é mãe de Felipe, de 18 anos). Expliquei para eles que, se fizessem isso, depois não se lembrariam dos bons momentos, como a mãe”, conta.
Aos 19 anos, Ian hoje é o baixista da banda de Michelle e toca ainda num grupo de heavy metal evangélico.
Fissurada também em caveiras – a árvore de Natal da família este ano tinha esqueletos no lugar das bolas – a roqueira ainda dá os seus rolés de skate com os filhos para delírio do seu Jair, que passa o tempo vendo a molecada fazendo manobras na rua. Com o seu iPod no ouvido e muita porrada na orelha do início ao fim...
Ninada ao som de Beatles e Pink Floyd
Lucinha Rock and Roll deu a maior força para a filha virar cantora e espera a chegada do neto roqueiro
“Tranca que o seu momento é esse”. Essa foi a frase que a jovem Tayana Dantas escutou da mãe quando decidiu deixar a faculdade de direito para trás, aos 22 anos. Apesar do apelo das irmãs advogadas, não teve jeito. O aval estava dado por ninguém menos que Lucinha Rock and Roll (na foto com a filha Tay, grávida de Lucas. Rock em 3D.) “Ela foi ninada ao som de Beatles, Genesis, Rita Lee, Pink Floyd, Guns e Iron Maiden. Era isso que tocávamos nas nossas festinhas quando levávamos o violão para Maricá e a Tay ainda estava na barriga”, recorda Lucinha, que ganhou o apelido de tanto acompanhar a filha nos shows, sempre filmando e fotografando. “Quando ela vê uma luz vermelha na plateia, já sabe que sou eu”, comenta.
“Aos 7 anos, ela me ensinou a tocar de ouvido. Esteve sempre apoiando, nunca me quebrou.”, conta Tay, que é vocalista da banda Ruanitas e atualmente realiza trabalhos também com o marido e pianista Glaucio Cristelo.
“Realmente fui ninada ao som dos Beatles. “Oh my love” e “Oh darling” não saíam do toca discos. Fiz até uma versão para essa última, que toco até hoje nos meus shows”, diz ela que se apresenta no Sheraton Barra, na sexta, dia 27 de abril e no dia seguinte, toca no Bistrô Brasil, no Downtown.
Da união com Cristelo vem aí mais um provável integrante da trupe do rock and roll. Tay está grávida do seu Lucas Dantas Cristelo. O menino já deve estar pensando num jeito de garantir os ingressos para o Rock in Rio 2022.
Disco tem até o choro do filho
Com 20 dias de nascido, o pequeno Tche já ia para o estúdio de gravação com a mamãe Vivian Roll
O choro do pequeno Tche, na época com apenas 20 dias, está gravado do CD da mãe Vivian Bastos Vianna, a Vivian Roll. Na época, o bebê estava no estúdio enquanto ela gravava o seu primeiro CD. “Ele começou a chorar e colocamos o barulho numa música de brincadeira. Acabou ficando bacana e resolvemos deixar.”, lembra a cantora.
Hoje, com 12 anos, o guri já foi encontrado dormindo até dentro da bateria. “Fizemos uma pausa na gravação dia desses, pois notamos que ele havia sumido. Ele estava dormindo dentro daquela parte maior do instrumento”, recorda.
Após os shows, Tche ajuda até na venda dos CDs de Vivian, que se apresenta aos sábados no Niño de Artes, na Lapa e também é mãe das gêmeas Liz e Nina, de 4 anos. “Mas elas eu tento convencê-las a se tornarem desembargadoras. Repetia isso quase como um mantra quando elas estavam na minha barriga”, brinca a cantora. “Vida de músico é muito complicada”.
Durante um bom tempo, Vivian chegou a fazer tributos a Janis Joplin e não se esquece do primeiro Rock in Rio, quando se interessou por um bai-xinho cheio de disposição que engolia o palco com muita energia. Era Mr. Bruce Dickinson e o seu Iron Maiden em ação. “O rock sempre esteve no meu sangue. Fiz aula de canto com o meu tio, que era cantor de ópera, solista do Municipal, e outro tio meu, o ator que fazia o Capitão Aza, também me incentivava bastante”.
Para elas comprarem o leite das crianças:
. T-shirts Destroyer, com caveiras customizadas entre R$ 40 e R$ 50. Tel.: 8354-3521.
. Show da filha de Lucinha Rock and Roll e futura mamãe do Lucas Dantas:
Ruanitas: Sheraton-Barra, sexta, dia 27 de abril. Couvert: R$ 25.
Bistrô Brasil, sexta, dia 28. Couvert: R$ 15.
. Para curtir o som da mãe do Tchê, Vivian Roll: todos os sábados, no Niño das artes, na Lapa.
Entrada R$ 10.
Março de 2012
O mundo encantado de Bah
Mesmo fora do BBB com 88% de rejeição, a gaúcha Laisa ganha status de super celebridade e muda até a vida dos moradores da cidade onde passou a infância
Laisa Portela no ensaio para o site Paparazzo: “Se eu não mostrei nada na cena do edrenom foi porque não era pra ver, né?” Foto: Marcos Serra Lima/Paparazzo
No pacato município de Espumoso, no interior do Rio Grande do Sul, a vida não é mais a mesma. A bancária Maria Antônia, moradora da região, não consegue nem ir ao mercado fazer compras com tranquilidade. A ansiedade já lhe subtraiu 20 kg de peso. Até a sua filha única Laisa Portela deixar o Big Brother com 88% de rejeição, os moradores só dormiam quando a menina encontrava Morfeu na casa mais vigiada do Brasil. “Bah, acho que a Net nunca vendeu tanta assinatura de Pay per view”, brinca Maria Antônia. “As pessoas aqui são muito fanáticas, você não tem noção. Eles só dormiam mesmo quando a minha filha pegava no sono na casa. Nossa vida mudou completamente. Sempre que saio na rua tenho que responder um batalhão de perguntas”, diz ela, que ainda não perguntou para o marido, o delegado de polícia Ramildo Portela, se ele já viu as cenas da filha embaixo do cobertor, num provável ato sexual com um participante do BBB. “Ele não assistiu a nenhum programa, mas ainda não tocamos nesse assunto”, desconversa.
De Espumoso, voltamos para a Barra da Tijuca. Após desligar o telefone e nos despedirmos da simpática Maria Antônia, encontramos Laisa hospedada numa confortável suíte do hotel Windsor. Ela falou com a equipe da Folha antes de embarcar para Madrid, para participar do "Gran Hermano", uma versão espanhola do reality show. Mas a final de contas, o que teria rolado embaixo do edredom? “Coloquei uma pedra em cima desse assunto. Não falo mais sobre isso”, diz a gata, de 23 anos. "Se eu não mostrei é porque não era pra ver, né?", já havia dito ela para outros veículos. “Não me arrependo de nada lá dentro. Fiz sexo porque estava com vontade. Essa repercussão toda é por conta da patrulha machista. Todos ficam julgando. Mas estávamos namorando dentro da casa”, teria revelado para um site.
Mas espera aí, alô, dona Sônia não desliga agora não. E a senhora, o que achou das cenas picantes? “Se eu pudesse ter aconselhado antes, diria para ela não deixar isso acontecer. Eu avisei pra Laisa não ficar com ninguém antes de ela entrar na casa, que seria bem melhor”, recorda Maria Antônia.
Analista de assuntos sobre BBB (AAB, como prefere ser chamada), nossa diretora de marketing, Marta Corrêa, conta que no twitter o protagonista do romance ganhou o apelido de Yuri Miojo. “Foi um dos temas mais falados da rede social. Os internautas diziam que ele era rapidinho, tipo miojo”, lembra Marta, que fez uma montagem de Yuri com um pacote de miojo na mão e ganhou mais de 500 seguidores em 5 minutos.
Para a marqueteira da Folha, quem manda no BBB hoje em dia são os internautas. “No dia seguinte ao suposto caso de estupro, por exemplo, a Globo mostrou algumas cenas como se os protagonistas do episódio fossem um casal de apaixonados. Ao final, o Bial disse: "O amor é lindo", numa tentativa de convencer o grande publico e abafar o caso. Mas o povo da internet se mobilizou de tal forma que eles voltaram atrás. Se tivesse acontecido isso há alguns anos, quando não havia essa comunicação virtual intensa, com sites transmitindo ao vivo, de graça, provavelmente eles teriam abafado mesmo”, comenta Marta.
Mas voltemos ao mundo encantado de Bah (apelido que a gaúcha ganhou no programa). Mesmo com 88% de rejeição, Laisa não sai da mídia. A exposição levou o povo do twitter (olha eles aí outra vez) a suspeitar de um suposto parentesco da Sister com a esposa do todo-poderoso Boninho. “Nossa, inventam cada uma. Isso não tem nenhum fundamento. Tá cheio de invejosos por aí”, diz a ex-BBB.
No mundo encantado de Bah, existem espelhos por toda parte. No seu apartamento no sul (que ela pretende dividir entre idas e vindas para a Barra da Tijuca, onde nem teve tempo ainda de dar um mergulho no mar), Laisa acorda e conta que vai dançar na frente deles como fez o tempo todo no programa.
Uma das dez finalistas do concurso “Preferência nacional”, realizado pela revista Playboy, em novembro de 2011, para escolher o bumbum mais bonito do Brasil, Laisa tem (sem trocadilhos, por favor) uma língua afiada. Estudante de medicina, ela disse que chega junto dos rapazes se for preciso e, para o site Paparazzo, contou que adora uns tapinhas no bumbum. "Me excita muito. Adoro. Afinal de contas, um tapinha não dói, já diz a música".
Alô, Dona Maria Antônia, a senhora ainda está na linha?! O que a senhora acha dessa declaração? Bi, bi, bi, bi...
Fevereiro de 2012
Feijoada muito mais gostosa
O segredo do tempero encontra-se na Internet. Foi de lá que o avião Karla Moreno foi içado para o posto de musa da feijoada do Windsor
Prepare o paio, a linguiça, a carne-seca e a costelinha. Capriche na couve a mineira, farofa e torresmo. Contrate uma escola de samba e dê um trato na caipirinha. A feijoada está quase pronta, mas falta um tempero diferente. Ligue então o computador e entre no Facebook. Escolha ali a mais maravilhosa da rede e... Bingo! O feijão pode ficar muito mais gostoso. Foi assim que o fotógrafo da feijoada do Windsor, Berg Silva, turbinou o evento que acontece no dia 18 de fevereiro, a partir de 14 horas, no hotel. Ele anunciou no seu Face que procurava uma musa para o evento e selecionou cinco feras da comunicação para escolher o monumento. O tempero eleito pelo júri mede 1,70 m de altura, tem um par de olhos verdes, 61 cm de cintura, 100 cm de quadril e atende pelo nome de Karla Moreno. “Foi uma surpresa pra mim, mas é pelo Face que fecho a maioria dos meus trabalhos”, diz Karla.
PhD no assunto – ele era o primeiro fotógrafo das mulatas do Alcelmo Gois – Berg foi enviado pela cúpula do hotel até a quadra da Unidos da Tijuca (escola de samba que participa do evento) com a missão de escolher uma musa para a feijoada. Retornou sem a beldade, mas com a vontade de mecher com o imaginário dos seus quase cinco mil amigos do Facebook. Nascia assim a ideia da escolha através da rede social. “Utilizo o Facebook como plataforma de trabalho e estou conectado quase 24 horas por dia com o um lap top. Não tinha como dar errado”, diz o fotógrafo com cancha de dez anos de Globo, outros tantos de jornal O Dia, revistas Veja, Época, entre outros veículos de ponta.
Cancha é o que também não falta pa
ra Karla Moreno. Formada em balé clássico e jazz, aos 28 anos a nova musa do pedaço já viajou pelo mundo como integrante do corpo de baile da Imperatriz Leopoldinense. Esteve no México, Angola, Portugal, Rússia, Suécia, Turquia e, recentemente, no Qatar.
Ela já fez até chinês abrir o olho
A musa já fez até chinês abrir o olho. “Na China eles ficam maravilhados conosco e com o nosso trabalho. Um chinês ficou esfregando o braço dele no meu. A intérprete dizia que ele estava querendo ver se a nossa cor era de verdade. ‘Isso é tinta, tem que sair’, repetia sem parar”, conta Karla, lembrando também que sofreu com o racismo na Rússia. “As pessoas saíam da lanchonete quando entrávamos. Mas, depois que o grupo ficou famoso nos shows em Moscou, eles nos respeitaram”, lembra. Na Finlândia, sofreu com a temperatura de 18 graus negativos e no Qatar fez shows toda vestida, sem deixar um pedacinho da escultura do lado de fora. “Até para tirar as fotos não podia ficar muito colado. Mas ao final do show, para a nossa surpresa e dos organizadores do evento, estava todo mundo sambando”, recorda a dançarina, que viaja ao lado do seu amor, o capoeirista Anderson Rodrigues.
Karla, que vive em Caxias com a mãe, não vai desfilar no carnaval. Prefere ganhar uma grana fazendo shows no camarote do francês Alexis de Vaulx ( empresário – capa da Folha do Bosque em 2010 – que ficou famoso ao arrecadar R$ 8 milhões para um desfile da Grande Rio). “Os gringos valorizam muito mais a dança e nosso trabalho”, finaliza ela.
Karla com a mãe, na pré-feijoada do hotel
Na foto abaixo, a rainha de bateria da Mangueira, Renata Santos, uma das musas do evento em 2011
Windsor
Sábado, dia 18 de fevereiro.
De 14h as 19h.
Valor: R$ 210 por pessoa.
Com show da Unidos da Tijuca. Reservas: 2195-5000.
Sheraton
Sábado, dia 18 de fevereiro.
Valor: R$ 250 por pessoa.
De 13h as 19h.
Com show da Vila Isabel.
Reservas: 3139-8066.
Nuth
Sábado, dia 18 de fevereiro.
Valor: Homem, R$ 150.
Mulher, R$ 100.
A partir de 15h.
Com show da Imperatriz.
Reservas: 3575-6850.
Janeiro de 2012
Olho clínico na noite
Herdeiro do bar mais famoso do Rio, o Bracarense, Cláudio Brandão quer transformar o agito noturno da Barra
O vizinho já não se assusta: dia sim, outro também esbarra em Claudio Brandão, ainda faceiro, o primeiro bate a porta rumo à labuta, o segundo volta dela. Desde sempre é assim: Brandão, designer experiente que pratica sua arte em restaurantes e bares da moda no Rio, é o cara da noite em todas as suas improváveis sombras. “Minha cabeça funciona melhor de madrugada, é quando crio, penso, existo. Sou inquieto, não consigo ficar em casa cedo, preciso da rua, do bar, do comportamento, do contato com as pessoas”, revela o herdeiro do clã Bracarense, o bar mais famoso do Rio, reconhecido até pelo “New York Times”. Pois o dia e a noite têm encontro forjado agora na Barra. Brandão carrega para o complexo empresarial Le Monde, ao lado do já cerrado Wallmart da Avenida das Américas, design, música, night e gastronomia taquicardíaca. É lá que se encrava o Costello, que em março passa a se chamar Cortez.
Claudio Brandão morou 20 anos em Portugal. Frequentou todos os bares, restaurantes e boates que você não pode imaginar. Enquanto ouvíamos Legião Urbana e Paralamas do Sucesso trotarem os anos 80, ele chafurdava no Cascais e em Lisboa no improvável rock português – e, obviamente, no europeu. Foi assim que se formou para virar o DJ conceitual que é. No almoço, quando a maioria prefere ouvir música ambiente chegada ao lounge, à bossa nova e à MPB, está lá o design sapecando o Costello de inacreditáveis Sex Pistols, Joy Division e The Smiths no iPod escondido no caixa.
“É um diferencial”, acredita. “As pessoas no início levam um susto, depois começam a curtir, perguntar e pedir mais. Um dos meus maiores prazeres é vir à noite e tocar meu som”.
Foi assim que Brandão conheceu Mario Marques, seu novo sócio no Costello. O jornalista, que tem uma agência digital, a LabPop Content, no mesmo prédio, não entendeu nada quando entrou no restaurante e ouviu “Heart and soul”, uma música depressiva do finado Joy Division, de Manchester. “Pensei na hora: isso é coisa do dono, que deve ser maluco”.
Crítico de música com passagens por “O Globo” e “Jornal do Brasil”, Marques logo estabeleceu um sem-número de afinidades com o futuro sócio, a quem classifica de uma “doce pessoa”. “O Claudio é um cara com o coração enorme e que pensa sempre lá na frente”, define Marques. “Tem uma obsessão pelos detalhes, não dorme, é arredio, está sempre andando para lá e para cá. É difícil sentar-se com ele para um papo de longas horas. Ele está sempre em pé”.
O designer mora no Leblon, perto da boemia mais esfuziante do planeta. Mas seu pedaço de chão é na Barra, onde vê um crescimento acelerado. “A região vai dar um up absurdo e o Costello será tudo o que eu sempre sonhei, será o Hacienda no Rio”, diz Brandão, referindo-se à lendária pequena casa de shows do jornalista Tony Wilson, que lançou naquele palco de Durutti Column a Joy Division.
Questionado se o bairro teria vocação para receber uma casa com um conceito tão segmentado, Marques é enfático: “Tenho certeza absoluta. As Seletivas do Mada, marco no rock carioca, por exemplo, trocaram a fervilhação da Lapa e passam a acontecer todas as terças e uma segunda-feira do mês no Costello. A Zona Sul está infestada de musiquinhas da moda, de bate-estaca, de som para gringo ver. Nossa casa será um oásis para o morador e também para o turista.”, comenta.
Aos 40 anos, Brandão também é tutor da cozinha. Foi com seu pai, Seu Felizberto, que aprendeu as maravilhas de um prato bem torneado. “Aprendi tudo do negócio com ele, vivi isso dentro de casa e tento passar para as pessoas que trabalham comigo. Hoje minha casa de verdade é o Costello. Se tivesse cama, eu dormia lá”.
Nas quintas-feiras, não raro é ver o dono do Costello com um microfone na mão interpretando músicas nacionais dos anos 80 no karaokê ao vivo que está sempre lotado: “Canto mal, mas sou guerreiro. Estou lá me esgoelando para fazer meus amigos rirem”.
Ele passa pelas mesas, conversa, é o RP mais bacana da off-Olegário Maciel. Assegura que as pessoas voltam quando são distinguidas. “Acredito nesse contato diário, no papo, na boa sensação de que todos se conhecem”.
Copo de chope na mão, ou mesmo com drinques produzidos com sua participação, como o U2 ou o Pippo, cujas receitas ele não dá nem se oferecerem um disco inédito do The Cure (“tem que vir experimentar”), Claudio Brandão é o cara. Discreto, vez ou outra de óculos escuros à noite, ele passeia incógnito pelo circuito de bares, mas é reconhecido pelos pares, outros donos de bares, que o ligam diretamente ao Bracarense.
“Quem mora na região vai comer, beber bem e ouvir o som dos deuses”
“Minha família construiu a fama do Bracarense com muito trabalho, foco e dedicação, o saber servir, a amizade. Quero fazer o mesmo com meus negócios”.
Para virar Cortez, a casa está passando por um tratamento acústico e mais investimento em som. Já em janeiro ganha um palco e uma cara de templo de shows. “O Cortez será um passo adiante do Costello, será melhor em tudo. Quem mora na região tem que vir conhecer. Vai comer e beber bem e ouvir o som dos deuses”, acredita o campeão da noite, a bordo de mais um copo de chope estupidamente gelado.
Dezembro de 2011
O fenômeno Siluandra Scheffer
A ex-gordinha que foi miss três vezes ganha a vida hoje dando palestras e faz sucesso com o livro sobre sua vida
Siluandra Scheffer entra na boate, senta-se ao balcão, pede uma taça de champanhe, acende um cigarro e fuma calmamente. Ela não é fumante, nem costuma sair sozinha pela noite. Acontece que ela havia construído essa cena na sua cabeça fazia tempo. Era a imagem da mulher que ela queria ser. E naquela noite ela a encontrou. Estava bonita num vestido preto, andava sobre saltos altos, mas não estava em busca de companhia. Dançou a noite toda e foi paquerada. Ao sair sozinha, nem precisou pagar a conta, oferecida como cortesia por um desconhecido. O jogo estava ganho. Ela agora conhecia o seu potencial e o passado não importava mais. Isso ela deixa registrado no livro “Diário de uma ex-gordinha”, um fenômeno de vendas lançado recentemente pela editora Record.
Siluandra faz questão de se levantar da cadeira da sorveteria onde acontece esse bate-papo, no Downtown, para ir até a livraria buscar um exemplar e nos entregar – no caminho, os homens torcem o pescoço para observar as suas curvas generosas – mas ela retorna de mãos abanando. “Acabou aqui também”, diz, com um pequeno sorriso nos lábios carnudos.
Nascida em Palhoça, ex-entregadora de mercado, ex-babá e doméstica, ex-vendedora de loja, ex-massoterapeuta, ex-gorda, ex-mulher de um homem 30 anos mais velho, Siluandra começou a mudar de vida após ser humilhada pela gerente da loja onde trabalhava. “Ela me disse que eu não conseguia ficar bonita em qualquer roupa e me demitiu. Mesmo sabendo que eu era uma das melhores nas vendas, ela falou que a vendedora tinha que ser a vitrine e que eu não era vitrine de nada”, lembra Siluandra.
Sua vingança? Perdeu 30kg, consertou os dentes, livrou-se das roupas maltrapilhas, fez um upgrade no cabelo e foi miss três vezes no sul do país. Duas em Palhoça e uma em Indaial. “Sempre tive o desejo de ser miss, mas nunca contei pra ninguém. Eu era tão gorda que as pessoas iriam rir. Mesmo após eu emagrecer 10kg, os organizadores dos concursos diziam que ali não era o meu lugar. Que eu deveria emagrecer mais se quisesse participar. Eu voltava no concurso seguinte e eles diziam: você aqui de novo?”, revela. “Foi quando emagreci mais 20kg, ganhei os três concursos e cheguei a tirar o quinto lugar no Miss Santa Catarina”.
Siluandra montou uma clínica de estética e começou a dar cerca de oito entrevistas por dia em programas de rádio e TV. Fez cursos de oratória, de programação neurolinguística, livrou-se dos seus atentados contra a língua portuguesa e passou a cobrar R$ 3 mil para dar palestras sobre autoestima, beleza, saúde e emagrecimento. Fez um blog que chegou a ter 20 mil acessos a cada três horas, depois que apareceu no programa “Superpop”, em 2008. Mudou-se para a Barra da Tijuca, para um apê no Bosque Marapendi e tinha acabado de malhar na academia Body Tech quando encontrou com a equipe da Folha.
“Emagrecer foi apenas a cereja do bolo”, costuma dizer. “A pessoa não precisa ser magra para vencer. Ela precisa ter postura de vencedora. A autoestima tem que estar em alta”.
Num aeroporto, em meados de 2001, um ano após ganhar o seu primeiro concurso de miss, reencontrou a gerente que a demitiu da loja.
“Silu, é você? O que estás fazendo aqui?”.
“Vim fazer umas fotos de divulgação para uma clínica de beleza e você?”.
“Queria te pedir para nunca falar o meu nome ou o da loja”.
“Pode ficar tranquila”.
Siluandra recorda como a gerente ficou sem graça: “Ela estava pálida. Minha vida mudou da água pro vinho, enquanto ela continuava trabalhando como gerente de loja.
Aos 12 anos, ela foi assediada sexualmente pelo tio
De leitura fácil e dinâmica “Diário de uma ex-gordinha” tem passagens polêmicas como o assédio sexual que Siluandra sofreu de um tio, aos 12 anos, e o casamento com um homem 30 anos mais velho. Ousada, ela revela também a sua primeira experiência sexual, ocorrida nos fundos de um cemitério: “Ele disse alguma banalidade como “você está comigo, eu te protejo”. E eu, claro, rapidamente me convenci. Senti uma coisa estranha e rara: vontade de transar. Ele me contaria meses depois que também era virgem até aquela noite. Mas Moisés foi delicado e carinhoso. Estendeu seu moletom surrado no chão e foi ali, ao lado do cemitério, que tive minha primeira experiência sexual...”.
As curvas e roubadas das estradas
Cinegrafista de programa exibido no Multishow, revela os bastidores de suas viajens com algumas bandas de rock
Antes de entrar no palco os integrantes dos Titãs amassam bananas para comer com aveia e fazem um bolão do Brasileirão de futebol; voltando de um show, a cantora Pitty manda a van parar num shopping. O lugar está cheio, Pitty não aguenta e faz suas necessidades no matinho, na beira da estrada; o vocalista da banda Ratos de Porão e apresentador da MTV, João Gordo, devora pratos e mais pratos de salada antes do show. Os bastidores do rock nacional nem sempre é como algumas pessoas imaginam. Ainda que ao entrar no ônibus, os integrantes de uma banda esbarrem com uma fã fazendo um streep tease dentro do veículo.
Quem conta tudo isso é talvez o maior colecionador de histórias de basckstage da atualidade: o diretor, produtor e cinegrafista Daniel Ferro. Ele pilotou todas as edições do “Rock Estrada”, um programa que mostra como é a vida das bandas por trás dos palcos. A terceira edição do projeto já começou e vai ao ar todas as sextas, às 21h30, no Multishow. Após as bandas Matanza, Scracho e Ratos de Porão, que já apareceram, faltam ainda Autoramas, Rodolfo (ex-Raimundos), Rancore, Lucas do Fresno, O Rappa, RPM, entre outras. “Claro que eu não filmei a Pity fazendo xixi no matinho. Mas confesso que sou um paparazzo de luxo”, diz o documentarista (como prefere ser chamado).
Poderia ser alcunhado também de “colecionador de perrengues” que rolam na estrada, no avião, ou até numa favela, onde acompanhou os integrantes do NX Zero num show no Complexo do Alemão, antes da instalação da UPP no local. “De repente aparece um cara dizendo que iria espetar um cabo na mesa de som para gravar o áudio do show”, conta Daniel. “O técnico de som da banda perguntou se ele estava maluco. Que não poderia fazer aquilo de jeito nenhum. Ficou aquele vai não vai, até que o cara da favela saca uma pistola. O tecnico ficou quietinho e o show foi todo gravado. Deve ter virado mais um CD pirata desses aí”, recorda o cinegrafista, morador da Barra.
Certa vez, perdeu o vôo de Brasília para Curitiba com a banda Rancore. Acamparam um dia inteiro no aeroporto tentando resolver o problema, já que não tinham grana para a multa de R$ 350 por pessoa. Chegaram atrasados para o show, se hospedaram no pior hotel de Curitiba (R$ 18 a diária) e partiram para outro show, em São Paulo, numa van com dez pessoas e todo equipamento da banda. Tudo isso no mesmo dia.
Fresno - "Desde Quando Você Se Foi" (official video 2009) from Daniel Ferro on Vimeo.
Com o vocalista do Fresno, Lucas Silveira (no vídeo acima, feito pelo produtor, com sua banda e na foto abaixo, no metro de Nova York), rodou os Estados Unidos de carro, sem GPS, para uma mini turnê solo do cantor. Na maioria dos lugares que iam, não sabia, como chegar, muito menos como sair. “São essas roubadas que unem a galera. Na estrada o tempo passa diferente. Nos mantemos jovens em estado de espírito. Mas, em compensação, o nosso corpo sofre. Esse, sim, está perdido”, brinca ele, que costuma dizer que o Brasil não é o país do rock. “Na maioria das vezes o camarim da galera, quando tem, é um quartinho no fundo da casa de espetáculos”, comenta. Comparando a estrutura das bandas, até das mais famosas, com cantores baianos e sertanejos, por exemplo, a diferença é abissal. “Nesse show do Rancore em Brasília, mega bem divulgado, tinham apenas 80 pessoas, pois havia um show Daniela Mercury e Luan Santana, de graça, num local próximo”, recorda.
Enquanto a Pitty para sua van na estrada e faz xixi no matinho, Luan Santana aterrissa o seu jatinho particular num aeroporto só para ir ao banheiro. “Ele também estava apertado. Mas o banheiro de emergência do jatinho é um pouco constrangedor e o piloto aterrissou num aeroporto próximo”, recorda Daniel. “Mas a correria é tão grande que o coitado também sofre. O cafezinho com pão de queijo que ele comprou, teve que tomar em cima da asa do avião, para não esfriar”, conta o cinegrafista que assina o documentário “Luan Santana acesso livre” (veja abaixo), presente no DVD do cantor.
A equipe de Daniel é, digamos, enxuta. É apenas ele e suas câmeras. “O esquema é guerreiro total. Eu mesmo ligo para os artistas, me apresento e marco um lugar para encontrar. Não tem roteiro. É o que acontece na viagem”, revela.
O resultado profissional do trabalho, entretanto, conquista a confiança dos artistas. Premiado, Daniel hoje é “O cara” procurado para produzir um DVD. Recentemente, recebeu um a ligação do produtor do Dead Fish, maior banda de Hard Core do Brasil atualmente, pedindo para fazer o DVD da banda no Circo Voador. “Você é o cara que estamos procurando”, escutou.
Luan Santana - "Acesso Livre" (DVD 2011) from Daniel Ferro on Vimeo.
Além do programa no Multishow, está co-produzindo o DVD de 15 anos de estrada do Jota Quest, já havia feito o documentário NXZero na estrada, faturou o melhor clipe (“Espero a minha vez”– NXZero), no Prêmio Multishow 2010 (evento onde figurou ainda em quatro indicações), e recebeu o prêmio Monet de Melhor programa musical em 2010 por “Rock estrada”, no canal 42. Um simples vídeo de Daniel numa viagem com a sua namorada vira febre na internet. Melhor você conferir tudo isso em www.danielferro.com.br.
Outubro de 2011
Barra Quentíssima
Bairro ganha a primeira filial de Bikram do Brasil, a yoga quente praticada por Madonna e astros de Hollywood
Imagine-se um ser humano a prova de balas, fogo, água, falta de dinheiro, sogra. O indiano Bikram Choudhury assegura que é capaz de transformá-lo nisso tudo. Desde que você embarque na prática do método inventado por ele. É claro que, para ficar imune a tantos problemas, você vai ter que suar. Yuri Scott, a pupila de Choudhury, é a pessoa encarregada de alçá-lo à condição de super-homem. Ela abriu aqui na Barra da Tijuca a primeira filial brasileira oficial de Bikram (a yoga que mais cresce no mundo). Tudo o que você tem a fazer é entrar com ela e mais 55 pessoas numa sala aquecida por infravermelho e ficar por lá durante 90 minutos. A temperatura atinge 42 graus. Yuri vai passar 26 posições e dois exercícios respiratórios para você. É totalmente normal sentir náuseas ou tonturas durante a primeira aula. Mas, para se transformar numa pessoa a prova de balas, isso é fichinha, concorda?
Popular há mais de 40 anos em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e por toda Europa, conhecido também como Hot Yoga, o método tem a chancela da pop star Madonna e de vários astros internacionais que praticam e divulgam o Bikram faz tempo.
Foi graças à cantora americana que Yuri descobriu o método. Ela leu em 2004 uma matéria em que Madonna falava dos benefícios da Bikram. “Entrei no Google para saber detalhes e em poucos minutos fiquei superinteressada. Descobri que tinha uma escola perto da minha casa. Nessa época eu morava no Havaí. No mesmo dia fiz minha primeira aula. Hoje, brinco falando que, graças a Madonna, o Brasil vai ter a primeira escola oficial de Bikram”, recorda.
Mas por que tanta quentura? Segundo ela, para facilitar o alongamento, evitar lesões e promover a transpiração, que ajuda na desintoxicação do organismo. “O infravermelho pode curar lesões nas articulações e nos músculos, pois melhora a circulação sanguínea. Seus benefícios se estendem a todo sistema circulatório e linfático”, explica a instrutora. “Sem o calor, só poderíamos realizar essas posturas depois de um tempão de exercícios de aquecimento. A aula levaria muito mais do que 90 minutos. O Bikram pensou em tudo quando desenvolveu essa sequência”, comenta.
Bikram Choudhury começou a praticar yoga com 4 anos de idade. Nascido em Calcutá, na Índia, foi iniciado por um dos mais renomados mestres indianos da época, Bishnu Ghosh, irmão mais novo de Paramahansa Yogananda (autor do livro mais popular de yoga, “A autobiografia de um iogue”). Aos 13 anos, ele praticava pelo menos seis horas de yoga por dia e venceu o prêmio Nacional de Yoga da Índia por três anos consecutivos. Aos 17, depois de lesionar seriamente o joelho levantando peso, foi avisado pelos médicos de que seria um milagre voltar a andar. Inconformado, procurou por Ghosh, seu primeiro mestre, e em seis meses seu joelho estava totalmente recuperado. Foi essa teoria de reabilitação que Choudhury começou a aplicar na prática do Hot Yoga. A partir daí, desenvolveu as posturas básicas que são seguidas até hoje. Em 1973, ele levou o método para os Estados Unidos, abrindo o Bikram Yoga College of Índia, em Beverly Hills. Hoje, são mais de mil estúdios espalhados pelo mundo.
“O Choudhury é a pessoa mais engraçada, franca, direta e polêmica que já conheci. Ensinou-me muito. Ele está muito feliz com a primeira escola aqui no Brasil. Em breve, estará nos visitando”, diz Yuri, que deixou o Havaí, após passar quatro anos treinando Bikram por lá. Ao mudar-se com a família para Hong Kong, para a sua tristeza, percebeu que não havia escola do método no local. Arregaçou as mangas e resolveu construir a própria sala quente dentro de casa. “Coloquei aquecedores, espelhos, carpetes e praticava com o CD da aula de Bikram”, recorda.
A instrutora se mudou para a Nova Zelândia e nada de Bikram. Em 2010 veio para o Brasil. Ao perceber também que não havia academia no país, mirou de cara a Barra da Tijuca para abrir uma filial da escola. “O Bikram começou em Bervelly Hills. Muitos de seus estudantes são atores de Hollywood e músicos que ajudaram a propagar e tornar sua escola mais conhecida. Então pensei: onde é a Hollywood do Brasil? E aqui estamos nós”, justifica.
CLIQUE AQUI para conferir um bate-papo com Yuri.
Onde fica:
BIKRAM YOGA BRASIL
Endereço: Av. das Americas 10.200, loja 15.
Shopping Map Barra.
Informações: 7736-0007.
www.bikram.com.br
Setembro de 2011
A filha da Titia
Bárbara contorna as crises de depressão da mãe Monique Evans, vibra com “A Fazenda” e aterrissa no site Paparazzo
Procure por Bárbara Evans Clark. Você irá encontrá-la em algum bar futucando sem parar o seu Blacberry vermelho com uma capinha de borracha rosa transparente. Do aparelho, ela dispara mensagens para os seus 45 mil seguidores do Twitter, entra no Facebook e manda e-mails. Todos com um só propósito: fazer com que a estadia de sua mãe, Monique Evans, na Fazenda do programa da Record não termine tão cedo. Na semana de votação, se Monique estiver na roça, a menina não dorme. Vota 24 horas por dia.
“Fico acordada a base de Coca-Cola. Voto em casa pelo computador e na rua, pelo celular. Mando SMS, peço votos no Twitter e em todos os lugares que eu puder”, conta a menina de 20 anos (na foto de Marcos Serra Lima, do paparazzo.com.br), que se divide entre a casa da mãe, em Sampa, e o apartamento de sua empresária, Cláudia Magalhães, na Barra.
Ela faz parte da primeira geração de bebês de proveta do país
Filha de Monique com o empresário José Clark, Bárbara pertence a primeira geração de bebês de proveta do país. “Quando era menor, eu não entendia. Mas minha mãe nunca escondeu isso. Ela me levou no médico para ele poder explicar melhor e aos poucos fui entendendo”, conta a menina. “Foi difícil no começo, mais depois achei incrível perceber o quanto de amor foi usado para me fazer”, revela Bárbara (no colo de Monique, na foto).
É ela quem administra e contorna as crises de depressão que a mãe costuma ter. “Eu cuido dela. Nessa fase, ela fica sem comer, não toma banho e não sai da cama. Tiro ela de casa e faço de tudo que for possível. Com o acompanhamento médico e alguns remédios, de seis meses pra cá ela já melhorou 80%. Estou super feliz com mais essa superação”, conta a modelo.
Quando está tudo bem, é hora de irem juntas pra balada. Os mais velhos paqueram a filha e os mais novos, a “titia”. “Ela fica chateada, porque não quer os novinhos”, brinca a menina. Pela Barra, ela costuma ser vista na boate People com sua empresária. Da última vez, estava com o namoradinho, mas agora joga no time das solteiras.
Bárbara chegou a cursar odontologia, mas deu um tempo. Por enquanto, vai deixando os marmanjos de boca aberta de outra maneira. Ela acaba de fazer um ensaio para o Paparazzo. Os cliques foram feitos num clima retrô, numa casa no Alto da Boa Vista, mas Bárbara agora não pode mais falar. O papo pelo Facebook é interrompido porque vai começar “A Fazenda”. E se a mamãe vencer, volta pra casa com R$ 2 milhões...
Confira mais cliques de Bárbara no site paparazzo.com.br
Na roça
Colocamos Bárbara “na roça” e fizemos para ela as mesmas perguntas que o apresentador do programa, Brito Júnior, faz para os fazendeiros.
Para quem você não daria o prêmio da Fazenda de jeito nenhum e por que?
“Para o Gui Pádua, porque é só virar a cara para ele falar mal de você. E ele tocou no ponto mais fraco da minha mãe, quando ele a chamou de louca! Ele não tem caráter nenhum”.
Por que você acha que a sua mãe deve continuar na casa?
“Ela está com 55 anos e precisa do dinheiro para a sua aposentadoria. Os outros participantes são novos e ainda vão ter muito mais chances do que ela na vida. Ela também quer voltar para o Rio de Janeiro e ficar peto da família. E nesse momento, o que ela mais precisa é de carinho”.
Como você define esses participantes com uma palavra:
João Kleber? “Possessivo”.
Dinei? “Bipolar”.
Compadre Washington? “Ranzinza”.
Gui Pádua? “Manipulador; baixo nível, mal-educado, sem caráter”.
Raquel Pacheco? “Irmã”.
Thiago Gagliasso? “Decepção”.
Valesca Popozuda? “Batalhadora”.
Marlon? “Jogador”.
Joana Machado? “Guerreira”.
Tirando a sua mãe, quem você gostaria que ganhasse?
“A Valesca, mas quem merece mesmo é a minha mãe”.
Agosto de 2011
Melhor proteger o seu pescoço
Temido por seus estrangulamentgos, a lenda do MMA Rodrigo Minotauro está de volta
Abasteça a dispensa com whey protein, aminoácidos e granola. Compre muita banana, prepare o açaí, ligue a televisão na RedeTV!, no dia 27 de agosto, que assim você estará pronto para a pancadaria. O circo milionário do UFC, maior evento de MMA (mistura de artes marciais, traduzindo para o português) do mundo, que chega pela primeira vez à cidade e acontece na Arena HSBC (com 14 mil ingressos esgotados em 1h14min), se encarrega do resto. Ah, mas você não está preparado? Acha que não vai aguentar a pressão? Pois saiba que tem um cara ali que aos 10 anos de idade foi esmagado por um caminhão, perfurou o diafragma, ficou em coma, mas renasceu para se transformar numa lenda. Então não mete essa porque Antônio Rodrigo Nogueira vem aí. Após realizar duas cirurgias no quadril e uma no joelho, o Minotauro está de volta e vai para cima dos caras. A torcida, claro, vai junto com ele. E você vai correr ou vai encarar?
O Minotauro vai encarar. Faz só uma pausa na água-de-coco e omelete de claras, que devora numa casa de sucos, para atender à equipe da Folha do Bosque. Mas precisa voltar para o octógono localizado em sua academia, a Team Nogueira, no Recreio dos Bandeirantes. Lá, ele treina com o parceiro Ânderson Silva (considerado o melhor lutador de MMA da atualidade e que faz a luta principal da noite contra o japonês Yushin Okami) e um punhado de feras da modalidade. “Mas não penso na luta 24 horas por dia”, revela, ainda que passe todos os dias de carro em frente ao local onde vai acontecer o evento.Nesse momento, sim, segundo ele, mentaliza o dia da luta, a torcida, a entrada no ringue, o cumprimento.
“A maior motivação para a minha recuperação foi essa luta aqui no Brasil, no quintal da minha casa. Estava sem andar e com previsão de voltar em oito meses após a segunda cirurgia, mas estou de volta com quatro. Nos últimos três anos eu acordava e não conseguia levantar de tanta dor. Agora estou mais flexível, mais rápido e mais motivado do que nunca”, conta o lutador, que enfrenta o americano Brendan Schaub, revelação do MMA.Temido por suas chaves-de-braço, Minotauro chegou a dizer numa entrevista que cresceu o olho no pescoço do Schaub. “Foi uma brincadeira porque em lutadores longilíneos como ele, fica mais fácil de encaixar um estrangulamento. Mas o garoto já mostrou que é muito bom”, elogia o brasileiro.
Capa da Folha do Bosque em agosto de 2003, Minotauro construiu um império nesses oito anos. Além das conquistas nos ringues, disputas de cinturões com cahês milionários, o lutador montou uma rede de franquias da sua academia, a Team Nogueira. Três nos Estados Unidos (uma em San Diego, entre as oito melhores dos EUA, segundo ele, e duas na Flórida) e uma na Suíça. É sócio da marca Tapout, que trouxe para distribuir no Brasil, e dos suplementos X-Fight. E, entre alguns projetos sociais – como o de formar jovens campeões, que realiza com o seu irmão, o Minotouro – tem participação na revista MMA Combate, da editora Innovant. Vive num apartamento de frente para a Praia da Barra, tem uma casa em San Diego, seu carro parace uma espaçonave, curte passear com o seu buldogue francês, o Temaki, pela praia. Mas não mudou o jeito humilde. O zagueiro do Vasquinho (time da cruz-de-malta que montou com os amigos) deixou apenas o sonho de ser jogador de futebol em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, para se tornar uma lenda do MMA. Para alívio dos atacantes, mas para o desespero dos lutadores. Brendan Schaub que cuide bem do seu pescoço...
Minotauro e UFC nos cinemas
Rodrigo Minotauro será tema de um documentário dirigido e produzido pelo português Fernando Serzedelo, o mesmo que produziu o "Incrível Hulk" e "Velozes e furiosos". As gravações já começaram e o projeto será roteirizado por Pedro Bial. Mas não vai ser preciso esperar o documentário ficar pronto para ver Minotauro na telona. A rede UCI de cine-mas mostra o UFC Rio ao vivo, no dia 27. O valor unitário do ingresso é de R$ 52,98 (meia-entrada, R$ 27,98).Além do Canal Combate, que passa todos os eventos do UFC, a Rede TV transmite o UFC ao vivo pela primeira vez na TV aberta brasileira.
Os confrontos principais do UFC
Ânderson Silva (Brasil) x Yushin Okami (Japão) - Foto
Shogun (Brasil) x Forrest Griffin (EUA).
Minotauro (Brasil) x Brendan Schaub (EUA).
Luiz Cane (Brasil) x Ross Pearson (Inglaterra).
Edson Mendes (Brasil) x Stanislav Nedkov (Bulgária).
Entrando para o Team Nogueira
A academia Team Nogueira trabalha não só com profissionais como oferece aulas também para alunos inicantes.As modalidades oferecidas vão desde o próprio MMA, passando pelo boxe, jiu-jítsu, muay thai, grappling; wrestling, boxe feminino, kick boxing, karate; entre outras artes marciais. O local oferece ainda o projeto social Instituto Irmãos Nogueira (boxe e jiu-jítsu); e o projeto Team Nogueira KIDS (metodologia de ensino que busca formar cidadãos através da filosofia de vida da arte marcial), para crianças a partir de 4 anos.
Horários: de segunda à sexta, das 8h às 22h.
Endereço: Rua São Francisco de Assis, 486, Recreio dos Bandeirantes.
Informações: 2381-6020.
Entre socos e beijos (na lona): como me apaixonei
pelo MMA.
A jornalista Fernanda Prates fala de sua paixão pelo esporte. Confira...
Julho de 2011
'O lobo do Bosque' tem 13 letras
Zagallo fala da obsessão pelo número que o consagrou e respira futebol até para falar do trânsito da região: “Está congestionado”
Luiz Neto
Numa tarde ensolarada de 1979, um velho Lobo, ainda aos 48 anos, decide se mudar definitivamente para a Barra da Tijuca. A casa no condomínio Caça e Pesca, que usava apenas para passar finais de semana quando morava na Tijuca, seria substituída por um apartamento no condomínio Atlântico Sul. O corretor, que esperava pelo cliente na porta do prédio, o convida para subir até o 17º andar, quando é surpreendido pelo Lobo. “De jeito algum, eu só compro o apartamento se for no 13º”, diz Zagallo. “Mas o que eu tenho disponível é no 17º”, insiste o vendedor. “Então, eu não quero. Eu só compro se for no 13º andar”.
Hoje, a um mês de completar 80 anos, Mario Jorge Lobo Zagallo recebe a equipe da Folha do Bosque no seu condomínio, onde vive há 32 anos. No Atlântico Sul, apartamento 1.301, claro. O jornal comemora 13 anos de vida, ‘Folha do Bosque’ tem 13 letras e Zagallo chega animado para o bate-papo. Apesar de estar pronto para sair dentro de uma hora no carro de sua mulher, Alcina (na foto abaixo, com o Lobo), cuja placa tem final 1313. Fosse no seu carro, ou no automóvel seu filho, o final das placas também seriam 1313. “Mexi meus pauzinhos lá no Detran e consegui colocar esses números”, conta ele.
Antes de explicar por que tamanha obsessão pelo 13, cabe parênteses. O Zagallo é, na verdade, o maior gente fina. Bem-humorado, nada tem a ver com a imagem de ranzinza que muitos pintam dele por aí. “Ué, são cinco para as 10h. Eu não combinei 10h com vocês? Estou esperando”, disse ao telefone na manhã gelada de segunda-feira, 4 de julho. “Xii...o velho Lobo vai ficar bravo”, imaginamos. Que nada, é a simpatia em pessoa. Alguns quilos mais magro, apenas. Após a cirurgia em que, devido a um tumor no duodeno, retirou parte desse órgão, do pâncreas e do estômago, em 2005. “O tumor parecia um feto, todos achavam que era câncer. Mas, graças a Deus, era benigno e estou com saúde”, diz.
O papo acontece logo após o empate do Brasil com a Venezuela na estreia da Copa América. “Viu o jogo ontem, Zagallo?”. Pronto. O confortável sofá no play do Atlântico Sul virou o banco de reservas da seleção. “O Brasil entrou no 4-3-1-2, mas o Ganso não fez a função do 1”. E tome de 4-3-3 para cá, 4-2-4 para lá, 4-5-1. “Foi uma frustração, mas temos que dar crédito, porque a fase é de transição. Hoje, não temos um Romário, um Fenômeno, um Bebeto. Mas quem está lá sabe da obrigação de ganhar sempre”.
Zagallo come futebol. Até para falar do maior problema do bairro. “O trânsito não está dando espaço. Está congestionado. Parece até aquele futebol de antigamente, no qual todo mundo ia atrás da bola ao mesmo tempo, ninguém se entendia”.
Perguntamos sobre Pelé: “Era um garoto-prodígio, fora de série. A tranquilidade que os outros jogadores tinham no grande círculo, ele tinha dentro da área. Só que eu fui tetra e ele ficou no tri”, brinca. Ele cita a Copa de 58 como sua maior emoção como jogador. Como técnico, diz que a Copa de 70 e o tri do Flamengo sobre o Vasco, em 2001, foram os momentos mais marcantes. Eu digo: “Zagallo, esse eu vi. Só que estava do outro lado. Sou vascaíno”. E não é que o velho lobo solta uma gargalhada que eu tive que engolir.
Até as crianças, segundo ele, o param na rua para repetir o tal: “Você vai ter que me engolir”. O desabafo aconteceu após a vitória por 3 x 1 contra a Bolívia, na final da Copa América de 97. Em La Paz, na altitude de 3.600 metros, parecia que o Lobo enfartaria. “Respira, respira, Zagallo”, chegou a falar o repórter Tino Júnior, na época. “O Galvão levou um susto, mas foi um desabafo para dois jornalistas que começaram a fazer onda para eu sair da seleção”, justifica.
Além de um grande campeão, Zagallo é, na verdade, um baita brincalhão (no sentido bacana da
palavra). A coreografia imitando um aviãozinho, ao devolver provocação do treinador da Seleção da África do Sul, num amistoso em que o Brasil ganhou de virada por 3 x 2, em Joanesburgo, 1996, assim como outras passagens, ainda estão frescas na memória dos brasileiros.
Mas e o 13, afinal, como a mania começou? Antes de falar, ele comenta que a mística, muitas vezes, nem parte dele. Chegou a São Paulo, foi pesar a mala e escutou do funcionário: “Poxa, Zagallo até aqui?”. Precisa dizer quantos quilos sua bagagem tinha? Chamado para fazer um sorteio da Senna, no BarraShopping, ele foi testar a roleta e... “Olha, vocês vão perder a credibilidade. Eu estou sabendo que não tem mutreta, mas quem vai acreditar nisso comigo tirando esse número”, disse o Lobo, segurando a bolinha 13 sorteada em meio a 60 números.
“Eu me casei no dia 13 de janeiro de 1955. E a Alcina é devota de Santo Antônio, cujo dia se comemora em 13 de junho. Foi assim que teve início a devoção pelo 13”, revela. Falando nela, olha ela aí! Alcina de Castro Zagallo inteira no seu vídeo, como diria Januário de Oliveira. Ela chega no play e pergunta se o velho Lobo vai demorar. Eu digo: “Que nada, está acabando”. Alcina Zagallo tem 13 letras, é melhor não contrariá-la.
Tudo que é bom na Barra tem 13 letras
Não é que o velho Lobo está certo? A lista abaixo foi elaborada apenas com coisas bacanas que existem, ou deveriam acontecer na região. Todas as frases, ou palavras, possuem 13 letras.
Zagallo é o cara / Barra da Tijuca / Linha 4 do Metrô / Cães de coleira / Ruas sem buraco / Choque de ordem / Mais segurança / Folha do Bosque / Marlon, o Caneta / Terceira idade / O vôlei na praia / Canal bem limpo / Bicicletários / BarraShopping / Chega de prédio / Açaí com banana / Menos trânsito / Cerveja na orla / As associações / A galera sarada
Junho de 2011
A invasão dos robôs
Alunos da região desmistificam a robótica e mergulham no fascinante mundo das criações
No clássico “Blade runner”, o caçador de androides Rick Deckard (Harrison Ford) se apaixona por uma replicante, que expressa emoções e tem lembranças embutidas em sua memória. No filme “Eu robô”, o detetive Del Spooner (Will Smith) vive em um mundo onde essas máquinas existem para servir humanos, mas acredita que o seu amigo tenha sido assassinado por um robô. Em “Inteligência artificial”, de Steven Spielberg, uma equipe de cientistas cria um robô-criança, programado para amar seus pais eternamente. O tema não fascina apenas Hollywood. Na atual novela das 19h, “Morde & assopra”, de Walcir Carrasco, o robô Zariguim e a androide Naomi (personagem de Flávia Alessandra) incensam a trama global. Carrasco, um interessado em robótica, conta que conheceu o seu personagem em simpósios sobre robôs que ele visitou em Osaka e Nagoya, no Japão. “Achei interessante e indiquei para a equipe de produção de arte da novela”, conta o diretor.
Um tema fascinante e uma palavrinha que sempre veio embalada com o lacre da dificuldade: robótica. Quem escuta esse nome, imagina logo algo complicado, com muitas engrenagens, cheio de cálculos matemáticos, certo? Errado! Pelo menos para os alunos dos colégios da Barra da Tijuca que participam das aulas da Lego Education, nova coqueluche do ensino na região. Desde cedo, crianças do Faria Brito, Cec, Pinheiro Guimarães, Mopi, entre outras escolas, são estimulados a montarem as engrenagens do funcionamento de um coração, os mecanismos da afinação de instrumentos musicais, apenas para citar alguns exemplos. Tudo isso usando os princípios da robótica de uma maneira lúdica e estimulante.
O resultado do que eles aprontam não é brincadeira. No torneio de robôs “First lego league” (iniciativa da Lego Education em parceria com a ONG First), ocorrido no ano passado, que classifica equipes para um torneio mundial, o tema escolhido tinha o objetivo de solucionar problemas do trânsito. Um dos projetos foi apresentado para o Detran. O órgão aprovou e já fez até o primeiro teste no bairro de Laranjeiras.
Quem sabe essas crianças não encontram uma solução para o difícil trânsito aqui na região? Do jeito que está, só mesmo um robô para resolver.
Soluções mágicas e adoração pelas aulas
Estudantes realizam sonhos de outras crianças e adimitem até trocar o recreio pela robótica
Qual seria o sonho de duas crianças deficientes, que dependem de rodas para andar? A dúvida fez alunos de uma escola pública se colocarem no lugar de dois colegas que enfrentam todo tipo de obstáculos sentados em cadeira de rodas. Sem chegarem a uma conclusão, os estudantes fizeram a pergunta aos interes-sados. A resposta surpreendeu. O sonho deles não era ultrapassar degraus nem vencer escadas. O que os meninos queriam era poder brincar de balanço. A surpresa deu lugar à ação. Depois dos primeiros rascunhos, passaram para as peças Lego. O impossível começava a tomar forma. O projeto foi parar nas mãos de um empresário e... bingo! Cada criança agora entra com a cadeira de rodas numa gôndola suspensa por fios, as rodas são travadas e, na hora do recreio, lá estão todos a empurrar os meninos no balanço.
Falando em hora do recreio, a coordenadora pedagógica da unidade Barra do Colégio Faria Brito, Selma Nogueira, que desde 2007 trabalha com a Lego, lembra que os alunos admitem até abrir mão da recreação, mas nem pensar em perder uma aula de robótica. “As crianças se sentem livres para produzir, criar. Cada membro da equipe tem um papel definido por eles mesmos. Um monta, outro coordena o trabalho e cronometra as ações, um registra os ganhos e erros para serem revistos”, explica ela, lembrando que os pais se surpreendem quando se deparam com os filhos falando em polias, roldanas.
Pedagoga, do Colégio Pinheiro Guimarães da Barra, Aline Ribeiro tem a mesma opinião. “No dia de trabalhar com a Lego, os alunos chegam à escola empolgados”, comenta.
“A ideia das aulas da Lego é estimular a aprendizagem em grupo e a resolução de problemas do cotidiano”, diz a diretora do setor pedagógico da Lego, a psicopedagoga Sueli de Abreu.
Os resultados positivos do trabalho logo são notados. Segundo a professora do Pinheiro Guimarães, Rosângela Ramos, algumas crianças que quase não falavam ficaram mais seguras para verbalizar durante a aula. “Elas ganharam confiança e passaram a se sentir importantes”, diz.
Professora de informática do Faria Brito, Izabel Cristina (foto acima, com a filha Rafaela Santos) se impressiona com os resultados da sua menina, de 8 anos, e do filho Guilherme, de 13, que estudam robótica no colégio. “Ela é apaixonada pelas aulas, e ele fica em casa buscando soluções para aplicar”, conta Izabel. “Sempre trabalhei com informática, mas fui conhecer a robótica com o meu filho”.
Aluno do Pinheiro Guimarães, Felipe Soares, curte a dinâmica dos grupos que são montados nas aulas. “Já fui relator, construtor e contador. Nas próximas aulas, serei o líder e montaremos a engrenagem do funcionamento de um elevador”, conta o menino. “As aulas afloraram ainda mais a capacidade de criação dele”, diz a mãe de Felipe, Selmita Soares (foto abaixo).
De acordo com a auxiliar das aulas da Lego no Faria Brito, Bruna Borges, as crianças entendem que, se não trabalharem em grupo, não obterão resultado. “Eles sabem que, se errarem uma peça, o restante do trabalho ficará comprometido”, comenta Bruna.
Administrador da Lego Rio, Cláudio César de Araújo explica que no colégio as aulas são uma ferramenta para auxiliar o professor e os alunos nas matérias. Segundo ele, que pilota toda a engrenagem da Lego numa sala no Office Tower, aqui no Bosque Marapendi, a ideia é inserir o projeto também em condomínios da região e em aulas a serem oferecidas na filial aqui no bairro. “Também trabalharemos nesse caso a liderança e o empreendedorismo por meio da robótica”, finaliza Cláudio.
Aulas na filial Lego-Barra
- Quartas e quintas, das 9h às 10h30, das 14h às 15h30 e das 18h30 às 20h.
- Valor: R$ 130/mês.
- Informações: 3215-6662.
Equipe brasileira faz bonito na Holanda
De 2 a 4 de junho aconteceu o First LegoLeague Open European Championship (FLL OEC), etapa europeia do torneio, que conta com a participação de 67 equipes de mais de 30 nacionalidades diferentes.
Sediado na cidade de Delft, na Holanda, o torneio teve como tema a exploração do mundo moderno da engenharia biomédica para apresentar a pesquisa de campo e o projeto do robô, que buscam soluções para a saúde do corpo humano por meio do uso da tecnologia robótica.
O Brasil foi representado pelas equipes FrancoDroid (RJ), AC/DC/EG (SP) e Robotics School (SP), que se destacaram no FLL Brasileiro de 2010. A Franco Doid obteve o 10º lugar geral entre 67 outras equipes competido-ras e, no quesito “Missões”, terminou em 6º.
Só a partir dos 10 anos as crianças podem participar dos campeonatos. Na foto, meninos da equipe alemã apresentam um robô.
Maio de 2011
As travessuras de Nicole Bahls
Musa do Pânico na TV, ela veste a camisa de sua personagem e enlouquece o imaginário masculino
“Nicole Bahls, ex-nora de Luma de Oliveira, encontra Akon em Cancun”;
“Nicole Bahls circula pelo aeroporto Santos Dumont, no Rio, com uma saia tão curta que deixa parte do bumbum a mostra”;
“Continuo apaixonada’, diz Nicole Bahls sobre fim do namoro com filho de Luma”
“Nicole Bahls admite: ‘Estou namorando Léo Santana e quero constituir família”;
“Nicole Bahls termina com Léo Santana e inicia affair com Neymar”.
Todas essas notícias e mais cerca de 160 (algumas mais picantes, outras não tão quentes), foram publicadas sobre a panicat no site Globo.com, de março de 2010 até hoje. Ao jornal A Folha do Bosque ela desmentiu a última. Disse apenas que vai no clube onde joga o craque Neymar para fazer reportagens para o programa Pânico na TV. Uma coisa, porém, não há como negar: notícia sobre Nicole Bahls na internet vende mais do que carnê das casas Bahia.
Peraí: isso foi uma piada? Não, piada é o que Nicole gosta de fazer. Ela parece adorar esse caldeirão de informações. Atiça e brinca com a notícia. Perguntada pelo repórter Bento Ribeiro, da MTV, se, além de modelo, era atriz, respondeu em tom sarcástico. “Atriz, não. Estou pensando em fazer um filme aí com uma tal de Brasileirinhas, estou estudando ainda”. Quase que precisou abaixar para pegar o queixo de Bento e devolver para o entrevistador. Brasileirinhas é a maior produtora do cinema pornô nacional. “Apesar de trabalhar com o corpo e de biquini, me preocupo mais em fazer as pessoas rirem”, diz ela.
Nicole nasceu em Londrina, em Grandes Rios, interior do Paraná. Formou-se em jornalismo e iniciou o trabalho como modelo, aos 12 anos. Em 2007, foi eleita Musa do Brasileirão. Saiu da agência Ford Models e foi selecionada numa entrevista para participar do programa humorístico Pânico na TV.
Pronto! Foi como se Nicole tivesse achado a posição em campo. Seu jeitão despudorado encaixou como uma luva na trupe do mentor do Pânico, Emílio Surita. Como panicat, ela visita praias de nudismo, toma banho pelada no vestiário do Corinthians, da beijo na boca de anão, entre outras travessuras. “Sou uma menina desprovida de qualquer tipo de preconceito e muito segura graças a uma estrutura familiar muito forte e amiga. Minha mãe sempre me deu muitos conselhos e me passa muito equilíbrio em todos os momentos e passagens da minha vida”, conta ela, que vive hoje, solteira, num apartamento no condomínio Paradiso, aqui no Bosque.
Hã, solteira? “Solteiríssima. Podem mandar cartas pro jornal. Mas, com foto, por favor”, brinca a musa. Melhor arriscar do que fazer como o autor da cantada mais louca que ela já recebeu: “Vou para a casa agora bater na minha mulher”.
Se essa moda pega...
- Nicole não desgruda do twitter. Para acompanhá-la, acesse: twitter.com/nibahls.
O endereço twitter.com/Nicolepanicat é falso.
Pernas: um dos segredos da modelo
Aos 25 anos, Nicole garante ter conquistado o corpo que sempre sonhou. “Já malho há oito anos. Tinha o corpo muito musculoso, era grande demais. Hoje estou mais sequinha e me sinto melhor. A única coisa que cresceu, foram meus peitos. Troquei a prótese que tinha por uma de 385 ml”, diz. Vale conferir o trabalho de pernas da musa, feito com o personal Bruno Costa.
- 15 minutos de transport;
- 4 séries de 15 repetições de agachamento livre;
- 4 séries de 10 repetições
cadeira extensora;
- 4 séries de 15 repetições
leg press sentado;
- 4 séries de 15 repetições
de cadeira flexora;
- 4 séries de 20 repetições de extensão de quadril em 3 apoios;
- 4 séries de 12 repetições
cadeira abdutora;
- 4 séries de 12 repetições
cadeira adutora;
- 15 minutos de transport;
- Alongamento.
Abril de 2011
O escrachado genial
Por Luiz Neto
A Record está em terceiro lugar no Ibope, mas a liderança é questão de minutos. O craque que vai virar esse jogo já deixou o seu casarão na Barra da Tijuca em direção a Benfica, onde ficam os estúdios da emissora. Como Garrincha, apesar do andar trôpego, ele não teme os seus marcadores. Sabe que passará por eles sem fazer muito esforço. Wagner Montes dos Santos vem aí. Ele acaba de chegar dez minutos antes de começar o seu programa, o “Balanço Geral”. É o tempo de trocar de roupa e entrar no ar. Acredite se quiser: o louco não sabe absolutamente nada sobre qualquer reportagem que será mostrada na TV. Mas durante as próximas duas horas e meia (das 12h às 14h30) a Record será líder de audiência. Craque? Melhor chamá-lo de gênio!
Enquanto a maioria dos apresentadores de telejornais costuma chegar algumas horas antes de começar o programa, para saber o que vai passar, ou o que vão comentar – para se inteirar sobre as pautas, usando a linguagem jornalística – Wagner não está nem aí. “Reunião de pauta? O que é isso?”, ironiza o apresentador. “Nem me preocupo. Os produtores, redatores e editores ficam lá em cima. Em momento algum vou à redação para saber o que vai ter no programa. Não quero nem saber”, escracha, bem ao seu jeitão. “Ele é um monstro no que faz”, diz Camila Portes, a produtora do programa, que passou a ser gerado para 165 países que integram a Record Internacional. “É como se ele apresentasse um programa “Fantástico” por dia. Todo no improviso”.
E quando dá algum chabu? Sobra para alguém, menos para o craque, claro. Recentemente, ele recebeu uma lauda com a informação de que um policial militar, que tinha sido atropelado na Perimetral, havia morrido. “Fiquei triste, prestei solidariedade à família em pleno ar e, hoje, fiquei sabendo que o policial não morreu. Agora quero descobrir quem foi que mandou a lauda e vou dizer ao vivo. ‘Ontem erramos aqui, foi uma debilidade de alguém’. Sem menosprezar ninguém, mas vou dizer, ‘Oh, muquirana, como você dá um furo desses?”, escracha outra vez. “Mas falo com o maior carinho. Só erra quem trabalha. Vagabundo é que não erra”.
Pode uma pessoa chamar a outra de muquirana e débil com o maior carinho? A resposta para essa questão se encontra em dois lugares: Primeiro nos bastidores do seu programa, no qual a cada intervalo, e até mesmo ao vivo, toda a equipe se diverte e dá gargalhadas, ao mesmo tempo em que trabalha. Segundo, nas urnas da última eleição, quando o apresentador se reelegeu deputado estadual com mais de meio milhão de votos. A maior votação para deputado da história do Rio. “Nem deputado federal, proporcionalmente, no Brasil inteiro, teve a votação que eu tive”.
Em troca do carinho nas urnas, muito trabalho. Em quatro anos e dois meses, Wagner nunca deixou de ir a uma única sessão da Alerj, nem teve sequer uma falta justificada. “É o mínimo que se pode fazer em respeito à população”, diz ele. Os políticos que ousaram questionar a façanha, ganharam na lata o contrache-que do apresentador . “Alguns deputados disseram, ‘Você não deixa de vir um dia, isso aqui deve fazer uma falta para você, hein?’. Eu respondi que, graças a Deus, não me fazia falta. Peguei meu contracheque, mostrei o meu salário na Record e falei. ‘Olha aqui como eu estou preocupado com o salário de deputado”.
Wagner recebe na TV quase 30 vezes mais do salário de um deputado estadual. Pouco mais de R$ 500 mil. “A Record tem essa vantagem, me dá muito dinheiro. Mas é tudo declaradinho, bonitinho. Mostro até saldo bancário no ar. Eles me pagam mais do que eu preciso. Agora, menos do que eu mereço”, brinca, ao mesmo tempo em que faz planos de se mudar para uma casa maior, com um heliporto para pousar o novo brinquedinho que pretende adquirir. O brinquedo velho é uma lancha, na qual passeia com a família nas horas vagas.
Nada mau para o menino de Duque de Caxias que já trabalhou como garçom, tirava folga de discotecário na boate Zoom, foi vendedor de camisas e arriscou cortes afiados de carne atrás de um balcão de açougue. “Teve uma época que eu botava no jornal: vende-se mala por motivo de viagem”, diverte-se.
O jeito comunicativo o levou para a Rádio Tupi onde começou como repórter policial. Nascia ali o caso de amor com a sua “poliçada”, como costuma chamar os membros da corporação. Conheceu o apresentador Wilton Franco e foi parar no programa “O povo na TV”, onde recebeu o apelido de “Chicote do povo”. Passou a integrar o famoso júri do “Show de calouros”, do programa “Silvio Santos”.
Em meados de 1981, quando começava a colocar sua pipa no alto, veio o revés. Foi empinar o seu triciclo em Ipanema e desabou. Catou o meio-fio, saiu deslizando de lado e perdeu metade da perna. “Era para bater o rosto ou a perna, aí eu preferi a perna, porque eu era bonitinho, né?”, recorda ele, que, na época do acidente, chegou a dizer. “Enquanto não amputarem meu cérebro, meu coração e a minha língua, vou continuar gritando pelo povo no programa”.
E ele continua gritando até hoje. Ou melhor, escrachando! O termo, ele diz que nem lembra quando criou. “Ainda tem o ‘arregaaaaaaaça’, mas as pessoas gostaram tanto do escracha que ainda não consegui usar o arregaça”, conta. Na Marquês de Sapucaí, no desfile técnico, ele recroda que em todos os setores escutou o público gritando o seu bordão. No prêmio Extra de jornalismo, o governador Sérgio Cabral ficou em segundo plano. Ele entrou no Vivo Rio um pouco antes de Wagner, que logo escutou o misto de aplausos e vaias ser substituído por gritos de “Escracha”.
Seus trejeitos serviram de inspiração para o controverso personagem Fortunato (deputado e apresentador envolvido com as milícias, do filme “Tropa de Elite 2”), mas não a sua postura e trajetória. “Nunca fui preso e no começo fui a favor das milícias, como a maioria das pessoas. Mas quando começaram as extorções a moradores e a fazer justiça com as próprias mãos, comecei a bater”, diz ele, um dos responsáveis pela aprovação da CPI das milícias e, atualmente, relator da CPI das armas. “Me avisaram para ter cuidado, porque estou mexendo num vespeiro, numa casa de marimbondo. Eu adoro marimbondo e não tenho medo de picada de abelha. Gosto de brigar com cara graúdo, com quem é poderoso. Podem até armar e plantar uma sacanagem. Mas como eu digo no ar: Arma bem armado, ou eu vou te procurar no útero da sua mãe e vou te matar”, sentencia.
Bem, está na hora de encerrar o “Balanço Geral”. Antes, claro, ele escraaaacha a cara de mais um bandido na tela. “Parece com o Marlon Brum”, brinca, referindo-se ao amigo, editor do Extra. “É um cara que se reinventa, que não para nunca”, elogia Brum. “Poderia ter jogado a toalha quando sofreu um acidente no auge da carreira, mas não. Com sua generosidade gigantesca e talento nato, tem tudo para brilhar cada vez mais, onde quer que atue”, completa o jornalista.
Ao final do programa, sua perna está sangrando
E lá está o apresentador debulhado em lágrimas pela morte de mais um marginal, ainda que o líquido que escorre do seu rosto, saia de um lenço molhado que recebeu da produção e espreme na frente das câmeras. Um bufão que desqualifica a lógica e a racionalidade cartesiana. Adentrando como ninguém no campo da fantasia, da extravagância, quase tangenciando a alucinação, a loucura, ele desengessa o jornalismo policial. Fala a linguagem do povo. Expressa o que cada um de nós gostaria de dizer.
Ao final do programa, sua perna está sangrando. Devido aos 15kg que ganhou ao deixar o cigarro, há oito anos. “Mas comigo não tem essa, não. Eu vou para cima dela. Não sinto dor, fome e não tenho sono”, dispara, ao mesmo tempo em que, para espanto da equipe da Folha, acende um isqueiro e encosta a chama em suas mãos durante um bom tempo. “Tá vendo, não sinto dor”.
Hiperativo, genial? Difícil encontrar uma palavra que defina o apresentador. É como se ele sepultasse aquele papo científico de que só usamos 20% de nosso cérebro. Parece que Wagner Montes é como Eddie (Bradley Cooper), o cara à frente do filme “Sem limites”, que toma uma pílula mágica e nos mostra como funcionaríamos com os miolos anabolizados a pleno vapor.
Confira os vídeos da entrevista:
Março de 2011
Um cover exagerado
Pepê Moraes impressiona cantando Cazuza. Além da semelhança física e vocal, ele diz que se comunica mediunicamente com o poeta
Pepê Moraes é vegetariano, professor de História, ativista pela libertação animal e espiritualista. E daí, o que isso tem a ver com Cazuza? Melhor deixar o próprio Pepê explicar: "Tenho absoluta certeza de que ele está sempre presente em meus shows. Aliás, ele já sabe disso, eu já disse a ele. Me comunico com ele mediunicamente", dispara o cantor, que se apresenta com sua banda "Exagerados Cazuza cover", na terça-feira, dia 22 de março, no Bangalô. Bastam apenas dois acordes de "Maior abandonado" para descobrir que Pepê não está de brincadeira. A ideia de que um cover possa ser uma porção dormida do pão de queijo da padaria, recheado com clichês, é jogada fora com as sobras da comida a quilo. Pepê vai muito além de um cover. Sua versão requentada é uma delícia. Ele faz você acreditar que William Shakespeare estava certo: Existem muito mais coisas entre o céu e a Terra do que imagina a nossa vã filosofia. Mãe de Cazuza, Lucinha Araújo comprovou essa, digamos, "força estranha" que move Pepê. Visivelmente emocionada ao final de um show da banda cover, ela comentou: "Estou acostumada a ver e a ouvir os vídeos e discos do meu filho. Mas ver uma pessoa tão parecida com ele, com os mesmos trejeitos, com a mesma voz, com a mesma energia, tá sendo muito difícil pra mim". Se na década de 80 ele levava uma vida parecida com a do poeta, Pepê hoje se diz careta. Mas ainda dorme, respira e almoça Cazuza, como ele mostra no papo a seguir.
"Não sei como não fiquei com Aids também"
Pepê descreve o ambiente onde está e conta o que estava fazendo antes de se conectar à internet para responder a essas perguntas. "Estou num quarto digno de um roqueiro exagerado. Com um colchão no chão, cheio de roupas em cima, uma estante com sapatos e todas as minhas coisas mais importantes; um guarda-roupa abarrotado de coisa inúteis, dos tempos de criança (velocípede, bonecos, peão mágico da Estrela); uma TV, um oratório com imagens de São Jorge, Jesus, preto-velho, gnomos, pirâmides e meu protetor, o compadre Tranca-Ruas; além da escrivaninha, onde trabalho. Antes de me conectar, estava comprando castanhas, amêndoas, leite de soja, gengibre, guaraná em pó e carne de soja – sou vegano, não como nenhum tipo de animal e nem uso ou frequento nada que tenha origem na exploração animal".
Como começou essa história de Cazuza cover?
“Quando eu ainda dava aulas de História, até 2006 – fui professor do Pedro II e do Pinheiro Guimarães – meus alunos perguntavam: "Professor por que você está dando aula? Vai cantar". Eu dava aulas usando a música e o teatro, fazia paródias com letras falando sobre a História. E sempre que eu pegava o violão e cantava, a primeira coisa que comentavam era: "Pô, parece o Cazuza! A voz também é idêntica". Diziam também que as músicas de minha autoria tinham a mesma energia que as dele”.
Soubemos que você foi office-boy na Globo e costumava esbarrar com o Cazuza nos bastidores. Sobre o que conversavam?
“Conheci ele e todos do Barão nessa época. Eu vivia nos camarins e bastidores das gravações, queria fazer amizade com os artistas, pois sou compositor e meu sonho era cantar. Frequentava os camarins do Circo Voador, com a galera do Barão. Conversávamos também por telefone. Eu tinha o telefone de todos, mas meu lance era com o Cazuza. Falávamos sobre música, as minhas e as dele, sobre drogas, sobre sexo etc”.
Sua vida tem alguma semelhança com a vida que o Cazuza levava?
“Sim, bastante. A diferença é que ele tinha muita grana. Eu levava uma vida muito louca. Experimentei de tudo. Maconha, cocaína, bolinhas, sexo. Não sei como não fiquei com Aids. Hoje sou completamente careta. Mas ainda sou maluco (risos). Deixei de beber há nove anos e há três deixei as drogas. Sou espí-rita, trabalho na umbanda e sou vegano”.
Fale-nos um pouco do seu encontro com a mãe dele...
“Era o que eu mais desejava. Os alunos do curso de Comunicação da Cândido Mendes, da Tijuca me convidaram para participar do projeto 20 VER. Seria sobre o Cazuza e a Lucinha era a outra convida-da. Aceitei na hora! Quando ela chegou, eu não sabia o que falar. Comprei uma rosa e dei pra ela. Quando começou o evento, ela já estava no palco e aí me anunciaram. Entrei cantando "Maior abandonado". Nunca fiquei tão nervoso e errei o início da letra. Mas depois foi mole. A galera levantou, dançou, urrou! A Lucinha ficou emocionadíssima. Depois do show ela disse: ‘Estou acostumada a ver e a ouvir os vídeos e discos do meu filho, mas ver uma pessoa tão pare-cida com ele, com os mesmos trejeitos, com a mesma voz, com a mesma energia, está sendo muito difícil pra mim’".
Se pudesse encontrar o Cazuza hoje, o que diria para ele?
“Caju, muito obrigado por tudo. Por ter me ajudado a ter o encontro com a tua mãe, por compartilhar comigo a tua energia. Diria isso porque tenho absoluta certeza de que ele está sempre presente em meus shows. Aliás, ele já sabe disso, eu já disse a ele. Me comunico com ele mediunicamente, converso com ele, peço ajuda, peço que dê um empurrãozinho durante os shows, que abra portas. Pouco antes de conhecer a Lucinha, eu havia pedido a ele que desse um jeito de me colocar diante dela. Cazuza é um espírito em aprendizado e está em missão espiritual, trabalhando no plano astral junto à equipe espiritual do lar de Frei Luiz, em favor daqueles que se encontram nas malhas da droga-adicção. Acho que é por isso que ele me ajuda tanto. Nos shows, sempre passo mensagens contra as drogas e nunca esqueço de agradecer a Deus. Saravá!”.
FEVEREIRO DE 2011
Engov nunca mais
Formados no combate ao uso de drogas, mais um exército de alunos da Câmara Comunitária da Barra extermina a cerveja e caipirinha da folia
Não é novidade que a indústria das festas de formatura cresce ano a ano e que a criatividade na hora de comemorar a conclusão de um curso universitário é infinita. Todas, porém, com uma coisa em comum: regadas a muita cerveja, caipirinhas, champanhe. Pense agora numa formatura em que nada menos do que 140 alunos fazem uma tremenda festa e caem no samba sem uma gotinha de álcool. Estranho? Foi no dia 18 de dezembro, com o grito de carnaval do bloco Alegria sem Ressaca, que os alunos da turma de conselheiros de apoio a dependentes químicos, capitaneada pelo psiquiatra Jorge Jaber (na foto ao lado com a madrinha da banda, Luiza Tomé), comemoraram a formação de mais um pequeno exército contra o alcoolismo e o uso de drogas.
O balacobaco aconteceu na Câmara Comunitária da Barra. Foi lá que essa turma aprendeu, ao longo de um ano, em reuniões semanais, como lutar contra a dependência química.
A ideia de criar um bloco de carnaval (que esse ano desfila no dia 27 de fevereiro, em Copacabana) em que os foliões atuassem na conscientização dos riscos do abuso de álcool e uso de drogas foi do próprio Jaber, quando presidia a Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), em parceria com o também médico e atual presidente da entidade, João Pena. Mas foi o presidente da Câmara da Barra, Delair Dumbrosk, quem decidiu que o movi-mento deveria fazer barulho pra valer: “Você tem de levar isso para Copacabana! É assim que faremos essa iniciativa crescer”, recorda Jaber, que atendeu ao amigo e agora vai expor a iniciativa no Congresso Europeu de Psiquiatria, em Viena, na Áustria, no dia 12 de março próximo.
Voltada a públicos de todas as idades, a ação chama atenção dos jovens, que adoram pular carnaval com muita birita. “Eles não se dão conta do risco que correm. Além de estarem sujeitos a doenças desenvolvidas pelo alcoolismo, não é raro acontecer de aspirarem o vômito e morrerem por asfixia”, relata Jaber.
Bebedores insaciáveis de vodka
Psiquiatra fala sobre as principais complicações derivadas do combustível preferido dos jovens
É noite de sábado e a fila do caixa rápido do supermercado Extra 24h abriga grupos de jovens animados. Altos, baixos, gordos, magros, há ali uma mistura de muitos tipos, mas nos carrinhos de compras dois produtos fazem de todas as tribos uma só: a de bebedores insaciáveis de vodka. A bebida eleita pela garotada como combustível para as “nights” muitas vezes começa a ser consumida ali mesmo, no estaciona-mento, misturada com energético, suco pasteurizado, refresco em pó ou refrigerante.
Psiquiatra especializado no tratamento de dependência química, de álcool e drogas ilícitas, o dr. Jorge Jaber ressalta que o cérebro dos jovens fica “pronto” dos 17 aos 21 anos. “O consumo de álcool nessa idade leva ao atraso no desenvolvimento e traz dificuldades de natureza cognitiva. O jovem perde a capacidade intelectual e a memória”, observa.
Desde 1993, o médico coordena, na Câmara Comunitária da Barra, um programa gratuito de atendimento a dependentes químicos e um curso de formação de profissionais conselheiros.
MUITO ALÉM DA RESSACA
De acordo com o psiquiatra, os problemas com o consumo de álcool vão muito além da ressaca no dia seguinte. As consequências imediatas podem ser intoxicação aguda, coma alcoólico, perda da consciência e acidentes, como quedas. Mas a questão é mais profunda e envolve uma série de problemas.
ACIDENTES DE TRÂNSITO
A primeira questão, mais em voga por conta da Lei Seca, é o fato de que beber e dirigir são incompatíveis. “Os acidentes de trânsito representam um dos maiores problemas de saúde pública do país e são provocados, principalmente, pelo consumo de substâncias químicas e álcool”.
ÁLCOOL ANTES DA AULA
Outro erro comum e frequente nos arredores de universidade, por exemplo, é o consumo de álcool antes de atividades acadêmicas. “Os famosos chopinhos antes da aula diminuem consideravelmente o desempenho dos alunos”.
DEPENDÊNCIA
Já a dependência química e o alcoolismo são doenças que podem começar cedo. “De cada dez daqueles jovens que vemos bebendo nos postos de gasolina, geralmente um ou dois desenvolvem o alcoolismo”.
DOENÇAS PSIQUIÁTRICAS
Há ainda as doenças psiquiátricas, que podem se desenvolver ou se agravar pelo uso de álcool. “Num paciente bipolar, por exemplo, além de o álcool aumentar as chances de desenvolver a doença, também pode eliminar o efeito das medicações usadas no tratamento”.
DEMÊNCIA ALCOÓLICA
A demência alcoólica é também alvo de grande preocupação. “O uso abusivo por pessoas jovens altera a fisiologia cerebral e, consequentemente, o funcionamento do cérebro. A pessoa passa a ter dificuldade no desenvolvimento do raciocínio, da linguagem e se torna um ser menos preparado para enfrentar a vida. Uma vez instalada, a doença é irreversível, independentemente de haver ou não consumo de álcool”.
CACHAÇA PURA
Jaber compara os grupos de jovens que se reúnem para beber nas esquinas da Zona Sul e pela Barra com os jovens da Zona Norte e da Baixada. “Aqui encontramos jovens favorecidos, que estudam em boas escolas, se alimentam bem e praticam esportes. Estão se destruindo, mas possuem uma certa estrutura. Na Baixada Fluminense a situação é ainda pior. Você vê grupos bem maiores tomando cachaça pura, já que não possuem condições financeiras para comprar mais nada além disso. E sem uma alimentação adequada, sem escola e sem recursos”.
FAMILIARES DEVEM SE INFORMAR PARA ORIENTAR
Indagado sobre o que pode ser feito para amenizar o problema do consumo excessivo de álcool pela juventude, Jaber é enfático. “Os meios de comunicação têm papel fundamental nesse processo. São eles que, de maneira progressiva, orientam a população. Por meio, inclusive, de matérias como esta da Folha do Bosque. É uma questão cultural: quando eu era criança, minha avó insistia para que eu usasse um agasalho, e eu não dava atenção. O jovem de hoje se agasalha sem a família pedir. Os familiares precisam se informar para ensinar. Para isso que oferecemos um programa para os familiares. A participação dessas pessoas costuma ser mais eficaz do que a minha na hora de ajudar o paciente a não tomar a primeira dose, por exemplo, já que possuem uma história em comum”, finaliza.
Atendimento gratuito
Câmara Comunitária da Barra da Tijuca.
Programa familiar: todas as quintas, de 19h às 21h.
Programa para dependentes: Todos os dias tem atendimento. Ligar para agendar.
Endereço: A CCBT fica na Avenida Mal. Henrique Lott, 135, Parque das Rosas.
Informações: 3325-2323.
O psiquiatra coordena também reuniões gratuitas para familiares no 23º BPM (espaço obtido com a ajuda da AMA-Leblon), que fica na Avenida Bartolomeu Mitre, 905.
Reuniões: terças, às 19h.
Informações: 2540-5202.
Luiza Tomé abre o jogo sobre drogas
Madrinha do bloco, ela perdeu um irmão vítima de overdose e pensou em se matar. Seu outro irmão conseguiu dar um basta no vício. Mas somente após 28 internações
Enquanto monta o seu cantinho na Barra da Tijuca e se prepara para trazer a peça “Mulheres alteradas” de São Paulo para o Rio, a atriz Luiza Tomé, pelo segundo ano consecutivo, abre espaço na sua agenda para brilhar no pré-carnaval carioca. E ela veste a camisa da Alegria sem Ressaca com vontade.
Quando recebeu o convite para ser a madrinha da banda, em 2010, Luiza pensou que chegara a hora de falar sobre o alívio de ter superado dramas familiares e pessoais ligados à dependência química, de álcool e drogas. Um problema que atingiu em cheio dois de seus irmãos. Um deles se recuperou somente depois de quase 30 internações. Parou de usar drogas e de beber há nove anos. Hoje, trabalha como conselheiro, ajudando na recuperação de dependentes em tratamento. O outro morreu de overdose em 2001, aos 44 anos, depois de pular pela janela ao achar que estava sendo perseguido pela polícia.
Na época, Luíza vivia a lendária Rosa Palmeirão na TV. “Senti com se fosse uma facada no coração”, diz a atriz.
Enquanto lutava para tentar ajudar os irmãos e consertar o rastro de destruição deixado pelos abusos dos dois, Luiza também adoeceu. “Tive síndrome do pânico, não saía de casa, pensava que ia morrer. A primeira crise foi quando meu filho mais velho tinha 11 meses e minha mãe me chamou pela enésima vez para ajudar meu irmão, que acabou morrendo. O telefone tocava, eu ficava gelada, com taquicardia, sempre esperando notícia ruim: hospital, polícia. Foi a rebarba de toda a pressão que sofri durante a minha vida”. Como já estava virando freguesa da emergência do Albert Einstein e tinha perdido 6kg em pouco tempo, ela decidiu procurar um clínico. “Após uma batelada de exames que não indicaram nada de errado, recorri a um psicanalista”.
Segundo Jorge Jaber, levantamento feito com 490 familiares de usuários de álcool e outras drogas revelou que 90% sofrem algum tipo de transtorno de ansiedade e o principal é a ansiedade generalizada, a sensação de que alguma coisa ruim vai acontecer. “Há liberação confusa de hormônios, como a adrenalina, gerada pelo descontrole emocional do familiar, o que pode desenvolver alergias, problemas de pele, hipertensão, diabetes, emagrecimento súbito. O familiar também precisa de tratamento”, confirma o médico.
Luiza pensou até em se matar. Durante o tratamento, entretanto, vieram à tona sentimentos de menina, de quando a mãe pedia que ela chamasse o pai bêbado para ver filmes de Oscarito. Lembrou também que gastava todo o seu salário para tentar livrar os irmãos de problemas e que não media esforços. “Me sentia responsável por meus irmãos. Quando bem jovem, estudava direito e vendi meus pertences para ir a Salvador tirar um deles da cadeia, por porte de maconha. Uma vez, gravando em Fernando de Noronha, peguei um avião para tentar fazer alguma coisa quando me avisaram que um dos dois estava em dificuldade. Aí, senti que algo não ia bem comigo”, relembra.
“Precisei de tratamento psicológico e de remédio também. Mas hoje sou outra pessoa. Sempre tive vontade de falar sobre isso e desmistificar o assunto. É importante para que as pessoas vejam que acontece com qualquer um e se identifiquem. Quando alguém se recupera traz felicidade para uma família inteira. Meu irmão, que já bebia álcool puro, também quase se matou e hoje ajuda muita gente”.
Para ela, nunca se deve perder a esperança. “Eu sempre achava que da próxima vez ia dar certo. E deu. O Tomé, que hoje estuda psicologia, trabalha, é bom pai e marido, só conseguiu parar de se drogar depois da 28ª internação”.
Bebedora social de vinho e querendo deixar de fumar, Luiza diz que driblou a ansiedade, mas admite que morre de medo hoje de que seus filhos usem drogas e também por isto abraça a causa da prevenção. “Digo para meus três filhos que o tio foi embora da terra por causa disso. Vivi cercada de mentiras e acho que o melhor remédio é a verdade. Franqueza e limites claros”, diz a atriz, casada há 15 anos. “Esse é o presente de Deus: a vida”, conclui ela, que volta às telinhas na próxima novela de Lauro Cesar Muniz, no segundo semestre, na Rede Record, mesma emissora na qual viveu recentemente a personagem Samanta, na novela “Bela, a feia”.
JANEIRO DE 2011
O Tchan ainda causa estragos
Nova loira do grupo para o trânsito na Barra e jura que na Bahia a banda ainda faz o mesmo sucesso
Uma dançarina fotografa na orla da Reserva quando uma batida acontece. Um taxista, encantado com as curvas da moça, ressaltadas por um curto vestido, não vê o sinal fechar e acerta a traseira do Honda à sua frente. Pronto! Quem disse que o É o Tchan! (furacão que varreu a década de 90 vendendo mais de 6 milhões de CDs - veja quadro) não causa mais estragos? A responsável pela colisão atende pelo nome de Karol Loren. Ela é a nova loira do Tchan. E, claro, como diz a letra da música, é linda. Tem olhos verdes, 24 anos, 1,64m de altura, 66 cm de cintura e 102 cm de quadril. O grupo pode não ser mais o mesmo, mas as suas loiras...
“Na Bahia, o É o Tchan! continua com o mesmo sucesso que estourou no Brasil no ano 2000”, jura a loira. “E agora, em 2011, está voltando com tudo, se preparem. Estamos bombando. Passei réveillon e natal trabalhando. No Carnaval, por exemplo, vamos fazer três shows por dia”, avisa a beldade, que mora na Barra, está solteira e é formada em design.
Exigente consigo mesma, ela diz que pretende fazer mudanças no corpo para ficar ainda melhor. Quer colocar silicone e reforçar a malhação. “Frequento uma médica ortomolecular, faço dieta e malho para manter tudo em cima, mas gostaria de mudar umas coisinhas no meu corpo. Quero colocar silicone, acho que o formato do seio fica mais bonito. Mas acho que ainda vai demorar um pouquinho, porque estamos bem enroladas com shows, não está dando tempo. Também quero engrossar minhas pernas", diz ela.
Coincidência ou não, a parte que Karol mais admira no próprio corpo é o seu tchan, ou melhor, o bumbum. “Gosto muito do meu bumbum. Também curto meus olhos, mas o bumbum é lindo, tem um formato bonito”, declarou numa entrevista para o site Paparazzo. No ensaio, numa mansão no Alto da Boa Vista (vale conferir em www.paparazzo. com.br) ela colocou a mão no joelho, deu uma abaixadinha e não descartou a possibilidade de posar nua. “Nunca digo nunca. Mas tenho bem claro na minha cabeça que, por enquanto, é melhor não. Não é o meu intuito. Quero mostrar meu trabalho para depois pensar em outras coisas”.
Se ela pensar em outras coisas como as Sheilas Melo, Carvalho e Carla Perez, que juntas somam mais de dez capas da Playboy, sorte dos marmanjos de plantão...
Bate-bola com o tchan dela
Por que se formou em design? Chegou a atuar na área?
“Não cheguei a atuar na área, mas sempre gostei de criar, e de tecnologia também, por isso optei em fazer design”.
Quem tem tchan no Brasil?
“Victor, da dupla Victor e Léo...rs”.
Qual é o tchan da Barra?
“A paz, e a tranqüilidade”.
Qual é o tchan da Karol Loren?
“Caráter, isso ninguém muda”.
Qual o tchan que a Karol olha primeiro num homem?
“A personalidade”.
Jornalista chegou a pedir a prisão do grupo
E pensar que já se passaram duas décadas desde que aquele grupo capitaneado por Beto Jamaica, com backing vocals de Cumpadre Washington e as coreografias calipígicas protagonizadas por Carla Perez, Débora Brasil e Jacaré emplacou em todas as rádios com a “Boquinha da garrafa”, época em que o grupo ainda atendia pela alcunha de Gera Samba. Quando mudou o nome para É o Tchan!, a banda estourou com “Segura o Tchan”. Ambas as músicas, com versos de rara (literalmente) poesia.
O grupo tomou um chá de sumiço, integrantes foram e voltaram. Os vocalistas Jamaica e Cumpadre Washington (que retornam na nova formação do grupo) cederam lugar a Tony Salles e Renatinho da Bahia. Carla Perez, Débora Brasil e Jacaré foram substituídos por Sheila Mello e Scheila Carvalho.
Alguns integrantes fizeram mais ou menos sucesso. Jacaré, por exemplo, faz as vezes de mestre Mussum, na Turma do Didi. Sheila Mello, após ter sido capa por três vezes da Playboy, participou do programa A Fazenda, na Record, e casou-se com o nadador Fernando Scherer, o Xuxa. E Scheila Carvalho (seis capas da Palyboy) casou-se com o ex-vocalista Tony Salles, e volta e meia surge apresen-tando algum programa de TV.
DEZEMBRO DE 2010
Menino do Rio
Aos 56 anos, Evandro Mesquita continua batendo um bolão. “Ele atua, escreve, dirige, toca e até canta”
Por Luiz Neto
Está escrito no site da Blitz: “Nunca houve um menino do Rio como Evandro Mesquita. São mais de 50 anos de praia muito bem conservados num corpinho de 30. O cara atua, escreve, dirige, toca e até canta. Depois de fazer parte do fenômeno musical mais pop dos anos 80, Evandro emprestou seu carisma às novelas, ao cinema, voltou ao teatro e, sempre que o vento sopra a favor, reúne a Blitz para novas aventuras”.
Atire a primeira pedra no monitor o cara que nunca sonhou em ter uma banda, ser ator e permear o imaginário de um punhado de gatas, desde sempre. E, além de tudo isso, ser boa pinta. Pode-se dizer que Evandro é aquela mulher toda perfeita, que gera sempre o comentário sarcástico: “Deve ter mau-hálito, ou chulé”.
Então, o que será que esse cara tem de ruim? “Escovo bem os dentes e lavo o pé. Tento ser um cara melhor a cada dia. Às vezes, não consigo, mas a tentativa é boa”, brinca o artista, que não tem tempo pra nada, mas faz de tudo. “Tô meio zumbi. Apresentei o prêmio do Craque do Brasileirão no Teatro Municipal e hoje, às 8h, já estava na natação da minha filha cantando parabéns e ouvindo os gritos de várias crianças no “É big, é big!”. E ainda tenho que te responder essas muitas perguntas”.
Bora então num jogo rapidíssimo com a fera, antes que ele desligue o computa-dor e vá tirar um cochilo no seu casarão encarapitado no Itanhangá.
Quando a sua filha de 3 anos – além da pequena Alice com a esposa atual, ele tem uma filha de 23 anos do primeiro casamento – estiver com 17 anos você terá 70. Você para pra pensar nisso?
“Às vezes, penso, sim. Quero acompanhar minhas filhas o máximo de tempo que me for dado”.
Acha-se melhor como o Carlão da “Grande Família”, ou como vocalista da Blitz?
“Aprendi com bons mestres a entender a arte como um todo. Viver é uma arte e essas coisas se confundem. Me jogo de cabeça no que estiver fazendo. Acho que o resultado do que sou é fruto do amor enorme que tive do pouco tempo que vivi com meu pai e com minha mãe. Eles me deram muito amor e bons exemplos de vida.
Você costuma falar frases marcantes em suas entrevis-tas, como: “O beijo na boca é mais importante que as bodas de ouro”. Você é um frasista, ou as escuta em algum lugar e sai espalhando?
“Essa do beijo é minha. Faço umas pela minha veia de repentista e compositor e pego as melhores de outros, dando a autoria e espalho ao vento”.
Você tem mais de 4 mil amigos no Facebook, mais de três Orkuts, sem contar as comu-nidades da banda e dos seus personagens na TV. Quantas pessoas têm no seu MSN? Passa quantas horas na rede?
“Tenho dificuldade no Facebook. Tinha cinco Orkuts, não entro mais em nenhum. Odeio MSN. Tenho curtido bastante o twitter (@evandromesquita) porque são tiros rápidos. Só manchete. Respondo a quase todos. Passo algumas horas na rede, mas prefiro a rede do Dorival Caimmy.
Qual o sonho do Evandro?
Como diz a Cinderela: “Sonho é segredo. Ou, não se realiza”, e “Quem tem um sonho não dança”, Cazuza.
Dicas de quem entende do riscado
Com mais de 50 anos de praia, ele faz um raio x do verão na Barra da Tijuca
Qual o melhor lugar da praia?
“O que estiver limpo, com bons amigos numa rede de futevôlei e um mar com ondas boas e pouca gente dentro d’água”.
Quem vai ser a mala do verão?
“A mosquita da dengue”.
Tirando a Blitz, claro, qual vai ser o som da estação?
“The Fabulous TAB. (Tropical Acoustic Band.) Uma banda de amigos, onde tocamos alguns hinos dos anos 70. Apenas diversão”.
O que é mico fazer na praia?
“Sujar, jogar frescobol no horário das crianças com força e raiva de bater em patrão”.
O que você expulsaria da praia?
“Cigarro, frituras e metade das barracas”.
Quem você barraria na praia?
“A praia é pra todos. Mas nem todos deveriam ir ao mesmo tempo, né? Tem muito flanelinha pra pouca vaga também”.
Qual o segredo do rosto de 36 aos 56, com tanto sol?
“Cara que mamãe beijou”.
Algum tratamento especial para a pele?
“Não ligar muito pra isso. Não se olhar a toda hora no espelho. Sem me olhar no espelho, ainda acho que tenho 25. Depois cai a ficha”.
Quem é o rei da praia?
“Não sei. Conheço o Rei do Bacalhau”.
NOVEMBRO DE 2010
Fôlego de gato
Com o teatro lotado, a atriz Mônica Martelli saboreia o sucesso à beira dos 40
Por Luiz Neto
Mônica Martelli tem café no bule. Digamos, tem borogodó, coloca o palco em 3D. Pelo menos nas opiniões de Miguel Falabella e da temida crítica de teatro do jornal O Globo, Bárbara Heliodora. “Ela tem um fôlego de gato, além de um humor contagiante, abraça a platéia com sua simpatia”, dispara Bárbara. “É carismática e sustenta o texto com muita propriedade. Ela tem um humor inteligente”, ratifica Falabella. Como não dá para discutir com esses caras, só nos resta emplacar a capa desse mês com a moça, que está em cartaz no Teatro dos Grandes Atores com a peça “Os homens são de Marte...e é pra lá que eu vou!”.
Rotulada por amigos e familiares como “a fracassada”, Mônica só conseguiu preencher as exigências sociais de uma vencedora à beira dos 40. Mas ela recorda a fase com humor. “Fazia de tudo para pagar as contas. Fiz até uma tartaruga no antigo programa da Angélica. Deram-me um casco enorme para vestir. Lá fomos, o macaco e eu, para a gravação. Para chegar lá, a gente tinha que entrar numa van, e o casco da tartaruga não passou pela porta. Tomei distância e me taquei dentro da Van para poder passar. Caí dentro do veículo, mas a roupa começou a me enforcar, e eu só conseguia falar baixinho: ‘Macaco, não tô legal. Me ajuda’. Eu não sabia o nome do ator que fazia o macaco, mas precisava de ajuda, não estava conseguindo me mexer. E o macaco achou que era sacanagem minha”, lembra a atriz que bateu um papinho com o editor da Folha, Luiz Neto.
Você iria para Marte atrás de um grande amor?
“Com certeza. Iria até de balão! A vida sem um amor é uma vida em preto e branco. As alegrias e as tristezas que o amor traz, fazem parte da minha vida. Sempre tive que lidar com esses sentimentos. Sempre estive apaixonada por alguém. Raramente deitei minha cabeça para dormir sem ter alguém no meu pensamento. Mas o melhor de tudo no amor é quando esse amor é correspondido, aí é um êxtase”.
Quem você deixaria em Marte para sempre?
“Todos os homens que têm medo de amar e se relacionar! Ih, melhor não, né? Ou não sobrarão homens nesse planeta”.
Acredita mesmo nesse papo das solteiras de que falta homem no mercado?
“Faltam encontros de verdade. É muito difícil encontrar alguém especial. Os homens estão com medo de se envolver, falar em compromisso com eles é querer que eles sumam sem nem deixar pistas. As mulheres também estão mais independentes, mais livres e sabem o que querem. Assim, estão mais exigentes também. Os homens ainda estão confusos e inseguros para lidar com essa nova mulher que ganha como ele, toma decisões, mas ao mesmo tempo quer um amor, ficar abraçadinha e dormir de conchinha. Difícil, né? Mas é possível!
Te incomodava o fato de até então ter sido a coadjuvante e de ter apostado em si própria para poder trabalhar? Vejo que você brinca muito com isso...foi uma fórmula que encontrou de fazer as pessoas gargalharem com o roteiro de sua própria vida?
“Não me incomodava, o problema é que muitas vezes nem coadjuvante eu era, fazia pontas o que é bem diferente e muito pior, porque existem grandes papéis de coadjuvante. O que me incomodava era não conseguir me sustentar com minha profissão. Todo mês tinha que receber alguma ajuda para não terminar no vermelho, ou da mãe, ou da irmã ou do irmão...Então, ao invés de ficar esperando que alguém tivesse um olhar diferenciado pra mim e me convidasse para fazer um bom trabalho, eu me convidei . Escrevi minha peça, produzi e estreei. Hoje dou gargalhadas com as minhas histórias, com todas as roubadas que já fiz nessa profissão. Não existe fórmula para as pessoas gargalharem, existem histórias de vida que dependendo do seu olhar para elas são engraçadas ou não. Tudo que eu conto poderia ter um olhar dramático. Mas eu prefiro rir das minhas próprias desgraças”.
Como recebeu os elogios de pessoas como o Miguel Falabella e a crítica Bárbara Heliodora?
“Foi muito gratificante. A Barbara é a crítica mais temida do país. E a crítica dela de “Os homens são de Marte...!”, foi mais que boa, foi excelente. Ela falou bem de tudo. Eu fiz um banner da crítica e coloquei na porta do teatro. O Miguel foi na minha estreia há cinco anos. Quando acabou a peça, ele falou: “Você tem um grande sucesso nas mãos! Essa peça vai acontecer”.
OUTUBRO DE 2010
Ela fez justiça com o próprio corpo
Após concluir duas pós-graduações em Direito, Lucilene Caetano desistiu dos concursos públicos, virou musa e apresentadora de TV
por Luiz Neto
Prepare-se para fazer um concurso público. Complete duas pós-graduações em Direito, vire noites estudando e concentre-se para as provas. Durante a preparação, surpreenda: faça uma dieta, e malhe muito para ter um corpo escultural. Deixe os livros de lado e faça algumas loucuras também: aprenda a cantar o hino do seu time e treine alguns chutes a gol. Pronto! Você acaba de virar apresentadora de televisão e se tornar a Musa do Brasileirão. À exceção da dieta, foi mais ou menos isso que aconteceu com Lucilene Caetano. Antes de derrotar mais de 8 mil candidatas e ficar entre as quatro finalistas do já famoso concurso, do programa Caldeirão do Huck, em 2009, Lucilene tinha um escritório de advocacia em Goiânia. “Aos 23 anos eu já era pós-graduada em Direito e Processo Civil”, lembra a moça, que decidiu trocar a burocracia pelos flashes e glamour da carreira artística.
Ok, Lucilene você também sabia cantar o hino do seu time de coração, o Goiás. Uma das exigências do programa global mais fáceis para a modelo. Desde pequena ela frequentava o estádio do Goiás, o Serra Dourada, incentivada pelo irmão. Os estudos caminhavam bem, mas junto com uma certa inquietação. O pai era presidente de partido político e ela cresceu assistindo a comícios. “Saía pela cidade no carro de som com o microfone pedindo votos”, recorda.
Quando chegou ao Rio de Janeiro e foi logo estudar jornalismomesmo com as portas que se abriram após sua participação no Caldeirão. Emplacou um editorial de moda nas páginas da “Que passa Vegas”, uma das maiores publicações do estado americano, que rendeu também uma participação no site da revista, o “Cassino Billionare”. Em seguida, representou a beleza das mulheres mais estilosas do mundo no portal britânico, Pop Girl; e foi eleita musa do futebol brasileiro pela TV Maganize, revista da África do Sul, após ter seu documentário exibido no continente africano. A gata avisa que, em breve, também vai apresentar um progra-ma de esportes na TV aberta. “Só não posso revelar em que canal”, diz.
Por enquanto, a vida de Lucilene está, digamos, cheia de flashes. Recebeu o título de Musa Oficial do Futebol Brasileiro, durante a entrega do troféu Top of Business, em São Paulo e não para de posar para editoriais.
Na faculdade Estácio de Sá, aqui na Barra, porém, ela é apenas mais uma aluna. Passa discreta pelos colegas. Saca aquele sotaque inocente de goiano? Lucilene é assim. Ou, quase assim. Pisa no calo da menina pra você ver. “Injustiça me tira do sério. Acho que tem a ver com a minha formação. Mas quando vejo algo errado,tomo as dores, reajo”, observa. “Até na fila do banco e supermer-cado. Sou a primeira a perguntar: Como é que é, não podem colocar mais um caixa para trabalhar aí, não?”.
Luciene está solteira. Mora no Barra Sul com a Pipoca e a Meg, suas duas cachorrinhas. Tem um Tucson preto que dirige embalada por Zezé Di Camargo e Luciano; Leonardo; Victor & Leo e algumas músicas eletrônicas de vez enquanto. Pintou de Pink as unhas dos pés e das mãos, e fez mechas california-nas nos cabelos “Para dar uma clareada”. Costuma fazer a linha terninho, equilibrando com um shortinho, “Para nunca deixar as duas partes à mostra”. Frequenta a praia do Pepê e a Reserva e gosta de sair sozinha. Até pra ir ao cinema. Curtiu “Nosso lar”, é espírita – começou a estudar a religião quando perdeu o irmão de 20 anos num acidente de carro – mas ainda não encontrou um centro na Barra. Frequenta a igrejinha do seu condomínio e morre de saudades da família. Vive colada com o seu Blackberry, tem mais de três mil amigos no Orkut, mais um punhado no MSN e no Facebook. É twitteira. Malha 1h30 por dia, mas vive se lambuzando com fast food. Uma genética generosa, mas que deixou os frequentadores dos fóruns da cidade menos felizes. A justiça tarda, mas não falha...
SETEMBRO DE 2010
A criança cresceu
Aos 21 anos, ela comandou o elenco de “As cariocas”, na Globo
Natália Soutto sabe o que quer. A menina infantil, que começou na TV aos nove anos no programa “Gente inocente”, foi expulsa de casa por ela própria. No lugar da criança, entrou um mulherão, como ficou comprovado no ensaior sensual que ela fez recentemente para a revista “Manaus”. Mas não é apenas isso. Aos 21 anos, Natália se formou em cinema e virou assistente de direção da minisérie “As cariocas”, que estreia em outubro e tem no elenco Angélica, Paola Oliveira, Grazzi Massafera, Sônia Braga, Alessandra Negrini, Adriana Esteves e Deborah Secco. Internauta de carteirinha e moradora da Barra, ela bateu um papo pelo MSN com o editor Luiz Neto.
Luiz Neto diz:O que você faz exatemente como assistente de direção?
Natália diz:Fico responsável por todos os atores do filme, a partir do momento que eles são escolhidos. Envio roteiro, conversamos sobre datas, vejo qualquer problema que eles possam ter. Tudo relacionado ao elenco escalado pelo diretor eu sou responsável, além de resolver os problemas que possam ter no set de filmagem. É engraçado, pois alguns atores já me conhecem e quando me vêem como assistente de direção levam susto. Foi assim com a Deborah Secco, com a Angélica, com a Sônia Braga...
Luiz Neto diz:Mas vem cá: como é “ficar responsável” pela Sônia Braga?
Natália diz:A gente conversa sobre as datas de filmagem, sobre os possíveis problemas que possam ter durante as filmagens, conversamos sobre o texto, organizo a ida e volta dela da gravação, enquanto estamos filmando tudo ela pergunta pra mim, qualquer dúvida. A Sônia é um amor. Me apaixonei por ela. Trocamos e-mails de vez em quando até hoje, que já terminaram as filmagens. Ela é o máximo.
Luiz Neto diz:O que a Deborah Secco e a Angélica falaram especificamente pra você?
Natália diz:A Angélica falou que não acreditava que tinha me visto tão pequena e que agora ficava falando pra ela o que fazer...hehe. A Deborah disse que se soubesse que era eu que falava com ela a meses no telefone, ela teria pedido pra eu facilitar a vida dela.
Luiz Neto diz:Já aconteceu de pensarem: “Não vou dar bola para essa menina”?
Natália diz:Se pensaram, não me falaram. Mas tento não deixar isso acontecer. Os atores sabem que sou boa no que faço e confiam em mim. Eu também me imponho. não deixo eles serem abusados pois conheço ator, afinal de contas sou uma né?
Luiz Neto diz:E você é abusada?
Natália diz:Não, mas tem alguns atores que tem o hábito de abusar do assistente de direção. Tipo, como se o assistente fosse babá deles. E não é assim que funciona.
Luiz Neto diz:Você chegou a dizer “Ainda me vêem como a menininha dos programas infantis da Globo”. Te incomoda isso?
Natália diz:Às vezes. Eu tenho 21, apesar de não aparentar quando não me produzo. Mas não quero ser vista como menininha.
Luiz Neto diz:Fale-nos um pouco desse trabalho na revista. Curtiu as fotos sensuais?
Natália diz:Adorei! Nunca tinha explorado esse meu lado “mulherão”. Todo mundo adorou. Meu pai ficou chocado e até comentou: “Nossa, minha filhinha cresceu mesmo”.
Luiz Neto diz:Posaria nua um dia?!
Natália diz:Acho que vai demorar para, hehe. Mas não descarto a possibilidade se as fotos forem bonitas e sem vulgaridade.
Luiz Neto diz:Se você olhasse no seu MSN agora e visse “Lula acabou de entrar”, o que diria pra ele?
Natália diz:Acho que iria bloquear, haha. Pode ser que eu esteja falando besteira, mas um país como o Brasil ter um presidente que não chegou nem ao ensino médio é um absurdo. Para ser gari a pessoa tem que ter o ensino médio.
Luiz Neto diz:“Daniel Filho (diretor de “As cariocas”) acabou de entrar”.
Natália diz:Oiii, quando é o seu proximo filme? hahaQuero trabalhar com ele novamente.
Luiz Neto diz: “Brad Pitt acabou de entrar”.
Natália diz:Teria um ataque cardiaco.
Luiz Neto diz: “Tédio acabou de entrar”.
Natália diz:Mando ele ir embora.
Luiz Neto diz:O que vai fazer quando acabar o papo?
Natália:Correr para a academia e me matar para queimar o jantar de ontem na Porcão.
AGOSTO DE 2010
“Não é nada disso que você está pensando”
Cada vez mais casais se separam ao descobrirem traição através da internet e brigam por causa de ciúmes virtuais
por Luiz Neto e Heloise Ornelas
Os mundos real e virtual da atriz Rogéria Capetine (foto) se confundem. Ao mesmo tempo em que ela se prepara para estrear no cinema com o filme “Não é nada disso que você está pensando”, a bela confessa que descobriu pela internet que seria traída. Criou até um perfil falso no Orkut e outro no MSN para testar a fidelidade do marido. “Resolvi marcar um encontro e ele aceitou na hora”, conta. Ao marido, talvez, só tenha restado responder o tradicional: “Não é nada disso que você está pensando”.
Casos como o da atriz são cada vez mais comuns em tempos de internet e reunimos aqui algumas histórias que mostram que ficou para trás o tempo em que marcas de batom na camisa eram a única prova de infidelidade.
Praticamente detetives particulares de relacionamentos, os internautas de carteirinha quase nunca abandonam a sua ferramenta de trabalho. Moradora do condomínio Península, Capetine está sempre com seu notebook por perto. Costuma dizer que é como se fosse o seu estojinho de maquiagem que ela leva para todos os lugares. Para responder a essas perguntas, enviadas pela Folha por e-mail, ela parou a corrida na praia, fez um pit stop num quiosque para uma água de coco e abriu o seu brinquedinho.
Poderia nos contar um pouco mais sobre a experiência de testar a fidelidade do seu marido pela internet?
“Criei um perfil falso no Orkut, um no MSN e comecei a paquerá-lo. Trocamos ideias durante uns meses até que ele começou a pedir para ligar a webcam. Resolvi marcar um encontro e ele aceitou na hora, mas desisti. Tudo que conversei na internet era suficiente para saber o que eu queria. Ele deixou claro que me trairia.
Faria isso outra vez, com outra pessoa?
“Com certeza. Mas agora os homens vão tomar cuidado comigo (risos)”.
Você acha que a traição virtual, aquela que não sai do computador, pode ser considerada uma traição de fato?
“Hoje em dia é normal namoro pela internet. Tenho vários amigos que se conheceram na rede e estão namorando e outros casados até hoje. Traição é traição, mesmo sem sair do computador”
Até que o Orkut, o e-mail e o MSN os separe
Uma conversa mais picante no e-mail, recados no Orkut, MSN: tudo é motivo para desconfiar. Com tantas alternativas de comunicação virtual, Liliane Fernandes resolveu fazer marcação cerrada com o marido. Moradora da Barra, ela conheceu o seu par num site de relacionamentos e sempre confiou no parceiro. Bastou, porém, ele esquecer um dia a caixa de e-mails aberta para ela bisbilhotar. Para sua surpresa, encontrou uma conversa do a-mado com a ex-namorada. “Vi um e-mail em que a ex dele perguntava se ele havia se casado. Ele respondeu que não, pois estava esperando por ela”, conta Liliane.
A confusão gerou ao casal, que está junto há três anos, uma briga de mais de uma semana. Liliane ainda descobriu a senha do MSN do marido e bateu um papo com a ex-namorada se passando pelo companheiro. “Fingi que era ele e disse que ela tinha que conhecer a esposa dele, que estava apaixonado e que ia ter um filho”, assume. Depois de muita discussão e pedidos de desculpas, o casal fez as pazes. “Agora ele deixa o e-mail aberto de propósito para brincar comigo”, diz a apaixonada.
A traição pode até não existir, mas quando existe desconfiança a internet é um problema. Maria Eduarda Serrano e Leonardo Braga, moradores do Recreio, namoram há cinco anos, mas passaram os dois primeiros anos de namoro brigando por causa da internet. “Eu pedia a senha dele e ele não dava. Achava que estava devendo”, conta a estudante.
Eles admitem que acham a confusão coisa de namoro de adolescente, mas morrem de ciúme com mensagens no Orkut. “Depois de uma briga por causa de recadinhos na internet, ela mudou a senha. Insisti no número, entrei no Orkut dela e vi um depoimento de um rapaz. Fiquei morrendo de ciúme”, assume Leonardo.
Com muita conversa, o casal amadureceu e garante que a internet não é mais motivo de briga. “Aprendemos a confiar um no outro e agora entendemos que mensagens de amigos são simplesmente recados e nada mais”, explica Maria Eduarda.
Com a dentista Fernanda Freitas (na foto abaixo) não teve conversa. Com um lap top no seu consultório, no Downtown, e outro em casa, ela é daquelas que acordam de madrugada para ler e-mail. Um dia, resolveu viajar com o amado para Fortaleza. Ele pediu para um amigo, que morava na cidade reservar um hotel para o casal. O desfecho está no diálogo a seguir:
– Fê, não consigo falar com meu amigo e não lembro o nome do hotel.
– Sem problemas, você não falou com ele pelo Skype? É só olhar por lá.
– Mas como? Não sei fazer isso.
– Chega pra lá que eu faço, é rapidinho, olha só. Vai aqui no histórico que a gente vê tudo.
Foi então que ela eu viu tudo mesmo:
– E aí, cara, chegou bem? Eu estou ótimo. A namorada um chegou? O hotel tá reservado, mas olha lá hein!
– Pode deixar, me aguarda que continuaremos nossa saga com as namoradas.
“Foi o início do fim. Depois de uma explosão hipertensiva, fiquei uns 20 dias com a vista meio turva, mas hoje estou melhor”, lembra Fernanda.
Para a psicóloga Eloiza Oliveira, tanto o homem quanto a mulher precisam de individualidade: “O casal tem que se questionar até onde os dois devem abrir todas as senhas. Para ser feliz não precisa ser tão transparente. O importante é a confiança de cada um”. A vontade de vasculhar a vida do amado é normal, de acordo com Eloiza, mas bisbilhotar em excesso é sinal de insegurança. “Se a pessoa está desconfiando e vai investigar na internet, é porque na vida real já existe suspeita ou o indivíduo quer encontrar uma forma de terminar a relação”, conclui.
Descobrindo senhas
Não faltam opções de programas para se monitorar MSN e descobrir senhas. O MSN Spy Master 2010, por exemplo, promete gravar todas as conversas do messenger atuando de forma totalmente invisível. Na maioria das vezes a pessoa recebe um arquivo e, ao abrir, passa a ter o computador monitorado.
O técnico de informática João Diniz recomenda a todos que querem ter as suas senhas preservadas que jamais abram arquivos de quem imagine querer saber a sua senha.
A quem tem um computador e gostaria de apagar as conversas que já teve ele recomenda: “Só formatan-do o HD e mesmo assim não é garantido que não vá ficar nenhum rastro”.
Potanto, se você tem culpa no cartório, afunde o seu HD na água.
JUNHO DE 2010
Chuva de violinos
Músicos invadem a região com o instrumento e contam porque trocaram o clássico pelo rock
por Luiz Neto
Ele costumava se trancar no quarto aos cinco anos para escutar discos cujas trilhas sonoras eram solos de violino. Nossa, que menino erudito, você pode pensar. Ledo engano, caro leitor. Você caiu na mesma pegadinha que a mãe do menino. Allyrio Mello colocava o som para fingir que estava estudando o instrumento. Até que um dia a casa caiu. A mãe entrou no quarto e deu de cara com a vitrola. A cena engraçada rendeu bons frutos e o garoto se tornou bacharel em música. Violinista, integrou, entre outras orquestras, a Filarmônica do Rio de Janeiro e chegou a fazer um show para a rainha da Espanha, em Portugal.
Mas a praia do cara sempre foi o pop rock e a MPB. “Onde tinha MPB eu me metia”, recorda Allyrio. “Não dava para ficar só no clássico. O marido da minha amiga tem 30 anos de orquestra e ganha R$ 4 mil. Eu tiro muito mais que isso num show fechado”, conta ele, que se apresenta no bar Cafe London, no Città America no dia 26 de junho, às 22h. Morador do Barra D’ Oro, ele só vai precisar atravessar a rua para fazer o seu show performático com repertório que vai de Zorba, o grego, a Dire Straits. “Ele só falta fazer chover”, elogia a amiga e vizinha Elaine, que não perde um show do violinista.
O caminho percorrido até o tempero inusitado no rock
Após o show no Città, Allyrio arruma as malas para participar de mais um Brasilian Day, em Nova York (um show de artistas brasileiros nos EUA). Acostumado com as viagens, ele chegou a morar num navio durante quatro anos fazendo shows num cruzeiro internacional. Bailarino nas horas vagas, quando o navio balançava ele começava a fazer performances com o instrumento. Nascia ali o show man Allyrio Mello. Discriminado pelos colegas de orquestra porque tocava rock, começou a receber ligações desses mesmos músicos querendo que ele os ensinasse a tocar na noite.Durante dez anos, Allyrio se apresentou no antigo restaurante Pizza Palace, na Sernambetiba. “Aluguei um apê ali para ficar um mês e acabei morando lá por uma década”, recorda.
Mas Allyrio não está sozinho nesse barco. Um trio de moças bonitas, a banda Ruanitas, também aposta no instrumento em suas apresentações. O show é de rock, mas a violinista Jane Soren (foto à esquerda) dá o tom diferente aos acordes da banda.
Jane não colocava disco para fingir que estava estudando, mas a menina queria tocar harpa. “Meu pai falou que precisaria vender o carro para comprar uma. Então parti para a clarineta. Aí, meu professor falou que eu era muito nova. Lá fui eu para o violino”, recorda.
Convidada para fazer parte da banda, rejeitou algumas vezes o convite, mas foi tragada pelo bom e velho rock and roll. “Tocar clássico é bacana, mas tocar uma coisa que as pessoas cantam junto é outro esquema”, empolga-se ela, que costuma se apresentar no Barril 8000 do Recreio e no Galeria Gourmet do Downtown.
Outra fera do violino que empresta o seu talento para o rock é Rique Meirelles. Aos 24 anos, ele toca desde os 14. Rique também não ligava a vitrola para enganar a mãe, mas confessa que estranhou a força dos pais no início. “Não sei como eles me apoiaram. No começo, o som que sai é mesmo esquisito. Parece até que você está matando um bicho”, lembra o jovem, que faz parte da banda Lágrima Flor, outro grupo que costuma se apresentar pela região.
Professora de violino da escola Movimento Musical, no Downtown, Tina Werneck apoia o casamento do instrumento clássico com o rock e a MPB. “Acho maravilhosa essa ‘mestiçagem’. Só deixo claro que primeiro deve-se aprender a tocar para depois pirar”, comenta Tina. “Eu mesma toco MPB e jazz no violino”. A professora (na foto ao lado de camiseta branca) reconhece a fama de difícil do instrumento: “Todos os instrumentos são difíceis e exigem muita dedicação. Isso se você quiser dominá-lo bem, é claro. O violino é difícil especificamente porque não tem as marcas das divisões entre as notas, chamadas trastos, que há, por exemplo, no violão. Portanto, tocar afinado no violino demora um pouco mais e depende de todo um conjunto de coisas: movimento correto de dedos, ouvido atento, conhecimento musical etc”, completa.
Com tudo isso, segundo Tina, é possível para uma pessoa que nunca tocou o instrumento tirar uma música na primeira aula. “De duas décadas para cá, usa-se um método japonês bastante eficiente chamado Suzuki, que faz com que o aluno aprenda a tocar músicas desde o primeiro dia. O grau de dificuldade aumenta sutilmente, fazendo com que a pessoa sinta logo o prazer de tocar”.
Onde aprender
Escola de música Movimento Musical. Aulas às quartas-feiras.
Endereço: Downtown, bloco 8, loja 135. Telefone: 3084-0920.
MAIO DE 2010
Ventos pioneiros
Pós-graduado em sustentabilidade, síndico do condomínio Via Barra entra para a história da região
(na foto ao lado:José Walter mostra a hélice que capta o vento no topo do seu prédio)
O kite surf perdeu um atleta, mas o condomínio Via Barra ganhou um serviço de primeiro mundo. Depois que desistiu do esporte devido ao alto grau de dificuldade, o síndico José Walter não sossegou enquanto não descobriu uma maneira de se beneficiar do maior amigo dos praticantes de Kite: o vento. Pós-graduado em sustentabilidade, ele correu atrás de um serviço ainda pioneiro no Rio de Janeiro em condomínios residenciais, a energia eólica. Uma energia que provém do mesmo vento que tornou o esporte impraticável para Walter. “A cada tombo que levava da prancha eu pensava que tinha que haver uma maneira de me beneficiar da força absurda que aquele vento exercia”, lembra o síndico. Após muito estudo e pesquisas na internet, conseguiu o equipamento e bolou ele próprio o programa piloto que dá ao seu condomínio o título de primeiro prédio do Rio de Janeiro a utilizar esse tipo de recurso energético.
Os benefícios foram tantos e a redução na conta de luz tão grande que, após a instalação do serviço, técnicos da Light estiveram várias vezes no prédio na tentativa de descobrir um possível “gato”. “Os caras ficavam igual a uns malucos com o medidor para saber se o relógio do prédio havia sido alterado. Chegaram até a trocar o aparelho achando que estava com defeito”, recorda Walter. “Reduzimos a conta de luz de R$ 27 mil para R$ 19 mil”.
Economia, conscientização e valorização do imóvel
(foto ao lado: A hélice sendo instalada)
Walter recorda que antes de instalar o sistema eólico, comprou um equipamento pequeno que mede a força do vento. Três vezes por dia, durante seis meses, ele ia com o aparelho no topo do edifício fazer os cálculos para a instalação da hélice que transforma o vento em energia. “Era como se eu fosse um velejador colocando um barco para navegar”, compara o síndico. “Tinha vezes que ventava tanto que eu precisava ficar segurando em alguma coisa para não me desequilibrar”.
Olha o vento de novo querendo derrubar o sujeito. Só que dessa vez ele não estava em cima da prancha e não podia cair. O filho do vento então foi mais rápido que o seu criador. E em menos de 30 segundos conseguiu a aprovação do projeto numa assembleia. Antes, ele fez uma apresentação para os moradores mostrando todos os benefícios da instalação da energia eólica e apresentou o orçamento de R$ 12 mil.
“É melhor do que você ter uma piscina, já que não é um benefício egoísta. Estamos pensando nos moradores, no planeta, na sociedade e no futuro dos nossos filhos”, incensa o síndico.
Dono de uma imobiliária, o morador do prédio Pedro Paulo diz que, com a chegada da energia eólica, houve também uma valorização considerável dos imóveis no prédio. “Só o conceito de economia já gera um boca a boca muito bom. Um imóvel aqui hoje é vendido muito rápido”, comenta Paulo. “Hoje em dia podemos manter as luzes das escadas acesas o tempo todo, por exemplo, que nenhum morador vai reclamar do consumo de luz. Elas estão sendo alimentadas pelo gerador que foi totalmente abastecido com a energia eólica”.
Condomínio sustentável
Segundo Walter, o Via Barra é um condomínio sustentável e ecologicamente correto. Ele lembra ainda que, além da energia eólica, o prédio trabalha também com o sistema de coleta de água de chuva. “Isso significa parar de lavar a garagem, escada e jardins com água pura e uma redução na conta de R$ 35 mil para R$ 29 mil”, explica.
A reciclagem de óleo de cozinha e de lixo também faz parte da rotina do Via Barra. “Isso tudo tem um impacto direto na vida do morador. Mais consciente, ele não vandaliza o condomínio”, diz Walter. “Até a feira de artesanato do prédio é feita com material reciclável”, lembra o MBA em sustentabilidade. “Estudei para colocar em prática no dia-a-dia os ensinamentos. Isso é o mais importante”, finaliza.
ABRIL DE 2010
Quem não quer um anjo desses?
Joseane Oliveira: a ex-miss Brasil que fez de Marcelo Dourado o campeão do BBB
Vai dizer que você não queria um anjinho desses na sua vida? Um amuleto que te salva do perigo e ainda coloca R$ 1,5 milhão em sua conta bancária. Um protetor de 1.81cm de altura, curvas esculturais e lábios de Angelina Jolie. Se você for um lutador, suas chances aumentam. O de jiu-jítsu, Marcelo Gardenal, namora o anjo há três anos. Um outro, é mais sortudo. Nunca namorou o monumento, mas graças a ele faturou a décima edição do Big Brother Brasil. Joseane Oliveira deu o anjo para Dourado e o salvou da morte. Foi devorada pelas garras dos outros participantes do BBB, picou a mula da casa, mas carimbou a vitória do lutador. “As pessoas me param na rua para dizer que gostariam de ter um anjo como eu. Essa foi a minha recompensa”, diz Jose.
A outra recompensa, oferecida pelo campeão, ela deve ir buscar a pé ali na Fiat Eurobarra. É o carro zero que Dourado ganhou na casa e deu para a miss. Jose voltou a morar no Bosque (já tinha passado pelo mesmo Barra INN quando participou da terceira edição do BBB) e os holofotes voltaram para a sua direção. Só descansou recentemente por causa do temporal que varreu o Rio de Janeiro. Mas já arruma as malas para participar do Brazilian Ball uma espécie de baile de carnaval para gringos milionários, que acontece no Canadá.
Recentemente, num programa da Globo, declarou que nenhum Big Brother teve caráter ao querer expulsá-la: “Pois é, e todos aqui hoje são ex-BBB. E se forem chamados para participar outra vez, não vão?”. Ninguém respondeu e o anjo de Dourado arrematou mais um punhado de simpatizantes.
Mas a ex-bi BBB se acostumou desde cedo com o assédio. Aos 15 anos, já fotografava com JR Duram após ficar em segundo lugar no concurso de beleza The Look off the Year. No Sul, sua terra natal, foi descoberta por um missólogo (palavra inexistente no dicionário, mas que define o especialista em misses). Com 22 anos arrematou o Miss Brasil e foi parar no BBB no ano seguinte, em 2003. Teve o título de miss cassado por que era casada (miss casada não pooode!) e o assunto foi parar até na capa do New York Times. “Passaram o título para uma menina, mas depois voltou a ser meu. Quem foi rainha nunca perde a majestade. Sou linda mesmo e inteligente”, gaba-se, pronta para estampar a próxi-ma capa da revista Sexy.
Esse anjo nú em pelo vai deixar muito santo de cabelo em pé
MARÇO DE 2010
Quase que o palácio dela cai
Rainha de bateria da Mangueira, a moradora do Bosque Renata Santos é acusada de ser funcionária fantasma da Alerj
Os jornais de hoje amanhã estarão no lixo e tudo se-gue”. Foi com essa tran-quilidade e descaso que a rainha de bateria da Mangueira Renata Santos demonstrou em seu Twitter sua total despreocupação com as acusações de que foi alvo no dia 5 de março, em matéria de capa no jornal Extra. A reporta-gem revela que a modelo é lotada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro como auxiliar administrativa e ganha um salário de R$ 697. O problema é que a rainha não dá as caras no Palácio Tiradentes: alega dar duro de casa. No Twitter da modelo, onde costuma relatar desde suas atividades diárias até seu estado de saúde, como a gripe que a abateu no último dia 6, nenhuma pista de qualquer atividade para a TV Alerj, órgão para o qual diz trabalhar.
Renata brilhou durante dez anos na escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz. Até o presidente da Mangueira Ivo Meireles mirar suas curvas e convidá-la para o cobiçado posto de rainha de bateria da verde e rosa, que pertencia à modelo Gracyane Barbosa. “Quando o Ivo me fez o convite não acreditei que poderia ser verdade, mas era”, lembra Renata.
Começava a mudar a vida da menina de Santa Cruz, que já é casada há 11 anos e mora no Bosque (num prédio na Canal de Marapendi que ela prefere não revelar), há cinco. Na avenida, ela causou rebuliço. “O Ivo vibrou com o meu desfile. A comunidade disse que dei muita sorte pra bateria, que obteve excelentes notas, e que fui a rainha mais bonita. Não tive nenhuma crítica negativa, só elogios da imprensa e da escola”, orgulha-se.
As características da silhueta de nove em cada dez rainhas de bateria e musas do carnaval (músculos, definição e silicone) não são atributos de Renata. Ela até malha, mas mantém o corpo natural. O resultado da genética privilegiada, foi parar na capa da Playboy de fevereiro.
O que a rainha não imaginava era que o seu castelo fosse tremer logo depois do Carnaval. Da Playboy ela foi parar na capa do jornal Extra com a manchete: “Rainha nunca é vista no palácio – No Sambódromo, como rainha de bateria, Renata Santos adora aparecer. Já no Palácio Tirandentes a moça ainda não foi vista dando o ar da graça”.
A equipe do Extra ainda planejava uma foto de Renata malhando na academia ao lado da imagem de uma funcionária da Alerj batalhando no emprego. Acabou não acontecendo, mas Renata ganhou mais uma capa do jornal. “Modelo jura que trabalha em casa. E você paga”, dizia a outra manchete, que ainda trazia o nome do deputado que a nomeou para o cargo.
“Esse escândalo foi feito de propósito por gente que não sabe da minha vida”, defende-se Renata, dizendo que vai continuar como funcionária da TV Alerj. “Não quero tocar mais nesse assunto. Já me trouxe muita dor de cabeça e recebi orientação da própria Alerj para não falar mais sobre isso”, encerra a modelo.
De olho no Twitter de Renata Santos www.twitter.com/renatasantoss
@thamirisouza kk só rindo mesmo. Parece que foram contratados para me promoverem com todo esse destaque a troco de nada. Uma bobeira. Ossos 7:00 AM Mar 5th via mobile web
Poderia ser profissão. Quem sabe um dia se a Rainha virar quesito, mas é por amor mesmo que lutamos e ficamos no olho do furacão e da inveja 7:05 AM Mar 5th via mobile web
Morta de fome e ainda vou malhar. Vida de Rainha não é mole. Não existe folga e muito menos férias rs bj 9:00 AM Mar 5th via mobile web
FEVEREIRO DE 2010
Ráááááá! Pegadinha do Mallandro
Em cartaz no teatro dos Grandes Atores, ele conta como transcendeu a década de 80 e virou um clássico
Nas areias do Pepê, fim de tarde, de óculos escuros, Sérgio Mallandro está quieto na sua cadeirinha de praia, como de costume. Até a equipe da Folha do Bosque aparecer com o equipamento para uma sessão de fotos e um vídeo. O que se vê a partir dali é um cara ligeiro, pós-graduado em praia e outras mumunhas ficar de pé, se posicionar em frente à câmera e disparar uma bateria de histórias, mímicas e onomatopeias que lapidaram uma geração. As mãos pinçam o ar, os dedos tremem e se movem com rapidez, e tome “Ráaa!”, “Yeah-yeah!”, “Glu-glu!”. Melhor deixar o próprio Sérgio Neiva Cavalcanti explicar o que está acontecendo. “Me chamar pro palco é igual a chamar um lutador para o ringue, bicho”, comenta ele, lembrando de até há pouco tempo, quando fazia participação em show de amigos contando histórias. Nascia o stand up comedy “Mallandro sem censura”, em cartaz no Teatro dos Grandes Atores.
No espetáculo, Sérgio conta as histórias que seus amigos do Pepê se acostuma-ram a escutar. Sílvio Santos, Xuxa, Renato Aragão e até a ex-mulher, Mary Mallandro, não escapam da malandragem. “A Mary parou num mecânico perto da favela e pediu um fuzil. Constrangido, o vendedor perguntou de que tipo seria. Quando ela explicou que tinha queimado a lanterna do carro, o cara respirou aliviado e disse: Ah, a senhora quer um fusível”, conta ele, para depois disparar uma sequência de histórias da ex. registradas pelas lentes do editor da Folha e que podem ser conferidas no site do jornal. Ouvidos atentos, o filho do casal, Sérgio Tadeu, não deixa o pai mentir. “Pior que é tudo verdade”.
É tanta palhaçada que o rei do glu-glu brinca dizendo que perdeu a identidade. “Só me chamam de ‘Rá e yeah yeah’. Eu saio de manhã e o porteiro diz ‘Yeah-yeah!’, eu entro no taxi o cara faz ‘Rááá!’. Ninguém me leva a sério”, conta Mallandro. “Minha vida é um parque de diversões e é claro que tem também o trem fantasma. Só que quando vou me estressar chamo logo o meu humor. Eu digo: vamos comigo, vamos juntos, meu humor. Não me larga, bicho”.
A alcunha Mallandro ele ganhou em festinhas na infância, na Zona Sul, quando aparecia dentro das baladas sem ser convidado. “Como você fez?”, “Eu penetrei”, respondia sempre. Conversa solta, esperto, foi cursar Comunicação, depois de tentar a sorte no futebol e ser expulso de quatro colégios e um clube. Foi estudar para realizar um sonho pessoal – “Eu sabia que um dia ia inventar uma coisa e as pessoas iam me conhecer” – porque dinheiro não era problema na sua casa. A família do pai tinha muito. O avô, tabelião, morava numa mansão no Leblon. O pai dirigia um Gordini e vivia num apê de três quartos na Lagoa. Mas um infarto fatal deixou o menino Serginho órfão de pai aos 11 anos. “Era o herói morto. Meu pai era meu herói, meu melhor amigo”.
Três anos depois sua mãe se casaria com um general veterano de guerra, capitão na Força Expedicionária Brasileira. Na primeira semana de convívio, o menino Mallandro deu com a cara na porta do banheiro. “Ô, general, tô atrasado para escola, abre rapidinho”. A voz da caserna respondeu. “Aguarde no local!”. Dia seguinte, Sérgio declarou guerra na sua residência ajustando o despertador para tocar mais cedo. Quando o militar meteu a mão na maçaneta, ouviu o deboche. “Aguarde no local, general”.
Guerra vencida, na malandragem, claro, o garoto abandonou a faculdade para defender o Rio de Janeiro no programa Cidade contra Cidade, do SBT – ao lado da igualmente desconhecida Xuxa Meneghel. Convidado por Sílvio Santos para ser jurado Show de calouros e participar do programa O Povo na TV, ele ainda participou do filme Menino do Rio. Tudo em 1981. No ano seguinte, gravou “Vem fazer glu-glu” e vendeu um milhão de cópias. “Era engraçado quando me chamavam para fazer show. Só tinha essa música. Ficava 40 minutos no palco repetindo a mesma coisa”, recorda.
Passou pelas principais emissoras do país com seu próprio programa infantil e atuou no cinema com Renato Aragão, Xuxa e Faustão.
Só uma pegadinha lhe rendeu 22 processos
Nos anos 90, liderou índices de audiência ao trocar as crianças pelos adultos e lançar as famosas “Pegadinhas do Mallandro”. “Ganhei muita audiência, sim. No fórum do Rio, no fórum de São Paulo”, comenta ele sobre as pendengas judiciais acumuladas com o programa. Só uma pegadinha gerou cerca de 22 processos para o apresentador. “Só porque eu entrava num ônibus com uma banana?”, debocha, para logo em seguida explicar. “Uma banana de dinamite. Eu ameaçava me matar e todo mundo saía correndo”, lembra. Até que funcionou: a modesta CNT/Gazeta foi parar no topo do Ibope, mas aos poucos os telespecta-dores trocavam de canal e Mallandro despontava para o anonimato.
Quando a malandragem parecia esquecida surgiram o revival dos anos 80. Junto com Bozo, Vovó Mafalda, Silvinho Blau Blau, Mallandro ganhava status outra vez, no começo de 2000. Seis anos depois, o que parecia impro-vável aconteceu. Futuros médicos, advo-gados e administradores começaram a “fazer glu-glu” e comprar “um quilo de farinha pra fazer faro fá fá”. Mallandro virou ícone Cult do circuito universitário. Em festas de centros acadêmicos, formaturas e colações de grau de instituições conceituadas com a USP, PUC e FAAP, a moda é ter o Mallandro como apresentador. O cachê do “muso acadêmico”? Algo em torno de R$ 8 mil a R$ 15 mil para uma hora de show. A badalação o trouxe também de volta à TV. A partir de março, aos sábados, de 22h às 24h, seu programa ao vivo na CNT volta de férias. Se vai ter pegadinha? Com a palavra, o cara que transcendeu os anos 1980 para virar um clássico: “Claro que sim, as pegadinhas são o maior barato. Rááá!”.
Show na praia
Clique aqui e assista ao vídeo com algumas histórias contadas no teatro pelo artista, que ele revelou na praia para a equipe do jornal A Folha do Bosque.
JANEIRO DE 2010
É de Vaulx, mas pode chamar de Amaral
Francês prepara um camarote da Sapucaí para empresários, estremece os bastidores do Carnaval no Rio de Janeiro e quer agora o título de rei da noite
Todo ano a história é a mesma. O carnaval vai se aproximando e não dá outra: Dona Selma Reis, uma costureira de mão cheia, passa a mão no telefone e liga para o amigo francês Alexis de Vaulx: “O senhor vai desfilar? Já tem fantasia?”. Ela nunca se esqueceu do folião que, 25 anos atrás, vestiu-se de gladiador e desfilou – na época, pela Mocidade, com uma fantasia confeccionada por ela – pela primeira vez na passarela do samba. O que Dona Selma não entendeu ainda é o tal folião continua o mesmo, mas a relação dele com o carnaval, quanta diferença. Hoje, Alexis é um grande empresário da maior festa carioca. Em 2009, arrecadou nada menos que R$ 8 milhões em patrocínio de empre-sas francesas e brasileiras para a Grande Rio, sua escola de coração. A agremiação levou para a avenida um desfile dedicado ao Ano da França no Brasil que teve até a participação do balé Moulin Rouge, ideia de Alexis.
Em 2010, esse francês cheio de ginga alçará um novo e ousado voo. Levará para a Marquês de Sapucaí o conceito inédito de camarote de networking. Num espaço de aproximadamente 500m2, no privilegiado setor 7 (o coração da avenida), vai reunir cerca de 600 executivos de empresas como Renault, Unimed, Nestlé, Petrobras, Essilor e Va-rilux, para citar algumas. O espírito da coisa, monsieur de Vaulx, resume numa frase: “Quero as pessoas se divertindo e fazendo negócios ao mesmo tempo”.
A sentença é a cara dele. Para se ter uma ideia da paixão desse autêntico carioca (em 2009 Alexis recebeu a Medalha Pedro Ernesto e o título de cidadão honorário do Rio de Janeiro) pelo carnaval, ele promove desfiles temáticos anualmente na Tok & Stok, empresa da qual é diretor comercial. “Os funcionários usam os pranchões do estoque para montar os carros alegóri-cos e cada ala tem um assunto, como lista de casamento e atendimento ao cliente, por exemplo. É o máximo, as equipes amam”, empolga-se. Por outro lado, o gosto por business está em toda parte, inclusive no carro, recentemente transformado numa espécie de escritório móvel. “Tenho um suporte para todos os meus telefones, apoio para o laptop, e todos os jornais do dia. Sai mais barato manter essa estrutura e ter um motorista do que ficar parado no trânsito sem trabalhar”, argumenta.
Festeiro, Alexis dedica-se cada vez mais a eventos, sempre com um toque carnava-lesco. Dia 20 de dezembro passado, fes-tejou seu aniversário, comemorado dia 26, com a “1ª Feijoada do Francês”. Seguindo um modelo já tradicional na cidade, Alexis vendeu camisetas-convite. Toda a renda foi revertida para a ONG Solidariedade França Brasil, que atende a 39 centros comunitários na Baixada e beneficia mais de 3 mil crianças e adolescentes. “Num país com as desigualdades do Brasil, não podemos fechar os olhos e brindar com champanhe como se nada estivesse acon-tecendo. Os empresários precisam se envolver nas questões sociais”, defende.
O evento, numa tremenda mansão na Glória, teve ares de pré-carnaval. Com direito a bateria da Grande Rio, passistas, gente bonita, famosos, candidatos a fa-mosos e, claro, muita caipirinha. No final, soltinho, soltinho, Alexis caiu na piscina e carregou alguns convidados pra dentro d´água, como, aliás, já é praxe nos aniversários desse ilustre morador da Barra, mais precisamente do quadrilátero conhecido como Rosas. A feijoada fez tanto sucesso que antes mesmo de o almoço acontecer, Alexis já fora sondado para levar o evento a cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
É, Alexis anda tão à vontade no papel de produtor de eventos que já há quem diga que ele é o maior candidato ao posto de novo Ricardo Amaral.
Clique aqui para ver as fotos da 1ª Feijoada do Francês
DEZEMBRO DE 2009
O poder que estica a cantora Aline Barros
Dona de um palco móvel, com três Grammys latinos e milhões de CDs vendidos, ela quer rseguir rompendo limites
Quem tem o poder de transformar um fusquinha numa carreta de 14m de comprimento de comprimento por 8,5m de altura e avaliada em US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 3,5 milhões)? Errou feio quem respondeu os mecânicos do quadro Lata-velha, do “Caldeirão do Huck”. É preciso algo superior e com uma força infinita para realizar tal proeza. A cantora evangélica Aline Barros sabe muito bem a resposta. Era ela que não largava o fusquinha miniatura do seu irmão quando se trancava na casa da avó na pacata rua Honduras, na Vila da Penha. Trinta anos depois, o brinquedo de Aline é outro: uma geringonça sobre rodas que, em quatro horas, vira um palco capaz de suportar um peso de 25 toneladas, entre cantores e instrumentos. E é em cima do seu palco móvel (o primeiro da América Latina) que a cantora se apresenta na Barra da Tijuca, no sábado, dia 26 de dezembro, ao lado do Via Parque, a partir das 19h.
É provável que a Barra vá mesmo “tremer com o poder de Deus”, como anuncia a propaganda do show, mas certo mesmo é o terremoto que o mundo evangélico já sofreu com a ascensão de Aline Barros. Desde que começou a cantar em igrejas evangélicas, aos cinco anos, ela já faturou três Grammys Latinos e vendeu cerca de cinco milhões de CDs. Seu novo trabalho, o DVD infantil “Aline Barros e Cia 2”, chegou a vender, na época do lançamento, 25 mil cópias em 30 minutos.
Com o marido e ex-jogador de futebol, Gilmar dos Santos, montou um império com três empresas: a gravadora AB records, a produtora Genesis e o estúdio de computação gráfica AB3D. Em vez de chuteiras e bolas, o ex-zagueiro do São Paulo, Palmeiras, Flamengo e Botafogo coleciona agora CDs, DVDs e muitos prêmios como produtor musical.
O escritório do casal fica no suntuoso condomínio Le Monde, na Barra da Tijuca. No mesmo lugar, na ala residencial, Aline encarapitou-se com o marido, o filho de cinco anos e pode até ir a pé para o trabalho. “Corremos juntos na praia e também faço hidroginástica”, conta Aline, justificando a boa forma.
Um conto de fadas quase inter-rompido em 2004, quando a cantora caminhava pela casa e sentiu uma estranha rouquidão. O problema se agravava diariamente e o diagnóstico previa seis meses longe dos palcos. Em menos de 30 dias, porém, a cantora estava curada. “Fiquei com 5% de voz e vi Deus fazer um milagre em minha própria vida. O medo paralisa a gente, mas eu venci esse sentimento com a ajuda do Senhor”, recorda Aline. “Perdi alguns agudos, mas Deus me compensou nos graves e hoje a minha voz é até mais potente”.
Aline, que já lançou também um audiobook (livro gravado em CD), intitulado “O poder da mulher que ora”, além de um novo CD; prepara surpresas para 2010. “Gosto de romper limites e ultrapassar barreiras. Eu vejo isso como Deus me esticando, me preparando para coisas maiores”, finaliza.
NOVEMBRO DE 2009
Após quase uma década fora da mídia, o vocalista do Molejo, Ânderson Leonardo, conta que passou dias difíceis e relembra a época das extravagâncias quando chegou a vender 6 milhões de discos
Ele avisou que ia voltar. Basta ler os versos do samba que alçaram o pagodeiro Anderson Leo-nardo ao topo outra vez: “Vou voltar pra sacanagem, pra casa de massagem/Ali sempre foi meu lugar/Já tava com saudade das velhas amizades/Hoje eu vou me embriagar”. Mas é bom explicar: Ânderson é pai de família e tem três filhos. Mas também é bom explicar que ele está solteiro. “Graças a Deus. Estou na pista pra negócio”, diz, sem perder a irreverência, o vocalista do grupo Molejo – que estourou na década de 90 com músicas como “Caçamba”, “Brincadeira de criança”, “Ah, moleque”, mas passou cerca de dez anos esquecido pela mídia.
“Foram dias difíceis. Tive que aprender a contar piada olhando para o espelho pois não havia mais quem risse de mim. Quando você está por cima, pode contar uma piada sem graça que todo mundo ri. Todo mundo vem te dar tapinha nas costas. Quando você está mal, nem olham na sua cara”, conta o pagodeiro. “O bom é que quando saímos da mídia, somem também os chatos, puxa-sacos”, completa.
Anderson recorda a época das extravagâncias, quando o seu grupo Molejo vendeu mais de seis milhões de discos. “Pegue seis rapazes do subúrbio e dê o mundo para eles, com tesão aflorado e dinheiro no bolso. Você acha que eles não vão querer fazer sexo com todas, comprar vários carros? Isso não
OUTUBRO DE 2009
O furacão Nana continua devastador
Mesmo após nove capas de revistas masculinas, ensaio de Nana para o Paparazzo bate o recorde de visitas do site
Foto de Ernani d’Almeida/www.paparazzo.com.br
Aos 34 anos, mãe de duas filhas, Nana Gouvêa está no auge. Suas curvas não perderam o encanto mesmo tendo sido capa nove vezes de revistas masculinas. A prova foi o seu recente ensaio para o Paparazzo. Mais de dois milhões de internautas quebraram o recorde de acessos do site e um ensaio extra teve que ser providenciado com Nana. “Nossa, estou sabendo disso agora através de você. Fiquei impressionada, achei ótimo. Pode me mandar essa informação por e-mail?”, pediu a modelo para o repórter da Folha.
Mas como explicar o furacão Nana? “Não tem explicação, é carisma”, sentencia ela que, junto com Viviane Araújo, são as únicas que voltaram a fazer Playboy depois de terem feito outras revistas. “O diretor da Playboy, Edson Aran, da última vez me ligou e disse: Vamos fazer, não aguento mais tanto pedido de leitores”, diz Nana.
Sorte dos vizinhos que vivem na janela de binóculo esperando uma brechinha na cortina de Nana, em seu apê no Estrela do Mar. Ela mandou instalar uma banheira dentro do seu quarto, mas para desespero dos vouyers de plantão a modelo avisa: “Acho um saco. Só abro a cortina quando estou composta. Tem um vizinho que grita o meu nome pela janela de noite, pode?”.
A banheira já existia, só que era de solteiro. “Agora fiz uma de casal”, explica ela, que quebrou as paredes dos três quartos do apê e fez um só. “Montei esse apartamento só pra mim. É a minha cara. Amo viver aqui”, comenta.
CLIQUE AQUI para conferir a íntegra desse bate-papo.
TRI NANA
Capa do jornal do Bosque em maio de 2000, Nana emplacou também a primeira página da Folha em agosto de 2005. A segunda reportagem falava das oito capas de revistas masculinas que a modelo já tinha feito e trazia o título “Não sendo capa de chuva ela está dentro”.
O tri, em 2009, mostra que a mamãe de duas filhas, hoje com 16 e 17 anos, continua em plena forma e no lugar onde está acostumada. Na capa. Nana, nina, sim: é tri!
SETEMBRO DE 2009
Eles fazem a Barra sorrir
Vale até largar o emprego, vender CDs no Centro e colecionar pérolas de casais
Se o trânsito caótico, a poluição das lagoas, a construção desenfreada de empreendimentos e os menores nos sinais apagam os dizeres da placa “Sorria: você está na Barra”, o pessoal do teatro vai lá e escreve outra vez. O bairro é o campeão de comédias em cartaz e graças ao tablado não faltam opções por aqui para o morador sorrir. Os protagonistas dos espetáculos não perdem tempo e apostam todas as fichas no bairro emergente. É o caso do ator Sander Nunes, mais conhecido como Mineirinho de Maceió. Administrador de empresas no Nordeste, ele largou o emprego estável e veio para o Rio dar aulas de dança. Foi estudar teatro e o (ótimo) resultado pode ser conferido no palco do Centro Cultural Suassuna, onde ele apresenta a comédia “Trem do Riso”.
“É a primeira vez que estou dando entrevista”, disse Sander (na foto acima) para a equipe da Folha do Bosque. “Quero viajar de primeira classe e esse é apenas o começo”, comenta o ator, que resgata o teatro de 1920 e faz o povo rir sem apelar para a baixaria.
No mesmo teatro, um baixinho engraçado e de voz rouca já se habituou com as gargalhadas da platéia. Alessandro Annes está na segunda temporada da peça “Casar pra quê?”. Em 2008, segundo ele, a peça foi assistida por mais de 15 mil espectadores na Barra. Para escrever o texto, Annes se inspirou em trechos de conversas de bar e papos pelos corredores entre homens e mulheres. “Fui colecionando pérolas de relacionamentos com as minhas observações”, explica.
Na Ilha do Sol, espaço próximo ao tradicional Bar do Oswaldo, na Barrinha, a dupla de humoristas Dé e Pul apresenta o espetáculo “Xô estresse”. Mais conhecidos como Os Fulanos, eles ficaram famosos na internet, depois que a piada “Sílvio Santos no motel” caiu na rede. Mais de um milhão de pessoas já assistiram a diversos vídeos criados pelos internautas com o apresentador e a voz de Dé ao fundo. “Não consigo ficar muito tempo sem falar uma besteira”, dizia um tímido (fora do palco) Dé, enquanto degustava um camarão numa das mesas do Barril 8000 do Recreio, momentos antes de um show da dupla.
Habituados ao calor humano, Os Fulanos saíram de Pelotas, no Sul do país, para divulgar os seus shows na rua, no Centro do Rio. “Chegamos a vender 300 CDs num dia”, recorda Pul. “Tem muita gritaria no humor de hoje. Chega a ser um riso tenso, na pressão. Acho que o simples faz mais sucesso”, aposta.
No Teatro dos Grandes Atores, os veteranos Elizabeth Savala e Raul Gazolla apresentam, respectivamente, as comédias “Friziléia – Uma esposa a beira de um ataque de nervos” e “Rádio no ar”. No mesmo local, está em cartaz “Lente de aumento”, com o humorista Leandro Hassum; e “Como passar em concurso público”, com a companhia brasiliense G7. Ainda no Grandes Atores, Renato Piaba estreia no dia 23 de setembro o humorístico “Intimidades.com”.
Pelo menos no teatro não faltam motivos para gargalhadas...
Assista a entrevistas com as novas caras do humor e trechos das peças em nosso canal no Youtube!
AGOSTO DE 2009
À beira de um ataque de nervos
Dezesseis gatas maravilhosas trancadas numa casa. Vem aí um reality show de tirar o fôlego
Clara Costa representa a Barra da Tijuca no “Casa bonita”: formada em marketing, ela vive pela região com a sua pit bull
São 16 beldades trancadas numa casa em frente a uma praia paradisíaca, competindo em provas diferentes. Quem vencer fica com uma viagem para o Caribe. No reality show Casa Bonita, que estreia dia 31 de agosto no canal Multishow, não vale puxar cabelo. Mas impedir brigui-nhas por ciúmes, costumes ou coisas banais não deve ser moleza. Afinal, como diria a piadinha “O que aconteceria se o mundo acabasse hoje e sobrassem três mulheres? Duas se reuniriam para falar mal da outra”.
Para os espectadores masculinos, porém, o programa deve ser um colírio para os olhos. “Pelas fotos que eu vi no site do programa não tem uma mulher mais ou menos. Só gata maravilhosa. Esse programa promete”, disse o estagiário da Folha, Fávio Ribeiro. “Adorei diagramar essas imagens”.
Formada em marketing, a modelo e surfista Clara Costa, de 25 anos, é a representante da Barra da Tijuca (Bosque Marapendi) e única carioca no desafio. Impedida, como todas as outras meninas, de dar entrevistas – o local da casa, as provas do desafio e até o apresentador do programa é mantido em sigilo – sabe-se apenas que ela costuma ser vista com sua pit bull passeando pela região, é rata de academia e sonha em trabalhar apresentando programas esportivos.
O Casa bonita vai ser exibido de segunda a sexta, à meia-noite, com episódios de 45 minutos. Aos sábados, o canal mostrará os melhores momentos da semana. Vale conferir as fotos e os vídeos das participantes acessando o link www. multishow.com.br/casabonita.
Gizelle Maritan
29 anos
Naturalidade: Santo André, SP.
Profissão: Modelo.
Fã de beijo na boca, para conquistar Gizelle basta ter atitude e bom humor.
31 anos
Naturalidade: Curitiba, PR.
Profissão: Bióloga.
Não gosta de refrigerante e nem cigarro. Para conquistá-la, é preciso atitude de homem.
Mylene Silva
24 anos
Naturalidade: Canoas, RS.
Profissão: Representante de vendas e dançarina do ventre.
Seduz com o olhar e adora beijos no pescoço e nas costas.
28 anos
Naturalidade: Campinas, SP.
Profissão: Jornalista.
Gosta de homens com a barba por fazer. Ela chama esse estilo de “maior abandonado”.
20 anos
Naturalidade: Florianópolis, SC.
Profissão: Modelo.
Ousada, adora saber que está sendo observada por várias pessoas.
JULHO DE 2009
De plantão para pegar o mico
Maurício Menezes leva para o teatro as gafes cometidas pelos profissionais de imprensa
Copacabana reprova troca de tiros na rua. Essa notícia saiu no Globo numa pesqui-sa feita com os leitores do jornal. Está na hora de o caçador de micos jornalísticos entrar em ação: “Será que o Globo estava pensando que alguém aprovaria um negócio desses? Será que alguém diria: Eu aprovo, muito bom um tiroteiozinho no Posto 5 domingo de manhã”, comenta o jornalista Maurício Menezes, após estampar a manchete em letras garrafais no palco doTeatro dos Grandes Atores. “Já me convidaram para um tal “ciclo de aprimoramento de jornalistas” e eu recusei. Querem acabar com o meu negócio?”, brinca Maurício, que apresenta até o dia 1 de agosto o espetáculo “Plantão de notícias”, em que conta um punhado de gafes da imprensa.
No bate-papo a seguir, o jornalista – que atualmente faz parte da equipe do programa “Show da manhã”, da Super Rádio Tupi, adora cantar nas horas vagas e diz torcer pelo Flamengo 28 horas por dia – conta como os colegas reagem às suas brincadeiras, reclama da falta de espaço do “Plantão” na TV e lembra a sua maior gafe. “Foi a do Adionel Carlos, que era assessor de imprensa do dom Eugênio Sales e eu achei que era um cargo da Igreja... Adionel, bispo, cardeal”.
Qual é a última gafe da imprensa, a mais fresquinha?
“Ih, caramba. Isso tem todos os dias. Mas teve um colega lá na rádio que disse que aquela moça que se envolveu num crime na Barra é brasileira e americana, “ela tem dupla personalidade”.
Você acorda e vai direto procurar as notícias com erros? Você tem uma equipe fazendo isso para você?
“Eu já ouço rádio, leio jornal, vejo TV com esse olhar crítico, mas tenho muitos amigos que me ajudam, em todo o Brasil, inclusive mandando os erros deles”.
Já teve aquele jornalista pedindo para não divulgar a gafe para que ele não perdesse o emprego ou coisa parecida?
“Não. Até porque eu não mostraria um erro que pudesse causar a demissão de alguém. Eu não mostro a burrice (que existe). Eu mostro o erro provocado pela correria nas redações”.
Se o jornalista não errar acaba o “Plantão de notícias”, certo? Isso faz com que você torça pelo erro do colega?
“Uma vez me convidaram para um tal “ciclo de aprimoramento de jornalistas”. Eu recusei. Querem acabar com o meu negócio? Mas no jornalismo, por ser uma atividade que só existe por envolver o ser humano, nunca vão deixar de acontecer erros. Seja O Diário de Gurinhatã, seja o New York Times”.
“É uma pena a TV achar
que o telespectador não tem cérebro”
Imagina que tragédia seria se um médico, como você mesmo diz, resolve contar as gafes do colega... No seu caso é diferente. Mas como é ganhar dinheiro com os erros dos amigos? Os jornalistas brincam muito com você a respeito disso?
“Outro dia um colega me ligou lá de Petrópolis. Ele participou de uma entrevista coletiva, com um milionário que tinha sido sequestrado. E fez uma pergunta que levou o pessoal às gargalhadas e um parente do entrevistado comentou: “Essa eu vou mandar para o ‘Plantão de notícias’”. Pois antes que isso acontecesse, o colega me ligou para explicar a pergunta. Ele tinha perguntado se o sequestro foi bom”.
E a maior gafe do Maurício Menezes, qual foi?
“Ih, tem várias. Mas a maior foi a do Adionel Carlos, que era assessor de imprensa do dom Eugênio Sales e eu achei que era um cargo da Igreja... Adionel, bispo, cardeal. Quando eu o vi pela primeira vez, pensei: “Olha o cara, com vinte e poucos anos já é adionel”. Estava numa coletiva do dom Eugênio e acabei perguntando: Há quanto tempo o seu assessor aí é adionel? Foi aquela perplexidade geral. E o dom Eugênio: “Mas como assim, o que você quer saber, meu filho?”. Eu: “Há quanto tempo ele assumiu o adionelato?”.
A que você atribui a falta de espaço para o “Plantão de notícias” na TV?
“Lamentavelmente a TV quer a fórmula que não leve o telespectador a pensar. Bota lá uma boazuda rebolando, bota o cara cantando num playback e vamos que vamos. É uma pena. A TV, em geral, achar que o telespectador não tem cérebro”.
JUNHO DE 2009
A boemia dele agora é na internet
Após iniciar mais uma temporada de shows em seu bar, Jorge Aragão diz por que largou as noitadas
Jorge Aragão está light. Antes de mais um show da temporada que apre-senta em junho e julho, no seu bar, o Bossa Nossa, ele devora mais um prato de salada. Reativou na sua casa a esteira, bicicleta ergométrica e comprou um power plate – menina dos olhos das academias de ginástica atualmente. Até o recado “Respeite a boemia, ligue depois do meio-dia”, deixado durante anos na secretária do seu celular está com os dias contados. Passou a acordar às 9h desde que voltou com 4 kg a menos do Sul do país, onde esteve trancafiado por 15 dias num Spa. “O médico falou: emagrece. Quando me dei conta estava perto de me tornar diabético”, revela Aragão. A palavra de ordem é disciplina. Ironia do destino, o mesmo título da música de trabalho do seu último CD, “Por aí”. “Último, não, o que é isso? Pode ser o penúltimo”, brinca o sambista, explicando que não se trata de uma mudança drástica. “Se emagrecer rápido demais já começam a falar que o artista está doente. Vamos aos poucos”, fala, com a calma costumeira. “Pre-ciso de condicionamento. Hoje sou muito mais atuante que no início da carreira”.
Por mais em forma que alguém esteja, entretanto, nada impede o inchaço nas pernas após horas sentado na frente de um computador. E esse é ponto fraco, ou forte, de Aragão: o mundo virtual. Palm top na mão, lap top no carro e Machintosh em casa, de onde só sai da frente da máquina com os tornozelos inchados. “Gosto de olhar as comunidades ‘Eu odeio Jorge Aragão’. Divirto-me quando falam mal daquele gordinho com pano na cabeça”, revela, aos risos. Vara madrugadas conversando com fãs de todo o planeta usando um programa tradutor de idiomas.
O papo está muito bom, mas vamos ao que interessa? Está na hora do show e Márcia Viegas dá na cara do pandeiro. Marcão alisa o cavaquinho e já podemos escutar os primeiros versos de “Malan-dro”. Ao fundo da casa surge Aragão (estilo Sherlok Holmes, de chapéu e óculos pretos) caminhando em direção ao palco. Antes, pausa para um comentário do cantor Pery Ribeiro, que assistia ao show na mesma mesa da equipe da Folha do Bosque. “Quando eu estava no auge, uma amiga sempre pedia para eu assistir a um rapaz talentoso que se apresentava no subúrbio. Eu ficava meio reticente... Olha ele aí no palco”, contava Pery, enquanto Aragão disparava petardos como “Vou festejar”, “Coisa de pele” e “Papel de pão”.
A entrevista, que começara antes do show, se estende pela madrugada. Mas o poeta não é mais boêmio, e depois de comer mais uma salada e tomar outra água sem gás, se prepara para partir. Veste um super capacete, uma mochila futurista e monta numa Spyder de R$ 90 mil – uma moto triciclo que mais parece uma nave espacial. Parece até que vai para o espaço conferir se a sua música “Coisinha do pai” ainda está por lá acordando robô da Nasa.
Quando emplacou a capa do jornal do Bosque, em junho de 1999, o sambista, na época morador do Sunset, ainda era desconhecido do grande público. Ainda que suas canções já fizessem parte do repertório de grandes cantores. Em 2001, nova capa com Aragão. Ainda no Bosque, ele acabara de vender mais de 1,5 milhão de cópias do seu CD. Era apenas o começo de uma nova e próspera fase de sua carreira. O tri, em 2009, encerra a nossa série “Personagens da década”,
criada em homenagem aos dez anos do jornal.
Assista a um making of dessa entrevista em nosso canal no Youtube, além de um vídeo em que o sambista convida os leitores para o seu show. Acesse: www.youtube.com/afolhadobosque
www.afolhadobosque.com.br
MAIO DE 2009
“Estou sempre pronta para virar monstra”
A atriz Patricya Travassos fala sobre a comédia que ela estreia este mês na Barra e do programa “Alternativa Saúde”, que apresenta há 12 anos na GNT
Numa aldeia antiga na Tailândia, Patricya Travassos se prepara para virar uma King Kong. Pior ainda, a monstra está vindo para o Brasil e promete sair destruindo tudo à sua volta. Mas antes de temer pela catástrofe, saiba que a aldeia faz parte apenas da decoração do luxuoso Hotel Mandarim Oriental, onde a atriz se encontra hospedada para as gravações do programa “Alternativa Saúde”, que ela apresenta há 12 anos na GNT. E “Monstra” é somente o nome da peça que Patricya estreia este mês no Teatro dos Grandes Atores. “Estou sempre pronta para virar Monstra. Adoro fazer a peça e estou esperando essa data na Barra desde dezembro. Tenho certeza de que a temporada vai ser o máximo”, diz a atriz.
“Monstra” se baseia no livro homônimo lançado por Patricya em 2006. Um manuscrito que reproduz 50 crônicas que ela publicou na revista “Marie Claire”, da qual foi colaboradora de 2003 até o início de 2009. “Na crônica que dá título ao livro a personagem tem uma crise de ódio e se imagina uma monstra, destruindo tudo à sua volta. Achei o nome sonoro e bom para a peça também”, esclarece.
Aplaudido por mais de 35 mil pessoas e com 100 apresentações na bagagem, o espetáculo é uma comédia ambientada numa conferência de autoajuda, na qual a palestrante interpretada por Patricya passa por uma grave crise e termina caindo em todas as armadilhas emocionais que pretende curar. “Ela tem proble-mas em sua vida amorosa e é ela quem mais precisa de terapia”, diverte-se a atriz.
Cria do lendário grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, no qual iniciou a carreira ao lado de nomes como Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães e Evandro Mesquita, aos 53 anos ela diz que “Monstra” remete ao processo criativo da sua época de iniciante. “O que estou fazendo é o meu sonho de consumo: um projeto autoral, como os do Asdrúbal”, define a autora, que ganhou uma folga da novela “Caminhos do Coração”, da Record, para se dedicar ao espetáculo.
Adepta da alimentação e de um estilo de vida saudáveis, Patricya está fascinada pela Tailândia. “Vim fazer quatro programas para o “Alternativa”: corpo, saúde, espírito e comida. É um país com milhares de templos, comidas deliciosas, saudáveis e exóticas e trilhões de SPAs. Para onde você olha, tem uma pessoa fazendo massagem”, conta.
Além do diretor Jorge Fernando e dos atores Ricardo Duque e Daianny Cristia, a “Monstra” contará com uma com-panhia inusitada nessa temporada: o monstruoso trânsito da Lagoa-Barra que a espera, uma vez que é moradora da Gávea. “Estou acostumada, gravo em Vargem Grande, na Record”, finaliza.
ABRIL DE 2009
“Sabia que ia beijar na boca”
Ela desbancou os homens do BBB9, mas acabou se apaixonando por um deles
Ela venceu duas provas de resistência no BB9 deixando os homens da para trás. Por isso que ao sair da casa, a equipe do site Paparazzo levou Milena Fagundes direto para uma academia. A idéia do ensaio fotográfico era mostrar a força dessa manauara.Apesar do preparo físico, entretanto, o poder de Milena não está apenas no corpo de dar inveja a muita menina de 15 anos.
Assessora de imprensa e promotora de eventos, a moça é uma guerreira. Engravidou aos 19 anos do pai de sua filha que namorava desde os 12 – ele tinha 24 – e ficou casada até os 25. “Acordava todo dia às cinco horas da manhã para malhar, depois ia para o trabalho, faculdade, só chegava às 23h. Muitas vezes levei minha filha para estudar comigo”, recorda.
Décima primeira eliminada do BBB9, não pode dizer que não tem amigos. Ela escapou de ir ao paredão por três vezes por ter sido imunizada pelo famoso e polêmico “lado B”. Aos 32 anos, mãe de dois filhos (Maysa, de 13, e Matteo, de 8), se diz apaixonada por Half (eliminado semanas antes).
“Não esperava que fosse acontecer, mas estou apaixonada”
“Não sei como vai ser aqui fora, a agenda quando saímos é tumultuada, ainda não conseguimos conversar direito. Mas, estou apaixonada e espero que dê tudo certo”, comenta. “Quando entrei na casa sabia que ia beijar na boca, mas não achei que fosse me envolver”. Para Milena a grande vencedora da nona edição do programa é Priscila. Daqui para frente ela – assim como os outros eliminados da casa – quer aproveitar as oportunidades que surgirem. E posar nua? “Só se a minha filha deixar. Não tenho problema quanto a isso, mas se ela não quiser, não faço”. Enquanto isso vale acessar www.paparazzo.com.br e conferir a razão de Milena ter encantado Half. Transformada em uma mulher sexy, aparece completamente diferente da época em que ia trabalhar de terninho. “As roupas que eu usava para trabalhar nunca tiveram nada a ver comigo. Sempre gostei de peças curtas, decotes”.
Nota: a foto acima de Milena é de Felipe Lessa/Paparazzo
MARÇO DE 2009
Você vai fazer tudo o que ela mandar
O poder de Julianne Trevisol, a Gór de “Os mutante Cuidado ao olhar fixamente para esse rosto aí do lado! Apesar da aparência doce, você pode ser hipnotizado por essa mulher e passar a fazer tudo o que ela mandar. O poder da mutante Gór, personagem vivido pela atriz Julianne Trevisol na novela “Os mutantes - Caminhos do coração”, da Record, conquista a cada dia mais admiradores. Nas ruas, segundo a atriz, as pessoas tapam os olhos ao passar perto dela. “As crianças brincam de tentar me hipnotizar e repetem frases do personagem como: “Você vai fazer tudo o que eu mandar”. Já o público masculino não perde a oportunidade de brincadeiras como: “Me hipnotiza, Gór”, conta Trevisol.
Não duvide que a atriz também possua superpoderes na vida real. Ela entrou na trama para fazer apenas uma participação. Seu personagem tinha data marcada para morrer, mas parece que Trevisol hipnotizou os diretores da emissora. Seu contrato foi renovado até 2011 e Gór se transformou numa das mutantes mais importantes da novela.
“Guarde bem esta edição da Folha, pois um dia estaremos falando de uma das grandes atrizes deste país”, elogia o empresário da moça, Marcello Magalhães, outro que parece hipnotizado por Trevisol. “É um enorme prazer fazer parte de um projeto de vida de uma pessoa como ela”, completa.
Seu poder é tão intenso que a atriz mora atualmente com dois gatos. Calma... são os siameses que ela não larga quando está dentro de casa. Apesar de solteira no Rio de Janeiro, ela conta que o amor é uma arma capaz de hipnotizá-la. “Me tira de mim, hipnotiza a minha alma”, diz Trevisol, que se pudesse escolher ter superpoderes adoraria se tele transportar. “Gostaria de ir a vários luga-res rapidamente”.
Para compor o visual e a postura do personagem, mergulhou em quadrinhos japoneses. “Não entendia muito sobre isso, mas uns amigos sempre disseram que eu pareço um mangá (desenhos animados do Japão)”, conta ela. Para compreender Gór, foi estudar mitologia grega. A mutante vivida por Trevisol é baseada nas três Górgonas (daí o nome do personagem), principalmente na Medusa. Seus terríveis olhares eram tão intensos que elas transformavam em pedras os mortais que olhassem para seus olhos. Por toda a volta da caverna em que viviam, podiam-se ver figuras de homens e animais que tinham olhado ca-sualmente para elas e foram petrificados.
Ainda bem que esta entrevista foi feita por e-mail....
FEVEREIRO DE 2009
Tem ovo com batata na feijoada
Desirée Oliveira, a Mulata Difícil do programa humorístico “Zorra Total”, revela os truques de sua dieta rigorosa
A atriz Desirée Oliveira está sarada. Durante 15 dias e, religiosamente, de três em três horas só viu batata-doce com ovos pela frente. Perdeu oito quilos aliando Pilates e drenagem linfática à dieta. Montou uma miniacademia dentro de casa e passa mais de duas horas por dia em cima do transport, da esteira, da bicicleta ergométrica e ainda corre na praia. Continua se alimentando de três em três horas, mas adicionou outros alimentos ao regime, “Meia bananinha com iogurte de manhã”, diz ela. Todo esse sacrifício para aparecer no carnaval como destaque no último carro da Escola de Samba Vila Isabel. “Só não abro mão de um cálice de vinho por dia para dar um quebrete”, brinca Desirée. Mas quem vai sair ganhando e ver o monumento de perto não é só o público que for à Marquês de Sapucaí. Desirée é a madrinha da feijoada do jornal A Folha do Bosque. Ou seja, é melhor pegar leve no paio e na caipirinha para não passar mal no evento com tanto calor.
A temperatura começou a subir na preliminar. No editorial de carnaval feito recentemente para o jornal – que pode ser conferido no site www.afolhado-bosque.com – Desirée parou o restaurante Barril 8000, no Downtown, onde as fotos aconteceram. “Isso é que é mulata”, disse um dos marmanjos que passava pelo lugar
Além das medidas e do talento, a atriz possui outra arma letal. Desde que se entende por gente é internauta de carteirinha. Para os seus mais de dois mil amigos no Orkut dispara propaganda da comédia “Putz”, que ela protagoniza no teatro. Fora comunidades e perfis dedicados a ela: são mais de cinco mil pessoas ligadas a Desirée pela rede. “O Orkut faz parte da minha vida”, comenta. “É uma forma de retribuir o carinho dos fãs. Pelos depoimentos e mensagens que escrevem, parece que me conhecem. Procuro responder a todos e, quando fazem aniversário, sempre dou um alô”.
Desirée está no elenco do humorístico “Zorra Total” desde o início do programa. De tantas participações, acabou ganhando um personagem fixo. A empregadinha Deodete e, atualmente, a Mulata Difícil Caroline, em que atua ao lado do ator Romeu Evaristo, o Angolano.
Formada em marketing e publicidade, Desiree conseguiu a vaga no humorístico na marra. Selecionada para participar de um programa no Globo pelo diretor Carlo Manga, foi mandada embora com toda a equipe quando o diretor foi sacado do projeto. “Bati na porta e implorei para ficar. Manga nem devia se lembrar mais de mim, mas eu falei ‘Pelo amor de Deus, você me selecionou’”, recorda. Ganhou um bilhetinho do diretor para procurar o todo-poderoso do “Zorra Total”, Maurício Sherman.
O que está faltando agora, Desirée? “Fazer novela, cinema e uma peça dramática. Quero me casar até o fim do ano e adoraria ter filhos gêmeos. Meu sonho é ficar velhinha atuando”.
Confira aqui o editorial de carnaval da Folha do Bosque com Desirée.
JANEIRO DE 2009
Receita simples, mas difícil de fazer
A fórmula do ator Nelson Freitas para fazer o seu nome ganhar projeção como seus conhecidos personagens na TV
Quem é Nelson Freitas? Apenas duas pessoas, segundo o próprio Nelson, sabem a resposta a essa pergunta. Sua mãe e o porteiro do seu prédio. O público conhece o Adão, Alfândega, Carretel, Jacinto, o Dorgival do Futuro (personagens interpretados por ele no humorístico “Zorra Total”, da TV Globo, desde 2001). Mas Nelson Freitas, quem é esse cara? É o corno do casal “Márcia e Leozinho” (outro quadro famoso do programa global). Ah, agora sim. “O Zorra tem essa característica. As pessoas gravam o nome do personagem, mas ninguém sabe quem é o Nelson Freitas. Quero encurtar essa distância entre o meu nome e o dos personagens”, diz o ator. A receita parece simples: um palco, a platéia, um banquinho e lá está Nelson Freitas em cartaz no Teatro dos Grandes Atores atuando no seu primeiro vôo solo no humor, o monólogo “Nelson Freitas e vocês”.
É daquelas receitas simples. Mas vai tentar fazer. Nelson faz, mas utiliza ingredientes premium. Para dirigir o espetáculo, ele convidou ninguém menos do que Chico Anysio. Mesmo após ter sido avisado por Bruno Mazzeo, filho de Chico, que seu pai não estava pegando mais esse tipo de trabalho. “Liguei para o Chico, que falou. ‘Vem na minha casa agora’. Ele topou de cara”, lembra Nelson, com orgulho. “É a maior sumidade da história do humor brasileiro. Meu ídolo. Qualquer papo com ele se transforma numa lição de vida.”
Nos outros componentes da fórmula estão embutidos os anos de estrada como ator do próprio protagonista. Ele participou de várias novelas na Globo e chegou a protagonizar, na Argentina, a novela musical infantil “Chiquititas”, exibida aqui pelo SBT, até engrenar no elenco do Zorra, no ano de 2001.
Nelson tem 47 anos e vive no Jardim Oceânico com a mulher, a procuradora da República Maria Cristina Cordeiro. Anda para cima e para baixo a bordo de sua Scooter Piaggio 250. Quando não está com a mulher na garupa, é porque Maria saiu com a moto dela. Tudo para escapar do trânsito da região. “Esqueceram-se de fazer um estudo de impacto urbano por aqui”, critica.
Tem duas enteadas. Uma mora com ele, enquanto a outra vive na Austrália. Esteve por lá recentemente visitando o neto e confessa a vontade de viver no exterior. “Não é pelo medo de morar aqui, mas sim pela indignação com a impunidade”, reclama. Cita o trecho de um livro americano que fala sobre o controle de natalidade para apontar uma das soluções do problema. “O governo brasileiro distribui pílulas gratuitas, mas não interessa que seja divulgado.”
Nascido em Mogi das Cruzes, Nelson chegou a ser oficial da Marinha Mercante e veio para o Rio cursar análise de sistemas na PUC. Mas queria mesmo era ser cantor e, quando viu o anúncio de aulas de teatro colado na parede do seu prédio, o Minhocão (aquele enorme localizado na entrada da Lagoa-Barra, em cima da universidade) mergulhou na carreira artística. Descobriu que não precisava acordar cedo para trabalhar e se apaixonou de vez pela profissão.
Preguiçoso? Tenta fazer a receita dele...
DEZEMBRO DE 2008
Inimigo oculto
Presença de jacarés aumenta no Canal de Maparendi e convívio com o animal se transforma em ameaça para os moradores
Já imaginou ganhar um lindo jacaré de presente de Natal? É só fazer um inimigo-oculto e torcer para que a pessoa que sorteou você sugira um passeio pelo Canal de Marapendi. O pescador Gilberto Reis há cerca de um ano faturou um desses presentes de grego quando pescava no local, próximo à Ponte Lúcio Costa. A água turva estava na altura de sua barriga quando ele percebeu uma coisa morder a sua perna direita com força e começar a puxá-lo. “Senti um impacto muito forte na minha panturrilha. Quando olhei para baixo, nem acreditei que estava sendo comido por um jacaré. Comecei a chutá-lo com a outra perna e, quando ele me largou, voltei feito um desesperado para a margem. Nunca corri tanto”, lembrou Gilberto.
Os jacarés chegaram ao Canal de Marapendi e começam a protagonizar histórias aterrorizantes. Para alguns, tudo não passa de lenda. Dizem que o jacaré-de-papo-amarelo, não ataca. Vai falar isso para o Gilberto, que foi parar no Hospital Lourenço Jorge e guarda até hoje o registro do atendimento. “Ainda fui motivo de chacota. As enfermeiras riam e ninguém sabia o que fazer com uma mordida de jacaré”, conta ele, que ficou sem andar durante um ano. “Depois de tomar vacina antitetânica e muito disse-me-disse, os médicos chegaram à conclusão de que não poderiam dar pontos já que a boca do jacaré é infestada de bactérias. Essa ferida que você está vendo aí era cinco vezes maior”, contou, apontando a marca da mordida para o fotógrafo do jornal.
Para quem ainda pensa que tudo não passa de história de pescador, que tal um papinho com o jardineiro do Costablanca, Francisco Barbosa. Ao capinar, dia desses, as plantas em frente ao condomínio, ele se deparou com o bicho de dois metros de comprimento à sua frente, na margem no canal. “Ele pulou da água na minha direção. Levei um susto e uma senhora começou a gritar ‘sai daí que ele vai te pegar`. Depois, ele voltou para água e ficou apenas com os olhinhos do lado de fora. Nem sabia que tinha jacaré por aqui”, relatou Barbosa.
Dizem também que o jacaré não ataca ninguém maior do que ele. Barbosa tem 1,70m e Maciel mede quase a mesma coisa. Alguns jacarés têm cerca de dois metros.
Falam ainda que uma moradora do condomínio Ocean Front foi passear com o seu poodle pelo lugar e, quando puxou a guia do animal, ele não estava mais lá. O pobre coitado já descansava no estômago do jacaré. “Ninguém até hoje achou essa mulher. Acho que não existe nada disso”, disse um morador que passava pelo canal.
Cuidado que ele pode comer a sua ceia também.
Ataques podem aumentar
Apesar de não ser agressivo, jacaré se torna perigoso se for alimentado pelo homem
O biólogo Ricardo Freitas Filho, aluno de doutorado em ecologia pela UERJ, há tempos pesquisa os jacarés da região. Segundo ele, o risco oferecido por esses animais é praticamente zero. Desde que se respeite o limite deles. “Quando as pessoas dão comida, o jacaré começa a associar a presença humana ao alimento. Com isso ele perde o medo do ser humano e passa a freqüentar esses locais onde encontra ‘comida fácil’. Há jacarés por aqui que, ao avistarem uma pessoa se aproximando, logo aparecem. Por que isso acontece quando o normal seria eles se afastarem? Porque o animal já espera pela comida”, explica Freitas. “Vamos supor que um jacaré de dois metros visse a imagem de uma criança e a associasse à comida. Pode, sim, acontecer algo de ruim”, alerta.
Moradora do Costabella, a bióloga Jeiza Terra também alerta para o convívio com os animais. “Eles estão no ambiente deles. Nós é que temos que respeitá-los, admirar de longe e não deixar que as crianças cheguem perto”, explica ela.
A moradora do Via Cancun, Denise Hecksher chegou pertinho, conseguiu filmar o jacaré e mandou para o endereço eletrônico do jornal. “Tinha cerca de um metro e meio, mas não parecia perigoso. Estava lá paradinho, tomando sol”, conta Denise, que estava a bordo da balsa que faz a travessia do Lake Buena Vista para o outro lado do canal. O único dilema foi convencer alguns moradores a aproximar a balsa do animal. “O guia tentou chegar perto para que todos pudessem ver melhor. Mas, enquanto algumas pessoas queriam ver, outras pediam para ele não se aproximar. Não acho que tenha problema algum”, disse.
Há 14 anos trabalhando no local, o balseiro Antônio Régis disse que nunca viu tanto jacaré passando no canal. “Começou há cerca de dois anos com uns pequenos, mas agora têm aparecido outros com mais de dois metros”, diz. Ver jacaré de perto também já virou rotina para Paulo César, outro balseiro que circula por essas bandas. “Noutro dia escutei um barulho debaixo da balsa e, quando fui ver, era um jacaré. Vejo também muita lontra, mico, pica-pau e capivaras”, conta ele.
Capivaras também invadem o canal As capivaras também invadiram o lugar e, recentemente, ganharam até uma passeata em prol de sua presença no canal. Apesar de o contato direto com o animal ser de extremo risco. Por natureza, as capivaras são hospedeiras do carrapato-estrela, responsável pela transmissão da febre maculosa, uma doença infecciosa que pode levar à morte,.
Para o oceanógrafo David Zee, a proximidade homem-animal é inevitável, mas é preciso torná-la o menos impactante possível para ambos. “O homem está avançando pelo espaço dos animais. Com isso, os animais estão se urbanizando. Só que o homem traz com ele a poluição. É preciso que haja estudo e pesquisa para que se descubra mais sobre esse desequilíbrio ambiental”, explica Zee.
“Já se percebem muitos barcos de pesca passando por aqui e caçando as capivaras e outros bichos”, denuncia o balseiro Régis.
Vale ressaltar o que a lei de crimes ambientais diz. “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécies da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”, está escrito no artigo 29. Além da multa, a pena de detenção varia de seis meses a um ano. A legislação, entretanto, determina que não representa crime o abate de animal quando há necessidade de saciar a fome.
As denúncias de caça podem ser feitas ao Ibama pelo 0800-618080.
Leia mais na coluna do jornalista Marlon Brum e no artigo do adestrador Sérgio dos Reis.
Veja as fotos do passeio das capivaras pelo Canal de Marapendi clicando aqui
NOVEMBRO DE 2008
EDIÇÃO ESPECIAL
Dez anos de informação
Da janela lateral do condomínio Barra Golden, numa tarde de 1998, a marqueteira Marta Corrêa vaticinou: “Tá vendo aquele terreno ali? Vão construir um shopping gigante. Ao lado dele, nascerá outro. Esses prédios aqui vão se multiplicar e essa região vai crescer muito. Um jornal distribuído nesse local tem tudo para ser um sucesso”. Marta se referia ao terreno onde hoje se localizam o Downtown e o Città America. Olhando pela janela do prédio, entretanto, o que se via era um imenso deserto. O que deu na cabeça da marqueteria, na época com 30 anos? “Vi tanto prédio subindo, tão rápido, que pensei: isso vai virar uma cidade na vertical. Imaginei como as pessoas entrariam e sairiam da Henrique Cordeiro. Temi pelo aumento da poluição do canal e o acúmulo de problemas. A comunidade precisava de uma voz”, explica ela. A mensagem atingiu como uma flecha o coração do jornalista Luiz Neto, seu irmão, que acabara de largar o emprego na rádio FM O Dia. “Era a oportunidade de fazer o que eu sempre desejei, um jornal impresso”, lembra Neto. O próximo passo foi espalhar pela região uma mensagem na qual se lia: “Vem aí A Folha do Bosque”. Impresso na gráfica Tribuna da Imprensa, dois meses depois, em junho de 1998, nascia o jornal A Folha do Bosque. O primeiro número do periódico, com a palavra “Chegou!”, num fundo todo preto (veja em foto no detalhe) contava com uma tiragem de quatro mil exemplares. Oito páginas em preto e branco apresentavam como reportagem principal a construção das áreas de lazer da ABM.
Aventura concreta
Pauta da primeira reportagem da Folha: o então prefeito Conde e o atual, Paes (agachado), na inauguração da ABM, em 1998.
A primeira reportagem no jornal A Folha do Bosque nasceu numa reunião com os fundadores da ABM, em 1998, no local onde hoje existe a quadra de grama sintética da associação. No concreto no qual seria construída a arquibancada, Marta apresentou a idéia ao grupo e o jornalista Luiz Neto sacou imediatamente a pauta: um panorama com informações sobre o que seria construído nas três áreas cedidas pela Prefeitura para a associação. Um dos fundadores da ABM, Afonso Chaves recorda a reunião a céu aberto.
“Na hora imaginamos que se tratava de mais um jornal em meio a tantos que já existiam por aqui. Para a nossa felicidade, todos os demais passaram e a Folha ficou. Vimos um bairro nascer e o jornal do Bosque é a própria história desse lugar”, comenta Chaves, que hoje ainda guarda em casa a primeira edição do informativo. “Estava arrumando o armário outro dia quando de repente me aparece um urubu saindo lá de dentro. Era o primeiro número da Folha com aquela capa toda preta”, recorda. “Como o jornal evoluiu”.
Dois anos após o lançamento da Folha, Marta foi viver o seu sonho de morar no exterior. Pela internet, nos EUA, viu a inauguração do Città com a participação da atriz Sophia Loren. “Quando vi que teria Parque da Mônica e Hard Rock Cafe no mesmo local, pensei: está crescendo mais do que eu ima-ginava”, lembra. Ao retornar para o Brasil, oito anos depois, e notar as construções de novos condomínios e o término das obras que foram paralisadas, chegou a se assustar. “O Canal de Marapendi está marrom, o trânsito é um absurdo, sem contar com outros problemas que fugiram ao controle. O papel do jornal agora é muito maior”, sentencia a marqueteira.
As dez reportagens mais importantes
No prato cheio de notícias que é o Bosque, já teve até missa realizada na rua para espantar o mau-olhado
Dentre os ingredientes que enchem o prato bem-servido de notícias que é o Bosque Marapendi, um se destaca pelo, digamos, tempero apimentado. Afinal, em qual rua do mundo cai um prédio; o síndico estrangula uma moradora; os fundos de uma concessionária desembocam na saída de carros de mais de dois mil apartamentos; o lugar não tem saída; e, para caminhar, a possibilidade de não pisar em fezes de simpáticos cãezinhos é a mesma que a de se arremessar um ovo da janela e este cair em pé, sem quebrar? Não tem como errar a resposta: até uma missa já foi realizada na Rua Jornalista Henrique Cordeiro, em junho de 2001, na tentativa de espantar os maus fluidos do lugar. “O velho Cordeiro devia estar rindo lá de cima”, diz o próprio Henrique Cordeiro (filho do jornalista que dá nome à rua), lembrando que a idéia do grupo era mudar o nome do logradouro. “Levei um choque quando soube disso”, diz ele, que, até hoje, sofre quando pede uma pizza, passa o endereço e diz que é o Henrique Cordeiro. “Pensam que é trote e desligam”.
O Bosque, entretanto, não é um prato cheio apenas de tragédias. Apesar de um ataque de um pit bull aqui – como o ocorrido contra um segurança da ABM, no meio do Bosque, em setembro de 2002 – uns terrenos abandonados ali e um punhado de prédios aglomerados que tornam o trânsito da região cada dia mais assustador. Os moradores do lugar adoram transformar o playground dos prédios em verdadeiras casas de festas. Parecem felizes, mas, até na alegria, a polêmica invade a área. O som alto já foi apontado como inimigo número um dos moradores numa reportagem publicada em abril de 2004.
Mas som que é bom tem mesmo no Downtown. Em janeiro de 2004, o oásis sonoro em que se transformou o lugar foi pauta de quase uma edição inteira deste informativo. A matéria abria com o cantor Alex Cohen – que lotou Canecão e Garden Hall só com a venda de convites dentro do shopping e trouxe a reboque um mar de cantores para o lugar. “O Downtown foi o shopping que abriu as portas para mim”, comenta Cohen.
Mas no Downtown também tem arranca-rabo. Em maio de 2005 a moradora Nazaré Sady puxou o freio de mão e atravessou o seu carro na porta do lugar. A lei que proibia a cobrança de estacionamentos tentava emplacar mais uma vez. Sem sucesso.
Quem parou mesmo o trânsito foi a garota Folha do Bosque, no concurso realizado pelo jornal, em 2006, para eleger a musa da região. A seguir, confira um panorama dessas e de outras reportagens publicadas em uma década de jornalismo.
1. Julho de 1998 - Tragédia
2. Junho de 2001 - Oração na Henrique Processo Cordeiro
3. Maio de 2001 e novembro de 2002 - Processo
4. Outubro de 2001 e setembro de 2002 - Pit bull ataca segurança
5. Março de 2002 - Protesto
6. Janeiro de 2004 - Oásis sonoro
7. Abril de 2004 - Confusão do barulho
8. Maio de 2005 - Saída bloqueada
9. Fevereiro de 2006 - As beldades
10. Maio de 2007 - Pesadelo de concreto
CLIQUE AQUI para ler sobre as reportagens acima
OUTUBRO DE 2008 - STRIKE
Fenômeno na internet, grupo fatura quase todos os prêmios de música que participa
A molecada começa a virar o jogo quando o guitarrista da banda Strike, André Maini, telefona um dia para o seu pai e pergunta: “O senhor está precisando de alguma ajuda aí?”. A frase é surpreendente para quem até pouco tempo deixa a pacata Juiz de Fora, para morar num prédio de sala e quarto, no Bosque Marapendi. Maini e mais quatro integrantes do grupo vieram numa van com colchonetes, guitarras e um show marcado no Rio. Antes, numa reunião com os pais de cada um, ficou acertado que cada garoto receberia uma ajuda de custo de R$ 300. Logo depois do show fecharam contrato com a gravadora Deckdisk, lançaram o CD “Desvio de conduta” e faturaram quase todos os prêmios de música dos quais participaram: o VMB, na categoria “Aposta MTV”, em 2007; e revelação dos Prêmio Multishow e MTV, em 2008. Emplacaram o single “Paraíso proibido” na abertura da novela “Malhação” e colocaram mais duas músicas nos primeiros lugares das principais rádios jovens do país. Quando pularam do sala e quarto para uma casa de quatro andares no condomínio Saint Tropez, o jogo já estava ganho. Montaram um estúdio no local e ali mesmo ensaiam os acordes de “O jogo virou”, a terceira música de trabalho do grupo, que se apresenta dia 18 de outubro, no Citibank Hall.
Os clipes da banda estão entre os mais executados do programa TVZ, do Multishow, sendo que o vídeo de “Paraíso proibido” ultrapassou a marca de três milhões de acessos no YouTube. No MySpace, o Strike também bomba: são quase 320 mil execuções. “Há mais de 1.500 mensagens por dia no nosso fotolog”, diz Maini. A turnê do Strike já contabiliza mais de 100 shows pelo Brasil. As fãs alucinadas superlotam as casas de espetáculo por onde a banda passa.
Mas qual o segredo para Marcelo Mancini (voz), Cadu (bateria), Fábio Perez (baixo), Rodrigo Maciel e Maini (guitarras) conseguirem essa goleada depois de virarem um jogo tão equilibra-do? Uma das respostas está na rede, que balança a cada clique dos meninos no computador. Na casa são seis máquinas. Uma para cada um, além do produtor. Antes de tomar de assalto o circuitão, a banda alcançou popularidade na internet. Na comunidade oficial do Strike no Orkut, mais de 100 mil pessoas estão filiadas ao grupo. Somando com outras comunas criadas para a banda, para os seus integrantes e com as pessoas cadastradas no site, cerca de 250 mil pessoas estão ligadas ao Strike pela rede. “É uma arma vital para a banda saber usar a internet”, vaticina Mancini, que, aos 30 anos, destaca-se do grupo, que está na faixa dos 23. “Nem sabia mexer em computador, foram eles que me ensinaram. Mas quando vi que esse era um dos caminhos, mergulhei fundo”, completa o vocalista.
“Falamos do que vivemos, mas sempre com alto astral. Sem choro”
O outro segredo está no terceiro andar da casa. No estúdio, a banda repete à exaustão os acordes do punk hardcore melódico que permeia as canções do grupo. Ali, Mancini vara madrugadas criando letras que falam de diversão, noitadas, namoros, desilusões, festas e conquistas. “Falamos do que vivemos, às vezes de forma sarcástica, mas sempre com alto astral e positivismo na mensa-gem. Sem choro”, explica ele. “Esse negócio de muito meloso e emotivo não combina com a gente”.
A turma quase não curte a região. Tirando uma ida e outra até a pista de skate da ABM, vivem de casa para a estrada. No dia em que receberam a equipe do jornal A Folha do Bosque se preparavam para encarar a Via Dutra. Teriam que acordar às 6h para chegar às 14h em Sampa e gravar o programa Raul Gil. “É bom que lá ele sempre repete o telefone de contato”, comentava Guto, imitando o apresentador. Na sala, o grupo combinava os últimos detalhes da viagem. Rodrigo acabara de esquentar uma pizza, Guto tirava os ingredientes da lasanha para fazer um sanduíche, Maini e Fábio relaxavam no confortável sofá e Mancini, com um sorriso maroto, pedia ao produtor: “Dá para dar uma carona para uma amiga minha de Sampa na volta?”. “Que amiga?”, alguém perguntou. “É minha, mas no caminho vamos ver se ela é amiga da galera”, respondeu Mancini. “Uma vez, uma menina viajou com a gente e no final não sabíamos mais com quem ela estava ficando”, lembrou.
Desta forma, não há mesmo como restar um só pino de pé no boliche do rock´n´roll. É Strike!
SETEMBRO DE 2008 - BIA E BRANCA FERES
As formas ativadas pelas super gêmeas
Bronze no Pan de 2007 e fora das Olimpíadas de Pequim, as musas do nado sincronizado mergulham em outras águas
Os cerca de 1,3 bilhões de habitantes da China poderiam ter ficado com os olhos menos puxadinhos. Ou seja, 25% da população do planeta Terra perdeu a chance de ver as gêmeas do nado sincronizado, Bia e Branca Feres, em ação. Mas se depender das meninas, os ingleses terão melhor sorte. Elas garantem que não ficam fora das Olimpíadas de 2012, em Londres. Quem pode sair perdendo nesse caso é a rainha caso as beldades pulem na água na hora da troca de guarda. O que vai ter de soldado abandonando o palácio de Buckingham para ir pra frente da televisão...
Sorte dos moradores do Bosque que não precisam esperar quatro anos para ver de perto o fenômeno Bia e Branca. Na balsa do condomínio Lake Buena Vista elas são figurinhas carimbadas. Não perdem um dia de sol na praia. Cuidado apenas para não cair na água ao ser hipnotizado pela forma de duas sereias ativada pelas super gêmeas.
O morador do Lake, Rafael Gonzalez, é, digamos, o mais sortudo de todos. Namora uma das meninas há cinco anos. Foi hipnotizado na praia pela beleza de Bia, mas hoje ainda se distrai e agarra Branca de vez em quando. “Fiz um strike no boliche e quando virei abracei a Branca. Já ia beijá-la quando notei que não era minha namorada”, conta.
Tadinho: recentemente teve que ir com as duas para Teresópolis passar um final de semana. Branca terminou o namoro e foi parar no hotel com a mãe, a irmã e com quem? O habitante mais sortudo do Bosque: Rafael.
“A Branca se parece muito com o Rafa. Viraram os melhores amigos”, conta Bia, que leva a vida com a irmã com a mesma sincronia das coreografias apresentadas por elas nas piscinas: até o orkut das meninas é o mesmo. “Só discutimos quando estamos treinando e uma erra um movimento”, garante Branca.
Quando não estão nas piscinas treinando elas ativam a forma de duas modelos. O resultado pode ser conferido no site Paparazzo, num ensaio sensual feito recentemente para a revista Vip e até em outdoors espalhados pela região, na campanha de uma grife feminina.
Participaram da novela Duas Caras e mergulharam na faculdade de teatro. Decidiram que estava na hora de ativar a forma de duas atrizes e finalizam as filmagens do longametragem “Dores e amores”, com estréia prevista para janeiro de 2009. Na trama de Ricardo Pinto e Silva, as irmãs disputarão o jovem Kayky Brito. “A Bia vai roubar meu namorado, mas no fim ele não fica com nenhuma de nós duas”, conta Branca, que ainda tem forças para ativar com a irmã a forma de apresentadoras de TV e já gravam o piloto de um programa de ação.
Mas mesmo com tantos holofotes elas garantem que a meta é Londres 2012. Melhor não duvidar das meninas que parecem mesmo ter super poderes, tal qual os Super Gêmeos criados por Hanna-Barbera para o desenho Super Amigos. Acabaram de voltar dos EUA, onde ganharam a medalha de prata no US Open e partem para mais uma disputa de Brasileiro, onde tentam o bicampeonato. “Treinamos mais de quatro horas por dia. Graças a tanta exposição conseguimos patrocinadores fortes, mas ficamos chateadas quando insistem em dizer que vamos abandonar as piscinas”, comenta Bia. O cubo d’água (como preferem chamar alguns locutores atualmente) agradece.
AGOSTO DE 2008 - BARBARA MENDES
Ela quer ser Barbara no Brasil também
Após dez anos em Nova York e a caminho da sétima turnê na Grécia, a cantora lança CD à procura da mesma projeção alcançada no exterior
Barbara Mendes não anda pelas ruas na Grécia sem ser abordada por um fã ávido por um autógrafo. Em outubro desse ano, ela volta ao país onde alcançou projeção e lançou o álbum “Live in Greece” para sua sétima turnê por lá e uma série de nove shows. Na Grécia, Barbara é tratada como fenômeno musical e quem esteve recentemente nos shows de lançamento do seu novo CD, “Nada pra depois”, no Brasil, testemunhou ao vivo o porquê da idolatria. Aos 35 anos, após passar 10 em Nova York, Barbara tenta repetir no Brasil o sucesso alcançado no exterior. “Minha casa é a minha casa. Quero fazer carreira por aqui apesar de todos os percalços”, declara.
Nos EUA Barbara também é “A Cara”. Figurou num show em tributo a Elis Regina, junto a Bebel Gilberto e Nana Caymmi, no novaiorquino Tom Hall, em 1998; gravou a música “Inútil paisagem”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, que embala a abertura do filme Bossa Nova, de Bruno Barreto, no ano seguinte; e em 2005 teve sua interpretação de “Praia de Genipabu” incluída no longa “Be Cool – O outro nome do jogo”, protagonizado por Travolta e Uma Thurman. Além disso, a cantora emprestou sua voz para um remix da banda francesa Rhinocerose e para o single Awaking, pilotados pelo DJ e produtor francês François K. – que já aparou músicas de U2, Kraftwerk e The B-52’s. Ambos os trabalhos chegaram às lojas da Europa, Japão e EUA.
“Voltei porque não fui pra lá pra não voltar. Fui pra fazer um curso de canto de um ano e fiquei 10. Mas tenho saudades da multi-cultura, dos encontros inesperados, das inúmeras possibilidades que a América te proporciona”, recorda.
Numa dessas oportunidades conheceu o produtor e instrumentista Eumir Deodato, que há mais de 40 anos grava discos e faz shows nos EUA. Sua carreira internacional deslanchava ali. “Eu o conheci no Cafe Wha, onde comecei a cantar. Um dia, ele foi lá e fomos apresentados por um amigo em comum. Eu era bem menina, 23 anos, mas tivemos uma ligação musical muito imediata. Eu muito ansiosa pra aprender e ele muito ansioso pra se renovar”, conta Barbara.que já cantou no japonês Ocean Blue Jazz Festival, em 98, em edição na qual Herbie Hancock se apresentou.
A cantora recorda da história engraçada que a levou para o Japão: “Eu estava cantando num club de jazz no Village e entrou um grupo de japoneses com cara de mafiosos. Viram o show e depois – num inglês macarrônico – me entregaram um cartão, falando que eram produtores de um festival de Jazz no Japão e que queriam me levar no ano seguinte. Eu disse: ok! Ao checar o site do festival, percebi que, simplesmente, George Benson, Chaka Kan, Herbie Hancock e todos os meus maiores ídolos já tinham estado por lá. Três dias depois recebi um e-mail dizendo que queriam que eu fosse em um mês e não no ano seguinte. Estadia e tudo pago pelo festival”.
No recém-lançado “Nada pra depois”, Barbara conta com as participações de Djavan na música título e de Ivan Lins na composição inédita do cantor, “E isso acontece”. A ligação com o compositor alagoano é antiga. “Conheço o Djavan desde menina, porque estudei com o filho dele, Max Viana”, conta. “Ele ia para Nova York e a gente sempre se encontrava. Quando voltei para o Brasil, ele disse que gostaria de me ajudar. Ele soube que Max estava gravando comigo e por esse motivo me telefonou”, lembra. “O Ivan mencionou meu nome numa entrevista. Eu entrei em contato e disse que estava procurando músicas para o meu repertório. Ficamos amigos assim”, resume.
Outro expoente da MPB que cede seu prestígio ao debute de Barbara no Brasil é o cantor Flávio Venturini. “Fiz participação em shows dele no Rival e ele viu sete dos meus na Grécia”, explica.
O CD, produzido pelos baixistas, Maurício Oliveira (seu parceiro de composição) e André Vasconcelos, traz sete canções com letras escritas por Barbara. “Acho que a gente pode ser muitas coisas dentro da música e eu estou buscando, buscando” .
Clique aqui para ler o papo completo com a cantora.
JULHO DE 2008 - MARCUS MENNA
Estou de volta e seja o que Deus quiser"
Quatro anos depois de uma lipoaspiração malsucedida, que fez seu coração parar por 20 minutos e o colocou dois meses em coma, Menna volta a gravar
O celular de Marcus Menna, ex-vocalista do LS Jack, toca no meio do estúdio enquanto ele ensaia os versos de Carla. O cantor faz uma pausa para atender, mas o som continua a todo vapor. Do outro lado da linha, segundo os músicos, devia ser sua noiva, Priscilla Dias, que ele conheceu no Downtown através de um amigo em comum. Carla – sua ex-mulher, musa inspiradora do hit que estourou em 2001 e com quem tem uma filha, Luana, hoje com 4 anos – não está mais com ele. Quatro anos depois de uma lipoaspiração malsucedida, que fez seu coração parar por cerca de 20 minutos e o pôs na escuridão de um coma por dois meses, o cantor, de 31 anos, instala o corpo debaixo das luzes outra vez. Seu disco solo de estréia “É preciso saber viver – Marcus Menna Acústico”, acaba de sair e o cantor ensaia para cair na estrada. “Deus quis que eu voltasse e agora quero reconquistar o que era meu”, dispara Menna, se expressando com alguma dificuldade e ainda com a memória um pouco abalada.
Em conseqüência do coma, o cantor sofreu uma lesão cerebral. Nada que diminua sua confiança e a dos músicos que o acompanham. “Quem for assistir ao show do Marquinhos sabe que ele ainda tem algumas limitações, mas não acredito que isso diminua a emoção de vê-lo novamente no palco depois de ter passado por tudo que ele passou”, diz Airam Pinheiro, amigo de infância de Menna e até hoje vizinho dele no condomínio Barramares. “Sua trajetória de superação e a força de vontade falam muito mais alto do que qualquer pequeno erro que ele possa vir a cometer na hora de cantar”, completa ele, que também é um dos produtores do CD e divide voz e violão com Menna. “Tocar com o Marcus é uma gratificação divina. Acho que agora ele está mais carismático do que nunca”, vibra o baixista Márcio Mosca.
No novo CD, Menna regrava artistas cujos versos dizem muito para ele. “Você não sabe quanto eu caminhei pra chegar até aqui” (Cidade Negra); “Eu vejo a vida melhor no futuro” (Lulu); “Vou deixar a vida me levar” (Skank); “O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou” (Barão); “Ei dor, eu não te escuto mais” (Jota Quest), além da faixa título “É preciso saber viver” (Roberto e Erasmo), entre outros. Rogério Flausino, Toni Garrido, Wilson Sideral e Zé Henrique gravaram participações, e também cantam com Menna. O disco ainda traz dois sucessos do LS Jack (Talvez e Você chegou) e dois petardos de Menna (Carla e Sem radar).
“É um grande prazer voltar a fazer o que eu gostava. Poder entrar aqui nesse estúdio belíssimo”, avalia o cantor, no momento em que bate no peito pra dizer: “Quero voltar com tudo para ser outra vez o que eu fui um dia”.
Recuperação ao som de Iron Maiden
O som pesado de heavy metal de grupos como Iron Maiden e Whitesnake ajudam na sua recuperação. Vez por outra os músicos dedilham acordes que o fazem recordar os tempos de Maiden cover. O próprio lançamento do álbum é mais um passo para a melhora do cantor segundo a neuropsicóloga Lúcia Braga – diretora-presidente da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, em Brasília, responsável pelo tratamento de Menna. “A participação em todas as etapas do projeto é um processo terapêutico. É mais uma vitória da força de vontade dele, do apoio da família e dos amigos”, conclui.
“Pude observar de perto as mudanças pelas quais ele passou desde que entramos no estúdio para gravar. Tenho certeza de que para ele a música é melhor do que qualquer remédio”, completa Airam
O tratamento com fonoaudiólogo e fisioterapeuta – devido a uma falha no movimento das mãos – continua. O músico voltou a fazer faculdade de canto em 2007, pratica musculação, pega uma praia e, às vezes, sai à noite com Priscilla. Com a velha jaqueta, argola na orelha e as tatuagens (a palavra voz em letras góticas no ante-braço, um leão, um sol e mais algumas). “Estou de volta, seja o que Deus quiser”...
JUNHO DE 2008 - FERNANDA VASCONCELLOS
A nora que toda mãe pediu a Deus
Eleita a melhor mulher do mundo para casar, Fernanda Vasconcellos transita entre o ousado e a fama de boa moça
Até a avó ela leva para o lançamento do seu ensaio sensual. Apegada a família e avessa a baladas, numa eleição entre os leitores da revista VIP, foi eleita a melhor mulher do mundo para se apresentar à mãe. Ideal para casar. “Sempre me dei muito bem com família de namorado, de amiga. Mas eu gosto mesmo é de ficar em casa, não é para fazer tipo. Quando é para sair rola de mãe comentar: “Ah, a Fernanda vai, então é seguro”, comenta Fernanda Vasconcellos em entrevista à revista VIP, na qual ela emplaca a capa do mês, e aparece num ousado ensaio Paradoxal? Talvez. Mas Fernanda sempre ousou trafegar entre o sensual e a fama de boa moça. No programa “Domingo Legal”, no SBT, era uma das meninas que aparecia com aquelas roupinhas curtas fazendo a dança do passarinho. Antes, havia sido figurante do extinto programa “Fantasia”, na mesma emissora.
Até que resolveu deixar tudo em São Paulo para fazer um teste na novela “Malhação”. Pegou um ônibus e veio para o Rio deixando os pais, curso de direito e namorado para trás. Já havia desistido e retornado para sampa quando recebeu um telefonema para viver a protagonista Betina na série teen.
Delirou com o trabalho, mas seus olhos viviam marejados de tantas lágrimas. “Chorava todos os dias de saudade. Sou muito apegada aos meus pais. Adoro dormir juntinho com eles quando vou visitá-los” disse.
Era a época em que morava de aluguel no condomínio Barra INN e trabalhava com a empresária Cláudia Magalhães, que derrama elogios para a atriz: “Ela é superfantástica, muito dedicada, carinhosa e realmente muito família. Uma pessoa hiper profissional e totalmente do bem. E é pé no chão, não se deslumbrou com todo o sucesso”, conta Claudinha.
Fernanda também é pura emoção. Quando soube que Betina sairia da trama global passou mal com a notícia e foi parar dentro de um ambulatório do estúdio Projac.
A Globo, entretanto, tinha planos para a pequena paulistana de apenas 1,58 de altura. Na novela “Páginas da vida”, no ano passado, ela viveu a personagem que considera o divisor de águas de sua carreira. Nanda, uma mãe que morreu no parto, continuou na trama atendendo a pedidos do público e virou a fantasminha mais gata de todos os tempos.
Recentemente, protagonizou a última novela das seis da Globo, “Desejo proibido” e há cerca de seis meses fez algo inédito na sua vida: a compra da primeira sandália rasteirinha – devido a baixa estatura, sempre foi adepta do salto alto, de preferência acima dos 10 centímetros.
Aos 23 anos, Fernanda transformou-se numa espécie de queridinha do Brasil. No site de relacionamentos Orkut, contabilizam-se mais de 50 mil pessoas em cerca de 90 comunidades dedicadas à ela. “Se eu tivesse a oportunidade de falar com ela, seria o dia mais feliz da minha vida”, diz o criador de uma das páginas dedicadas à atriz, Vinicius de Oliveira.
A moça não confirma o fim do namoro com o apresentador André Marques, mas tem sido vista com o empresário Raul Gutierrez. Solteira ou não, se ela é para casar ou não a atriz tem uma certeza: não curte virar mãezona de namorado. “Não sou investigadora de polícia. Manter certo mistério é legal”, finaliza.
fotos Felipe Lessa
MAIO DE 2008 - CARLA MARINS
“A minha grande viagem agora é ser mãe”
Apaixonada e feliz com sua personagem na minisérie global “Faça a sua história”, a atriz Carla Marins vive o sonho da maternidade aos 39 anos
Nem tabelinha, nem mudança na alimentação, muito menos tratamento para fertilidade. Aos 39 anos, a atriz Carla Marins lançou mão da mandinga paraense para facilitar a realização de um grande sonho: a maternidade. Ela e o namorado, o professor de educação física Hugo Baltazar já tentavam encomendar um pimpolho há cerca de quatro meses quando a atriz Dira Paes, amiga de Carla, entrou em ação. “Na época, ela estava com cinco meses de gravidez e falou ‘vem cá que eu vou fazer uma mandinga: você vai encostar sua barriga seca, na minha que está fértil e eu vou puxar seu cabelo’. Não deu outra: rapidinho engravidei, diverte-se. Para a atriz, que completa 40 anos em junho, idade não é problema. Ela grante que o momento é ideal. “Sou madura, já tive muitas experiências e vivi tudo que tinha que viver. Minha grande viagem agora é ser mãe”, resume Carla, que atualmente encarna a ciumenta Adalgisa no seriado global “Faça sua história”.
Afastada da TV desde o fim da novela “Pé na jaca”, em junho do ano passado, a atriz soube da gravidez pouco depois de ser escalada para o papel. “Assim que confirmei, fui conversar com Roberto Talma, que dirige a série, mas ele não fez nenhuma objeção. Ao contrário, disse que criança dá sorte”, lembra Carla, que está entrando no quarto mês de gestação. A única mudança no programa é que Adalgisa, mulher do taxista Oswaldir, encarnado por Vladimir Brichta, vai engravidar.
Mas, se na ficção a gravidez de Carla provocou apenas uma pequena alteração na trajetória de Adalgisa, na vida real, a atriz passa por uma série de mudanças, inclusive de endereço. Ex-moradora do Atlantys, onde chegou a dividir apartamento com o irmão por alguns meses, Cara, que mora atualmente no edifício Mirante Cinco Estrelas com o namorado, prepara-se para outra mudança. O casal decidiu morar num apartamento maior antes mesmo da chegada do bebê. A cerimônia de casamento foi adiada por enquanto. “A gente estava pensando em fazer uma coisa diferente, talvez até num barco, mas essa idéia meio que subiu no telhado”, brinca Carla, explicando que o casal pretende oficializar a união em breve: “pelo menos no civil”.
Diante da sintonia da dupla, no entanto, a legalização do enlace parece ser um mero detalhe. Durante mais de uma hora de bate-papo com a reportagem da Folha, o casal – que usa alianças na mão esquerda – trocou olhares cúmplices e de admiração mútua escancarada. O namoro começou há pouco mais de um ano, depois de uma conversa inusitada na academia de onde Hugo é professor. “Na verdade, não me lembro bem como começamos o papo, mas a conversa era sobre investimentos, aplicações. De repente, começamos o maior papo cabeça”, recorda a artista, confessando o que de fato pensava enquanto discorria sobre planejamento financeiro e assuntos afins: “Olhava pra ele e pensava: ‘nossa, que olhos lindos’”, entrega.
O jeito de menina e olhos rasgados de Carla também não passaram despercebidos pelo professor de 28 anos, que até então nem desconfiava da profissão da moça. “Só quando saímos juntos pela primeira vez e ela me disse que era atriz, entendi porque achava que a conhecia de algum lugar”, recorda Hugo, que quase não vê televisão. “A gente paga a assinatura da TV a cabo mas ele nem liga”, diz Carla, que ao contrário do futuro marido, têm dedicado à telinha boa parte de seu tempo livre. “Ultimamente, meu programa favorito é o Supernanny “, admite a atriz, que até o ano passado nem pensava mais em ser mãe.
“Quando eu tinha 27 anos, meu relógio biológico tocou e eu senti vontade de engravidar”, revela Carla, que na época não cedeu. “Eu queria ser mãe mas não tinha encontrado a pessoa certa para ser o pai do meu filho”, justifica. Com o tempo, a vontade passou e a atriz acreditava que jamais escutaria novamente o som do tal relógio. “Mas aí, conheci o Hugo”, derrete-se.
Caseiros, os dois costumam fazer programas como ir ao cinema, teatro, jantar com os amigos e claro, malhar. Adepta dos exercícios desde sempre, a atriz ganhou um personal trainer. Atencioso e dedicado, Hugo cuida pessoalmente do condicionamento físico da amada, que após a primeira fase de “Faça sua história”, passar um tempo longe do trabalho para se dedicar aos primeiros capítulos de sua nova história. Não percam...
ABRIL DE 2008 - BRUNO MAZZEO
“Só no Brasil Big Brother vira celebridade”
Bruno Mazzeo encontra o seu espaço, marca território como ator e roteirista, e encara a sua primeira novela na rede Globo
Bruno Mazzeo está em sua batcaverna. Cansou de trabalhar em casa e ter que atender a toda hora a campainha, o filho pequeno e a esposa. Trancou-se numa salinha encarapitada no Bosque Marapendi e apenas a sua mulher sabe o telefone de lá. Espalhou pelo lugar poltronas confortáveis, uma mesa ampla, um frigobar, uma cafeteira e colou cartazes com trabalhos seus pelas paredes. Mas tudo o que ele precisa é de silêncio para escrever mais um capítulo do programa “Cilada”, que vai ao ar no canal Multishow e retrata as furadas nas quais as pessoas costumam se meter no dia a dia. Os pedintes, as blitz da PM, o trânsito, os telefonemas dos vendedores de qualquer coisa (o ignóbil serviço de telemarketing), as filas no supermercado e os flanelinhas são o seu alvo.
Na TV aberta, ele estréia na teledramaturgia. Faz par com Carol Castro em “Beleza Pura”, novela em que encarna um cômico vilão. Está longe, entretanto, de ser um novato no metiê. Foi redator final de “A diarista” e escreve para diversos programas de humor da Globo há mais de 15 anos. Vascaíno como o pai, Chico Anysio, às vésperas de completar 32 anos, Bruno bate um papo com o nosso editor sobre televisão e cinema. “Mas tem que ser rápido porque mais tarde tem jogo do Vasco”, avisa ele.
Sendo filho de quem é, você certamente passou a vida convivendo com grandes nomes da TV, gente que se preparou muito. O que você acha dessa geração que quer entrar para a TV a qualquer preço, como alguns dos BBBs, por exemplo, que saem da casa dizendo que pretendem seguir “carreira artística”?
“Esse culto às celebridades deu uma confundida nas coisas. O ofício de artista vem perdendo o respeito. Qualquer um acha que pode ser artista, fazer novela. Mas no fim das contas só sobrevive quem tem talento. Quem não tem, dança”.
Você assiste ao BBB? Curte? O que acha do programa?
“Assisto. Assisti a todas edições. Gosto bastante das edições, aquelas novelinhas, charges, acho super criativo e, na verdade, é o que tem prendido. O formato reality eu acho sensacional, tem coisas muito boas, principalmente na TV a cabo. É uma tendência que surgiu pra ficar. Só não gosto dos BBBs depois ficarem contratados da Globo, fazerem comerciais. Acho que só aqui no Brasil BBB vira celebridade”.
Por que “A diarista” saiu do ar?
“Não sei porque saiu. Fui surpreendido com a notícia por parte da direção da empresa de que o programa sairia em duas semanas”.
Pelo programa “Dicas de um sedutor”, do Luiz Fernando Guimarães, parece que o Brasil ainda não achou o tom dos sitcons. Você concorda?
“Já fizemos bons sitcons, sim. “Grande família”, “Os normais”, “A diarista”, “Os aspones”, o próprio “Cilada”. Não dá pra querer comparar com os americanos, até pela questão cultural”.
Seu pai curte o “Cilada”? O que ele comenta com você em relação ao programa?
“Ele curte, sim. Não é muito de ficar dando palpite, é super discreto e respeitoso nesse sentido. Mas curte. Até agora só disse não ter gostado do episódio “Acampamento”, o que é compreensível, já que é um ambiente que ele nunca freqüentou”.
Ainda sobre o seu pai: ele costuma dar palpites nos seus projetos/textos. Caso sim, como você assimila essa interferência?
“Ele só fala mesmo quando acha que é algo que está me prejudicando. Numa peça minha disse que eu estava falando rápido demais. Disse isso nas duas vezes em que foi assistir”.
Como é o seu relacionamento com ele? Ele é um avô coruja?
“É o melhor possível. Conversamos muito, sempre, sobre tudo. Ele é super coruja, adora o João e, vez ou outra, João me pede pra levá-lo na “casa do vovô Chico”. Ele tem uma maletinha onde sempre deixa um chocolate a espera do João. E João, quando chega lá, vai direto na maletinha”.
Já passou pela sua cabeça algo como “eu só cheguei até aqui por causa do meu pai”?
“Não, até porque não é verdade. Meu pai foi meu maior incentivador, minha maior referência lá no começo. Mas dizer que eu “só” cheguei por causa dele seria exagero. Cheguei porque tenho talento, porque tive (e venho tendo) oportunidades, porque tenho boas parcerias, enfim, são vários os fatores.”
Após assistir a “Juno” no cinema, depois de toda aquela fotografia e som, dá para pensar que ainda falta muita coisa para o cinema brasileiro chegar lá?
“Tô louco pra ver “Juno”. Claro que falta muita coisa para o cinema brasileiro. Dinheiro, pra começar. E, em seguida, bons roteiros. O roteiro é a base do cinema e, no Brasil, as pessoas parecem não valorizar tanto. Os próprios diretores querem escrever. Só que eles são diretores e não autores. Depois, com um roteiro pronto, é muita gente metendo o bedelho, dando palpite, cada um com sua visão”.
A rede Record cresce cada vez mais e oferece novas possibilidades aos atores, mas muita gente diz que não há ali, um “padrão Globo”. Você concor-da? Aceitaria um convite para trabalhar em outra emissora?
“Para responder a isso eu teria primeiro que ouvir a proposta, analisar questões financeiras e condições de trabalho. Sou muito feliz na Globo, onde trabalho desde sempre. Mas torço para que a Record cresça”.
Está sabendo que esse terrnão em frente ao Office Tower vai virar um shopping? Você é contra?
“Não sabia, mas não me surpreende. O que mais se faz na Barra é shopping. Além de pagode”.
E os meninos de rua nos sinais, te incomodam? Você dá esmolas? Já sofreu alguma situação inusitada nos sinais das redondezas?
Não costumo dar esmolas para crianças. Às vezes até dou para velhinhos. Mas dou muitas roupas. Acho muito triste que a gente tenha que conviver com isso. Em momentos de maior sensibilidade isso até já me fez chorar. Uma vez dei uma moedinha para um garoto e fiquei olhando pelo retrovisor. Lá atrás, discretamente, ele, aos prantos, beijou a moedinha e ergueu aos céus, como que agradecendo. Caí no choro. É muito triste mesmo essa desigualdade”.
(As fotos de Bruno Mazzeo são do fotógrafo Markos Fortes, da revista Vizoo)
MARÇO DE 2008 - ANA PAULA TABALIPA
O furacão Tabalipa tira o sono da TV Globo
Programa apresentado pela atriz na Record é líder de audiência. E ela ainda se prepara para viver uma “boazuda” na novela que vai começar
É Tabalipa, mas podem chamá-la de Katrina. O novo pesadelo dos produtores globais, tal qual o furacão que levou ao desespero milhares de americanos, tem efeito devastador. As últimas aparições de Tabalipa deixaram o pessoal do Projac engasgado com tanta poeira. E olha que ela tem dia e hora marcada para aparecer: todas as terças e quintas, às 23h, quando acontece o reality show “Troca de família”, exibido pela Record. Por mais de quatro vezes o programa bateu a Globo no Ibope com 16 pontos de média e pico de 19 pontos. De todos os televisores ligados, 30% estavam sintonizados na atração da Record. No mesmo horário, com a exibição da minissérie “Queridos Amigos” e do “Jornal da Globo”, a Globo ficou em segundo, com média de 15 pontos. “Gritava no telefone de felicidade quando recebi a notícia”, recorda a apresentadora do programa, Ana Paula Tabalipa. “O diretor ainda me disse que eu tinha que gritar mesmo, porque era eu sozinha contra o elenco inteiro na Globo”, completa ela
E o efeito Tabalipa não deve parar por aí. Corre o risco de a Globo ter que chamar o corpo de bombeiros para apagar tanto fogo. É que moça se prepara para o seu primeiro papel de “boazuda” (como ela mesma diz) em “Chamas da Vida”, novela da Record com estréia prevista para maio. Tabalipa será Raíssa, mais conhecida pelo apelido de “Maria Bombeiro”, porque sua obsessão é conquistar um soldado da corporação. “Vou ser uma louquinha de saia curta e salto alto. Vou subir em árvores e fingir que não sei descer só para um bombeiro vir me salvar”, revela a atriz.
Enquanto a novela não chega, ela se aprofunda na composição da personagem fogosa. “É um desafio porque nunca fiz o papel de gostosona nem tive o costume de usar salto. Então, fico andando em casa para treinar, acertar a postura, botar a bunda para trás”. No salão de beleza onde deu a entrevista para o jornal A Folha do Bosque ela reclamava: “Pelo amor de Deus, o dia inteiro com esse salto. Não agüento mais”.
Aos 29 anos, mãe de três filhos pequenos (um do primeiro casamento com o músico João Viana e outros dois da união com o artista plástico Philippe Gebara), ela mantém o corpo de modelo. Não seguiu carreira nas passarelas por causa dos seus 1,59m, mas consegue manter a linha falsa magra. “Meu esporte é levantamento de filhos no colo”, brinca.
Mas talvez não seja apenas esse o motivo da barriga seca. Vive correndo entre a ponte aérea Rio-São Paulo e ainda viaja com a peça “Após a chuva”. Quando tem um tempo livre se manda para a praia com a garotada. Sempre com a prancha de surfe a tira colo.
Mas até as crianças já sentiram o poder do furacão. “Comigo não tem essa de ficar na frente do videogame o tempo todo. Um deles não queria comer e quebrei o Playstation. ‘Qual é o próximo?’, perguntei. ‘Se não comer vou quebrar outra coisa’. Eu imponho limites, mas também converso sobre tudo. Mostro para eles quem é o babaquinha que bebe e bate com o carro”, explica.
Quando o assunto é violência e pedintes nos sinais de trânsito do Bosque, aí mesmo é que o furacão entra em erupção. “Vai trabalhar, pô. Não tenho a menor pena. Não vou sustentar vagabun-do”, grita bem alto para o salão inteiro escutar. “E não tenho medo de ladrão e sim da polícia. O ladrão sabe o que ele quer” polemiza.
O furacão só passa longe da noite da Barra: “Só tem gente esquisita e fila pra tudo, tô fora”. Mas volta a dar sinais de vida quando a moça que faz a limpeza de pele se aproxima. “Quarenta minutos para fazer uma limpeza de rosto? Não tenho paciência para isso, não”.
Questionada se o sucesso como apresentadora logo na estréia não a credencia a querer um programa
próprio, ela mantém os pés no chão e diz que ainda é cedo demais para pensar num programa só seu. “Me deixem nascer primeiro. Isso quem resolve é a direção da Record. Tenho contrato com a emissora até 2010, mas ficarei lá até 3045”, brinca.
Recentemente posou para um ensaio na sessão “Preliminares” da revista VIP (foto ao lado) e disse que, dependendo do fotógrafo e da grana, posaria nua. Se o efeito Tabalipa continuar devastador o que vai ter de marido comprando a revista e brigando em casa com a esposa...
(Fotos de Ana Paula Tabalipa são do Fotógrafo Rodrigo Lopes)
FEVEREIRO de 2008 - Sandra Andrade
O que vai ferver agora é a Internet
Dois anos depois de deixar o Caldeirão do Huck, Sandrinha estréia programa semanal na web
O Caldeirão já não ferve tanto assim faz tempo. Mais precisamente desde abril de 2006, quando, movida por novos desafios, Sandra Andrade, a Sandrinha, deixou o programa de Luciano Huck na Rede Globo. A fina iguaria das tardes do sábado televisivo perdia ali seu melhor tempero: uma mistura de brejeirice, charme e postura que alçou a moça à condição de estrela maior de uma constelação em que pontuavam lindezas como Dani Bananinha, Karen Motta e Luana Carvalho.
Dois anos depois, eis que surge novamente o furacão. Entre um trabalho e outro de modelo e aparições como repórter em eventos da Oi telefonia, a moça investiu pesado na carreira de jornalista. Formou-se na Gama Filho, paralelamente fez cursos de locução e interpretação de notícia, enfim, está pavimentando uma estrada que, acredita ela, a levará a comandar um programa de ponta no futuro. Quem duvida?
Este mês, Sandrinha dá início à caminhada: na WTN, a única Web TV com grade e programação diária, ela vai pilotar uma atração voltada para o mundo das celebridades, com entrevistas, curiosidades e uma pitada de fofoquinhas do bem.
Nada mal para a morena de 24 anos que chegou aos 5 a Barra e que desfila sua beleza, sem cerimônia nenhuma, por points do bairro como o Bosque Marapendi, o Pepê e a Academia da Praia.
Na entrevista a seguir, entre muitas idas e vindas, a musa desabrocha um pouco mais e fala de passado, presente e futuro. Faceira, deixa escapar que completará 25 anos no próximo dia 25, dia da estréia do programa. Cabalístico? Talvez. O certo é que o Caldeirão já não ferve tanto assim, é verdade. Mas por outro lado, vai bastar ela chegar, com aquele ar meio despretensioso, e abrir o sorrisão, para a internet começar a pegar fogo.
BARRA - “Gosto do visual, do contraste da natureza com as lindas construções dos condomínios supermodernos. Dificilmente, você vai me ver numa boate ou na night, mas curto bastante os restaurantes e os barzinhos que têm aqui. Sem contar que adoro a praia E detesto o trânsito, nada mais insuportável”.
CUIDADOS COM A BELEZA - “Faço medicina ortomolecular há quase 3 anos. Ando com uma caixinha na qual levo várias vitaminas e tomo os comprimi-dos duas vezes por dia. Desde o começo do tratamento, não pego nem uma gripe. Faço pelo menos uma vez por semana tratamento de prevenção de gordura localizada e celulite”.
RATA DE ACADEMIA - “Faço ginástica localizada e de vez em quando recorro a um exercício aeróbico, tipo transport, esteira ou corrida ao ar livre. Também adoro boxe, normalmente faço umas duas vezes por semana”.
POR QUE SAIU DO CALDEIRÃO - “Concluí a Faculdade de Jornalismo e, em 2005, comecei a fazer trabalhos como apresen-tadora. Em julho de 2005, fui convidada para fazer a cobertura do Fashion Rio para a Rádio Oi FM. Em seguida, surgiu o convite para cobrir o Oi Fashion Tour, circuito de moda que acontece em outras capitais, fora do eixo Rio-São Paulo. Desta vez, com transmissões ao vivo para o site da Oi. Depois surgiu a chance de eu ter meu próprio programa, chamado Mundo Oi, que passou durante oito meses na Mix TV”.
LUCIANO HUCK - “Uma pessoa admirável. Mesmo quem não tem a oportunidade que eu tive, de conhecer e conviver mais com ele, já o admira. O Caldeirão foi um marco na minha vida. Cinco anos bacanas, durante os quais eu soube aproveitar bastante a oportunidade”.
RELAÇÃO COM AS MENI-NAS - “Nunca tive problemas com as meninas, pelo contrário. Criamos uma amizade bem bacana. Até hoje mantenho contato com a Luana, com a Dani (Bananinha) e com a Karen, que são as meninas com quem convivi mais tempo lá”.
PLANOS - “Seguir a carreira de apresentadora. Durante a faculdade, resolvi trocar os cursos de interpretação por cursos de especialização para apresentação e amei. Até hoje faço esses cursos para me aperfeiçoar”.
JORNALISMO - “Me formei pela Gama Filho no final de 2004 e a minha monografia foi sobre “A evolução da mulher no telejornalismo esportivo”. Foi um sucesso, tirei dez. Meu orientador queria até que eu usasse o material para escrever um livro sobre o assunto”.
DESAFIO - “Estou num projeto bem bacana agora. Gravo um programa para WTN, a única Web TV com grade e programação diárias. O meu programa estréia este mês. Se chama WTN Celebridades, e terá notícias e entrevistas com famosos”.
INSPIRAÇÃO - “Não podia deixar de falar do meu ex-patrão, né? O Luciano é um excelente apresentador. Mas também curto o trabalho da Dani Monteiro e da Fernanda Lima”.
BELEZA ATRAPALHA? - “Quem me deu oportunidade de mostrar meu talento não se arrependeu. Ainda tenho uma longa estrada pela frente, muita coisa para aprender. Mas tenho me preparado muito. Acredito que exista um certo preconceito sim, pelo fato de eu ser bonita, mas isso não me intimida. Estou trilhando o meu caminho, e para aqueles que acham que sou apenas um rostinho bonito, esperem para ver”.
JANEIRO de 2008 - Diogo Nogueira
O espelho mágico dos Nogueira
Música feita pelo pai invade a vida real de Diogo Nogueira, um dos melhores cantores de samba de todos os tempos, na opinião de Sérgio Cabral
Estilo marrento, de óculos escuros, piercing na orelha, chinelos, bermudão, ele caminha pelo Down-town. Pernas arcadas, jeito malandro, senta à mesa do bar e pede um chope para começar a entrevista. Não fossem os olhos azuis e as tatuagens, poderia ser confundido com um baixinho que ainda insiste em jogar futebol. Mas quem está na área é Diogo Nogueira. Foi derrubado, mas não sofreu pênalti. Estourou o joelho, chorou muito, mas pode agradecer até hoje o zagueiro que cometeu a infração. A falta da sua vida, digamos assim. Ele queria ser jogador de futebol, mas a contusão grave afastou o filho do saudoso João Nogueira dos gramados e levou o menino para os palcos. E em pleno alvorecer do século XXI, segundo o historiador Sérgio Cabral, somos contemplados com Diogo Nogueira. “Um intérprete que não é apenas um dos maiores cantores de samba de todos os tempos. É um dos nossos melhores intérpretes da música popular brasileira”, escreve Cabral. Bem melhor do que ter sofrido o pênalti e continuado em campo. 
Não para Diogo. “Eu falava: não quero, meu irmão. Vai caçar outro”, conta o filho do mestre Nogueira, lembrando dos insistentes convites para ser cantor, enquanto sonhava brilhar nas quatro linhas. Ainda mais com o incentivo do pai, falecido em 2000, que sentava com o moleque na tribuna de honra do Maracanã (“bem ali, do lado da Raça rubro-negra”, lembra Diogo) e dizia para o menino: “Eu ainda vou te ver lá dentro jogando futebol”.
Por ironia do destino, em 2003, aos 23 anos, a letra de uma música que João compôs para seu pai sai do papel e invade a vida real de Diogo. “Num dia de tristeza me faltou o velho / E falta lhe confesso ainda hoje faz / E me abracei na bola e pensei ser um dia/ Um craque da pelota ao me tornar rapaz / Um dia chutei mal e machuquei o dedo / E sem ter mais o velho pra tirar o medo / Foi mais uma vontade que ficou pra trás”, diz um dos versos de “Espelho”. No dia em que se lesionou, a letra passou como um filme na cabeça de Diogo. “Chorei copiosamente”, recorda.
O orçamento apertava e estava na hora de aceitar os convites dos bambas. Tarefa não muito difícil para o rapaz que, desde pequeno, freqüentava as tradicionais rodas de samba da cidade e chegou a se apresentar em vários shows pelo país ao lado do pai. A primeira canja, Diogo lembra bem: “Era molecote, tinha 13 anos, meu pai me cutucou e disse: ‘Canta aí’. Eu disse: ‘Cantar o quê?’ Então eu tive que cantar, né?”.
No ano passado lançou no palco do Canecão seus primeiros CD e DVD, gravados ao vivo no Teatro João Caetano, no Rio. No repertório, clássicos de João Nogueira e Baden Powell, como “Espelho” e “Violão vadio”, além de composições inéditas de Diogo. “Ele enriquece suas interpretações com uma postura de palco que nem o pai possuía”, incensa Cabral. “É mais bonito, é verdade, mas não é apenas isso. Diogo Nogueira é dotado daquele misterioso talento que faz o espectador acreditar que ocupa o palco inteiro, mesmo quando aparece sozinho”, completa o historiador.
Esse ano, pela segunda vez consecutiva, venceu a disputa do samba-enredo da Portela (confira ao lado), escola adotada por seu pai, que colocou samba na final, mas nunca chegou a ser campeão.
Está na hora de os versos da música “Espelho” invadirem a sua vida novamente. “Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade / E orgulho de seu filho ser igual seu pai / Pois me beijaram a boca e me tornei poeta”, canta Diogo, no momento mais impactante do seu DVD.
A conversa regada a chope garotinho no boteco Papo de Bar, no Downtown, vai chegando ao final. O marrento Diogo cede lugar ao simpático Nogueira. Troca receitas de drinques com a equipe da Folha do Bosque, lembra os dotes culinários que aprendeu com o pai, fala do filho David de 1 ano e dez meses, mostra o nome do bebê tatuado no braço direito, diz que ainda não terminou as três tatuagens que fez no braço esquerdo (o rosto e assinatura do seu pai, e a cifra da música “Poder da criação”) e marca até um desafio de futevôlei contra o editor da Folha. A saideira vai ser num quiosque da praia...
Portela 2008.
Samba enredo
Autores: Diogo Nogueira, Ari do Cavaco, Ciraninho, Celsinho de Andrade e Júnior Scafura.
Enredo:“Reconstruindo a Natureza, recriando a vida: o sonho vira realidade”
Segue os passos do criador
Vai minha Águia Guerreira
Leva essa mensagem de amor
De Oswaldo Cruz e Madureira
Água, fonte eterna da vida
Terra, templo da evolução
O homem surgiu, brincou de criar
Descobriu tanta riqueza
É preciso progredir sem destruir
Viver em comunhão com a natureza
É o rio que corre a caminho do mar
A flor que se abre na primavera
Do ventre a esperança que vem renovar
O sonho de uma nova era
É hora de darmos as mãos
Lutarmos pro mundo mudar
O líder de cada nação
Precisa parar pra pensar
A palavra é união
Pra reconstruir o nosso lar
Brasil, teu verde é o símbolo da vida
Renova a tua energia
Meu coração é o meu país
O sol vai brilhar pra anunciar
Um futuro mais feliz
Eu sou a água, sou a terra, sou o ar
Sou Portela
Um sonho real, um grito de alerta
A natureza que encanta a passarela














